L I V R E _ N O S _ O C E A N O S
“A velejadora brasileira leva nossa bandeira pelos mares do mundo.”
Revista Perfil Náutico.
“Um barco vai singrando a costa brasileira. Leva uma guerreira que sonha, que não desiste de seus sonhos! Será atendida em suas preces?
É destemida. Iria à Lua se uma vela pudesse ser impulsionada pelos sonhos!
‘O mar será sempre a nossa estrada!’ Diz ela. E segue solitária em seu barco.”
Izabel - Portrait
QUALIFICAÇÃO DA IZABEL NA MINI-TRANSAT 2009.
COMUNICADO
Izabel representará o Brasil na Charente-Maritime/Bahia Transat 6.50
Por Mariana Peccicaco
A organização da Charente-Maritime / Bahia Transat 6.50 2009 anunciou nesta sexta-feira que aceitou a inscrição de mais 12 participantes na regata. Ao invés dos 72 skippers inscritos até então, serão 84 no total, somando 100 velejadores.
O aumento do número de participantes aconteceu por que a Transat Douarnenez-Kourou 2010 foi cancelada. Os organizadores entraram em contato com a classe Mini Transat e em conjunto decidiram aceitar mais participantes.
A regata largará de Charente-Maritime, na França, no dia 13 de setembro. De lá seguirá para Funchal, na Ilha da Madeira, em Portugal e em seguida para Salvador, na Bahia. A velejadora Izabel Pimentel será a representante brasileira na regata.
(Fonte: Náutica Online, 05/06/2009).
Relação oficial dos qualificados na Charente-Maritime/Bahia Transat 6.50
Classe Mini.
NOTÍCIAS DA FRANÇA
“Agora na França está fazendo bastante calor. O verão chegou. E com ele também um ar mais alegre. Passei pelas ruas de La Rochelle e senti uma energia diferente. Com pouca roupa e uma cor mais dourada o povo estampa um ar mais feliz.
O Petit Bateau fica agora em La Rochelle. A viagem de Douarnenez para La Rochelle foi tranqüila e com pouco vento. Fiz uma parada em Lorient, pois estava com uma jornalista a bordo.
A Júlia, da revista "Voiles et Voiliers", fez 24 h comigo. (Quinta-feira, dia 25). Ela adorou. No início fiquei preocupada, pois o barco é muito pequeno. Mas Júlia e eu nos demos super bem e a viagem foi especial.
De Lorient segui sozinha até La Rochelle. No caminho o telefone tocou. Era meu novo amigo espanhol, o Juan Carlos. Ele comprou o proto que ganhou a última transat e vem com tudo para ser uns dos favoritos, pois tem no currículo muitas America's Cup. Ligou avisando que está fazendo as milhas qualificatórias. Desejo boa sorte.
Agora falta pouco para a Transat 6.50. Setembro, dia 13, é "la Dèpart"(a partida). E vamos que vamos. Estou muito animada.
Do resto aguardando que os lemes, velas e bolinas fiquem prontos para testar o barco. O Petit Bateau no dia 15 vai para o seco onde receberá mais alguns reparos. Em tempo: A Cousin Trestec (Brasimpex Representações e Serviços Ltda.), enviou os cabos novos para colocar nas velas.
Se tudo estiver pronto até o dia 25 sigo para fazer mais uma regata, a Transgascogne. Se, não, só em setembro.
A Transat 6.50 é mais que uma competição para mim. É a volta para a casa.
Que os bons ventos me levem a Salvador.
Bel.”
TRAVESSIAS DO ATLÂNTICO
Terceira travessia do Atlântico: Paraty ao Golfo de Biscaia
Travessia monitorada pela OnixSat Telecom.
NOTA
A terceira travessia do Atlântico, Paraty ao Golfo de Biscaia, foi monitorada via satélite pela OnixSat Telecom. As regatas qualificatórias visando participar da Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009 foram acompanhadas pelos respectivos organizadores dos eventos. A Grand Pavois Organisation fará o acompanhamento da mini-transat 2009.
A Izabel Pimentel continuará contando com o prestígio da OnixSat Telecom toda vez que participar de outros eventos, inclusive de sua volta ao mundo que acontecerá em breve.
Segunda travessia do Atlântico: Mar Mediterrâneo a Paraty
Veja a matéria.
Primeira travessia do Atlântico: Canal da Mancha a Paraty
Veja a matéria.
IZABEL NA MÍDIA
Izabel aparece em anúncio da BahiaTursa
A revista Náutica nr 249, edição de maio, publica um anúncio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia – BahiaTursa, onde a Izabel aparece divulgando o turismo náutico no estado da Bahia.
Veja o anúncio.
Revista Perfil Náutico
Reportagem sobre a Izabel na revista Perfil Náutico, Ano 4, nr 17, edição de março, 2009. Matéria assinada pela jornalista Bruna Righesso.
Revista Náutica
Izabel é entrevistada pela revista Náutica nr 246, edição de fevereiro. A matéria de dez páginas trás um perfil escrito pela jornalista Mariucha Moneró e entrevista realizada pela jornalista Regina Hatakeyama.
EVENTOS
Regata Oceânica Internacional Recife-Fernando de Noronha
Participação de Izabel na XX Refeno.
Lançamento do livro ‘A Travessia de uma Mulher’
Livro que descreve a travessia pioneira do Atlântico, em navegação solo, realizada pela Izabel Pimentel.
O livro “A Travessia de uma Mulher”, editado pela Objetiva, foi lançado na Casa da Cultura de Paraty e, posteriormente, na Livraria Argumento, no Leblon. É encontrado nas principais livrarias do país.
ÍNDICE
. Izabel faz treinos participando de regatas.
. Izabel na Mini-Transat 2009.
. Travessia Açores, PT, ao porto de Pornichet, FR.
. Travessia Salvador, BA, aos Açores, PT.
. Travessia pioneira do Atlântico em navegação solo.
. A Bandeira.
. Manifestações de apoio.
. Notícias.
IZABEL FAZ TREINOS PARTICIPANDO DE REGATAS
Izabel agiliza os preparativos do barco visando a Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Boletim n.º 29 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Sète, Mar Mediterrâneo, França, quarta-feira, 10 de junho de 2009.
A Izabel mesmo qualificada para a regata Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009 não pára um momento. Treina e vai verificando as deficiências do barco, corrigindo-as para a grande final em setembro. Cada regata que participa novos problemas são detectados e sanados. O Petit Bateau saiu do estaleiro com falhas causadas pela má interpretação do projeto. Os construtores se perderam no emaranhado dos desenhos e cálculos numéricos. Resultado: Os problemas vão surgindo, causando despesas extras e muitas dores de cabeça. É aquela história: acreditar nas pessoas erradas, dá nisso. Se não fosse o seu espírito patriótico em fazer questão de participar das regatas com um barco brasileiro, estaria livre de muitos problemas, desgaste emocional e esgotamento físico. Ela teve nas mãos um barco aprovado em inúmeras travessias do oceano, o número ‘UM’ da Classe Mini, - o Vanguard 1, - comprado na França; construído por um grande projetista francês; mas passou-o à frente, na convicção que tinha acertado em mandar construir no Brasil um barco com a chancela nacional. Ledo engano! O barco é resistente para longas travessias; mas é moroso e pouco competitivo para participar de regatas.
A Izabel não conta com praticamente nenhuma estrutura. É ela e a sua determinação. Quando liga para casa sinto pela voz o seu drama. Mas ela sempre se supera, e horas depois volta cheia de entusiasmo. Quase se desculpando. Lembra o ginasta Diego Hipólito se desculpando com o Brasil depois do tombo na Olimpíada da China. Sinto nela o espírito de um verdadeiro capitão. Ela jamais abandonaria o barco em alto mar. Antes da segunda travessia do Atlântico, estava programado que o barco deveria regressar ao Brasil de navio, mas não permitiu. Voltou pilotando o barco e teve uma ótima performance na travessia. Nesta terceira travessia, escolheu a rota mais longa, seguindo toda a costa brasileira até o extremo Norte do país, no Amapá, para depois se projetar na direção do Arquipélago dos Açores. Foi uma opção técnica, driblando as correntes marítimas inter-tropicais. Se lhe falta estrutura, sobra vontade de seguir em frente. Não desiste nunca!
O pessoal que compete na França está perto de casa. Conta com assistência técnica, que o acompanha ao longo das regatas. Ao aportar se hospeda em pousada ou casa alugada previamente. Descansa. Comida desidratada só vê no barco. O desgaste físico e mental é menor. Noventa e nove por cento são navegadores com longa tradição de mar, ou filhos; acostumados com os acidentes geográficos e marinhos da região. E não têm problemas de comunicação. Seus barcos são construídos por profissionais do ramo. Leves e preparados para o fim a que se destinam: a competição. Olhando uma foto da Izabel com o seu barco singrando os mares da Europa, senti uma grande tristeza. Minha filha não é só uma navegadora. É uma heroína! Uma heroína solitária!
Segunda-feira, dia 8, por volta das 07:15 hs (horário de Brasília) a Izabel fazia contato com o Brasil e dizia estar em Breizh, em Douarnenez, aguardando um vôo para Marseille. Uma hora e quarenta minutos de vôo, e mais duas horas de viagem de trem até Sète, no Mar Mediterrâneo, onde iria agilizar a confecção de umas peças para adaptar no barco. A semana passada quando estivera em Sète, no estaleiro Chantier Naval Rive Sud, para construir a porta da cabine, levara treze horas viajando de trem. Desta vez preferiu chegar mais rápido, fazendo parte da viagem de avião. Esperava alcançar o seu destino por volta das dezoito horas. Volta a Douarnenez na segunda-feira próxima.
Mensagem da Izabel
“Oi galera, a três meses da Minitransat, nada como um Blog para tentarmos encontrar soluções para melhorar a performance do Brasil na minitransat.
Problemas e soluções:
1) Velas velhas: o Petit Bateau em julho ganha 3 velas novas, uma genoa, uma grande e um spi. Feitas pela Delta francesa com o melhor material do mercado.
2) Leme ruim: O Petit em julho ganha leme de carbono feito pelo construtor dos barcos do arquiteto Samuel Manuard.
3) Ferragens: Nessa regata 5 polias romperam; fatiga de material. A Holt Nautos já enviou e recebi todas as ferragens para substituição.
4) Brandais móveis: pirateei de outros barcos e estou indo fazer um novo.
5) Bolinas: Estou indo ao Mediterrâneo negociar para conseguir fazer por um preço menor. 5.000 euros é muito caro. Mas sem as bolinas continuaremos com o maior problema do Petit: a orça.
6) Orça: Maior problema do Petit Bateau. O ângulo entre um bordo e outro 130 a 140 graus, o barco não orça; os outros barcos têm 84 graus. Falei como Paulo Ribeiro, técnico da seleção olímpica feminina de vela. A bolina e as velas velhas podem ser as causas desse problema.
7) Pouco vento: Ai não tem jeito; é subir panos e tentar resolver o problema da orça. Em ventos favoráveis esse problema consegue ser minimizado.
8) Izabel Pimentel: Estou treinando direto e tentando viabilizar a vinda de Paulo Ribeiro para a Franca e me preparar 10 dias. Em agosto tenho treinos em uma escola de vela em La Rochelle.
Agradecia sugestões, principalmente, quanto ao problema da orça.
Performance do barco Petit Bateau (março de 2007 a junho de 2009):
- 1.600 milhas do Rio de Janeiro à Ilha d Trindade – Macaé.
- 600 milhas em regatas na Europa.
- 4.300 milhas na segunda travessia do Atlântico.
- 1.350 na costa do Brasil.
- 3.000 Rio de Janeiro - Refeno - Rio de Janeiro.
- Mais de 6.000 milhas nesta terceira travessia do Atlântico.
- 1.400 milhas entre regatas e transporte do barco até as regatas.
Ao todo o Petit Bateau tem em dois anos mais de 18.250 milhas em solitário, sendo que só a ida a Trindade que foi feito com as velas do meu barco da primeira travessia do Atlântico.
Obrigada,
Bons ventos.
Bel.”
Participação da Izabel na Regata Trophée Marie-Agnès Perón
Boletim n.º 28 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Douarnenez, França, segunda-feira, 08 de junho de 2009.
Izabel comunicou-se com o Brasil esta manhã. Estava bem disposta depois de uma noite de sono tranqüilo, longe do desconforto da cabine do Petit Bateau. Dormira na casa de um casal de amigos, também velejadores.
– Hoje ainda durmo no conforto. Se as condições do tempo permitirem, amanhã, mesmo, regresso a La Rochelle. O barco será colocado em terra e dados os últimos reparos para a próxima regata treino. A seguir o barco segue para o porto de Charente-Maritime, onde aguardará a regata Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009.
Ontem a Izabel não estava em condições psicológicas para se comunicar com seus pais no Brasil, deixando para conversar hoje com mais tranqüilidade. Ela chegara em Douarnenez por volta das 11:30 local (16:30, horário de Brasília). Hoje em seu segundo contato, por volta das 17:30 hs, voltava a dar novos detalhes sobre a regata Trophée Marie-Agnès Perón. Informou que a passagem entre a Ile de Sein e a costa fazia parte apenas do roteiro de ida da regata. Na volta enfrentava ventos de cerca de 50 nós, ao navegar distante da costa, quando optou se abrigar do tempo passando outra vez entre a Ile de Sein e a costa francesa. A opção tomada se refletiria desfavorável pouco tempo depois. “Faltavam seis milhas para passar, quando formou um tempo e entrou um vento de uns 50 nós.” Falou. “Horrível. A pior situação que passei até agora. O barco era represado pela corrente contrária e tinha que andar rápido para não ser jogado contras as rochas.” Comentou. O encarregado do canal assistia pelas câmaras de monitoramento a trajetória do Petit Bateau, que a todo o momento dava a indicação que ia se rebentar nas pedras. Mas o pessoal de terra procurava acalmá-lo, informando que a Izabel tinha experiência de mar, e contava com três travessias do Atlântico.
Depoimento da Izabel
“Cheguei em Duarnenez em um belo dia de sol. Ótimo para quem precisava fazer muitos reparos no barco. Fui logo recebida com sorrisos pela organização da regata. Yves e sua esposa Sophia Guitton viveram no Brasil e falam português.
Mas fui para o barco e não parei. Na terça feira minha cabeça doía muito e estava muito cansada. A Classe Mini fazia pressão, pois o barco está mesmo com um aspecto nada bom. Afinal fez a travessia e não parou. E eu montando porta nova, lixando, lavando roupa, limpando catracas, trocando cabos, etc. Todo os barcos praticamente prontos e o meu um bordel. Na noite de terça, tomei um banho e voltei para o barco sem ir a um restaurante, pois já era tarde e as cozinhas dos restaurantes aqui fecham cedo. Para a minha surpresa, o concorrente australiano, Simom, me chama e diz que fez uma janta para mim. Não acreditei na simpatia. Ele me viu trabalhando, sem parar e me fez um agrado. Me mostrou seu barquinho, um Pogo 2 todo organizado e quis saber sobre a minha travessia do Atlântico. Minha dor de cabeça foi embora com tanta delicadeza.
A luz de navegação não funcionou e, na quarta, fui atrás de mais um reparo. Consegui um eletricista. No início da noite consegui jantar com os concorrentes e ter o barco em condições de navegar. O Robert, concorrente da Holanda, estava fazendo sua navegação na hora do almoço. Tinha um estudo completo das correntes e ventos da região. Queria ficar com ele fazendo este estudo, mas o presidente da Classe Mini e o responsável pela segurança dos barcos queriam ir ver algumas coisas no meu barco.
As regatas aqui no Norte, devido a amplitude de maré que chega a 12 m, têm que ser mais preparadas. Não basta entrar no barco e partir. Não fiz este estudo antes e nem durante a regata, pois tive que levar o barco grande parte, pois tenho problemas no leme, logo perdi muito com isso. Mais serve de aprendizado.
Parti sem vento, o que dificulta muito. Mesmo, assim, cheguei a passar muitos barcos, mas logo eles pegavam vento e me passavam.
A regata teve uma variação muito grande de ventos. Impressionante. Não dormi nem uma hora. Depois que bati o barco na costa do Espírito Santo, não consigo relaxar quando estou perto da costa. Mas aí está o erro. Devia por o barco para andar para fora e dormir um pouco. Não se pode nunca ficar tantos dias sem dormir. Eu passei três noites acordada.
Outro erro foi quando retornava a Ile de Sein, o vento estava na cara. Devia ter mantido o barco ao Sul e, só muito para fora, dar o bordo. Quando retornei perdi muita altura e a corrente muito forte, chegava a 5 nós; o barco acabava não andando.
A passagem por Sein foi inacreditável. Faltavam seis milhas para passar, quando formou um tempo e entrou um vento de uns 50 nós. O vento contra a corrente provoca ondas que quebram. Assustador. Rochas, vento forte, ondas arrebentado e eu alí no meio. Já havia amanhecido e resolvi desistir, já que o prazo de chegar tinha se esgotado. Tinha 18 hs para chegar após o primeiro proto passar a linha de chegada.
O meu retorno foi terrível. O canal entre a Ile de Sein e a costa é super perigoso. O vento forte era para terra e a corrente era contra. Logo se o barco não tivesse o mínimo de velocidade acabava nas pedras. Olhei a velocidade do barco e me assustei, menos de um nó. Na verdade o barco devia estar navegando a 6 nós e a corrente a 5. Logo subi mais panos e orcei. As ondas passavam dos 3 metros na entrada da baia de Duarnenez. O barco surfava nas ondas. A organização acompanhava através do rastreador. O responsável pelo canal de Sein ligou 2 vezes para a organização preocupado, pois me observavam das câmeras do canal. A organização tranqüilizou o responsável dizendo que tinha experiência e ia passar bem. Mas confesso que me assustei. Queria ter uma filmadora no topo do mastro para mostrar como foi.
Cheguei de mal humor em Douarnenez. Chateada. Fui comer a comida, e não desceu. Desisti e retornei ao barco. Estava muito frio. Peguei um cobertor e fui para fora do barco, ficando diretamente no sol. Me cobri toda e dormi algumas horas. Assim que acordei, Sophia estava em meu barco sorrindo. Veio me buscar para jantar e dormir em sua casa. Muito legal.
Agora mais descansada estou preparando o meu retorno para La Rochelle. Daqui a dois dias volto para o mar. Hoje vou limpar o barco. Tenho que deixá-lo com melhor apresentação; pois uma jornalista da revista Voiles et Voiliers quer fazer 24h comigo no barco.
Depois que chegar em La Rochelle vou cuidar do Petit Bateau. Ja mandei fazer velas novas e um leme novo. As bolinas estou esperando a resposta de um apoio, pois ficou em quase 5000 euros. Muito caro.
Do resto, descansar e esperar ter um resultado melhor na Transgascogne.
Uma notícia boa é que já estamos na lista oficial dos qualificados para a Minitransat 2009. Veja no site da Classe Mini:
http://www.classemini.com/modules/courses/upload/14/PréInscriptions%20Transat%2009%20-%20280509.pdf
Que os bons ventos me levem para Salvador e de volta para casa. E, agora, com o espírito mais regateiro, numa colocação um pouco melhor.
Bel.”
De volta à Douarnenez a Izabel se prepara para sua primeira regata treino depois de qualificada para a Mini-Transat 2009
Boletim n.º 27 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Douarnenez, França, quarta-feira, 03 de junho de 2009.
Regata: Trophée Marie-Agnès Perón
Percurso: Départ et arrivée à Douarnenez
Modalidade: Solo
Distância: 220 milles
Categoria: C
Data: 4 - 7 juin 2009
Depois de passar uns dias na cidade francesa de Sète, no Mar Mediterrâneo, onde fora confeccionar o portilha da cabine do Petit Bateau, a Izabel retornou ao porto de Douarnenez. A viagem de ida e volta ao estaleiro Chantier Naval Rive Sud foi realizada de trem, uma longa viagem de mais de doze horas.
Ontem à tarde ela informava que estava dando os retoques finais no barco, para deixá-lo mais competitivo na regata Trophée Marie-Agnès Perón; uma participação simbólica que não visa fazer pontuação, já que está qualificada para tomar parte na regata `Transat 6,50 Charente Maritime-Bahia´. Em agosto realizará seu último treino, participando da regata Transgascogne (Port Bourgenay - Santander - Port Bourgenay). Seu barco passou por uma vistoria neste final de semana. A cada regata há uma vistoria pela Classe Mini.
Como a Izabel comentou a semana passada, a vela grande estava sem a mínima condição de enfrentar uma nova maratona de regatas. Enquanto não chegam as velas novas, ela conseguiu emprestado uma vela grande da navegadora francesa Luce Molinier, que corre com o barco número FRA-514, ‘No-War’. A jovem velejadora se reveza nas competições com o namorado, Bertrano, utilizando o mesmo barco. O empréstimo da vela foi intermediado pelo fabricante de velas Delta.
A regata Trophée Marie-Agnès Perón terá largada nesta quinta-feira, dia 4, e vai até o domingo, dia 7, com percurso de 220 milhas. (Acompanhe a regata no site Winches Clube).
Após esta regata a Izabel segue com o barco para a cidade de La Rochelle onde o colocará em terra firme e fará uma revisão geral; aí incluídas a troca de ferragens fornecidas pela Holt Nautos e a substituição das velas.
(Topo)
IZABEL NA MINI-TRANSAT 2009
Izabel qualificada para a Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Boletim n.º 26 - Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Sète, Mar Mediterrâneo, França, terça-feira, 26 de maio de 2009.
Regata: `Transat 6,50 Charente Maritime-Bahia´
Percurso: La Rochelle - Madère - Salvador de Bahia (França - Portugal - Brasil).
Tipo: Solo
Distância: 4200 milles
Categoria: A
Data: 13 septembre - 21 octobre 2009 (39 dias)
Esta manhã, dia 26 de maio, por volta das 06:45 hs (horário de Brasília) a Izabel ligava de Sète, porto mediterrâneo da França, e dizia eufórica:
- Liga pra mim. A mudança de mando da ligação se prendia ao fato de estar nos escritórios da Chantier Naval Rive Sud (estaleiro), onde se realiza a confecção da portilha da cabine do Petit Bateau.
Pronto. Liguei para ela.
- Acabei de receber um comunicado da Grand Pavois Organisation informando que estava por antecipação qualificada para participar da regata `Transat 6,50 Charente Maritime-Bahia´. Em reunião realizada pela Classe Mini, decidiram considerar as 550 milhas da regata Transgascogne (Port Bourgenay - Santander - Port Bourgenay) que realizei em 2007, reconhecendo também todo o meu esforço em levar navegando o barco do Brasil até a França (mais de 6.000 mil milhas). Não precisarei mais buscar as 200 milhas que faltariam para somar às 800 milhas da regata Mini Pavois que aconteceu há poucos dias. Se quisesse poderia arrumar as malas e regressar ao Brasil, hoje, mesmo, só retornando à França em agosto para os preparativos finais da minitransat 2009.
- ESTOU DENTRO DA `TRANSAT 6,50 CHARENTE MARITIME-BAHIA´! Comemorou. Agora só falta pagar a inscrição!
Na regata Transgascogne dos 73 barcos que saíram de Port Bourgenay, só 54 alcançaram a cidade espanhola de Santander, ficando 19 para trás em conseqüência de avarias causadas por forte temporal que atingiu a região. O barco da Izabel teve uma das caixas das bolinas estourada, e a água invadiu a cabine. Perdeu a filmadora e a máquina fotográfica com a entrada de água no barco. "Depois de vedada a entrada da água, que penetrava no barco como numa torneira aberta, ainda assim levei a viagem retirando um balde de água de hora em hora.” Narrou. Mesmo nesta situação de desconforto ela conseguiu controlar o barco e levá-lo até o ponto final da primeira etapa, na cidade espanhola de Santander, e cumprir depois a segunda etapa da competição.
Disse que a Izabel poderia voltar ao Brasil, ainda, hoje, se quisesse. Mas ela tem outros compromissos que a reterão na Europa. Trabalho e mais tempo treinando no mar.
- Treinar pra que, se está qualificada e mais do que apta a participar da `Transat 6,50 Charente Maritime-Bahia´? Quis saber.
- Preciso afinar o barco. Quero chegar em setembro sem nenhuma pendência no ar. Quero trocar as ferragens que a Holt Nautos ja enviou.
E recorda das velas que precisam ser substituídas, pois tem mais de 6.000 milhas de navegação, só nesta travessia de Paraty à La Rochelle. Tem que trocar o piloto automático por um mais possante. Fazer manutenção da parte elétrica. O barco na travessia Paraty à La Rochelle foi alimentado pela energia solar. O painel solar presenteado pela Marina Porto Imperial funcionou a contendo. O equipamento de rastreamento via satélite da OnixSat Telecom, que monitorou toda a travessia Brasil-França foi alimentado pelo painel solar, as vinte e quatro horas do dia. Esta empresa continuará dando força à Izabel na volta ao mundo.
E avança nos cuidados com o futuro do barco.
- A Internacional Tintas já me avisou que quando retornar ao Brasil, após a minitransat, que o Petit Bateau receberá um tratamento especial em Santos onde ficará novo em folha.
Sem compromisso com qualificação, a Izabel pretende realizar uma série de regatas, como `treino´, inclusive a Trophée Marie-Agnès Perón, que já está inscrita; vai repetir a regata Transgascogne, ambas em solitário; e, provavelmente, a Mini Fastnet 09 (Douarnenez - Phare du Fastnet - Douarnenez), em outro barco, em dupla.
- Agora vamos treinar, treinar e treinar. Principalmente com os outros participantes, pois só assim corrigimos os nossos erros e conseguimos chegar mas perto. Enfatiza.
Em Douarnenez a Izabel se prepara para próxima regata qualificatória
Boletim n.º 25 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Douarnenez, França, sexta-feira, 22 de maio de 2009.
Regata: Trophée Marie-Agnès Perón
Izabel chegou ao porto de Douarnenez nesta madrugada. Às 07:30 hs (horário de Brasília) ligava pelo celular para o Brasil. Estava morta de cansaço. Fizera uma viagem com pouco vento, rendendo pouco. Nas proximidades da entrada do porto a situação se inverteu com um vento contra de mais de 30 nós. “Na cara”, falou. E ai não teve condições de entrar no porto com o auxílio das velas. Sua salvação que passava um barco e pediu ajuda para rebocá-la até o cais.
- A água aqui é gelada. Para tomar um banho foi um sacrifício.
Horas depois voltava a se comunicar, agora de uma cabine telefônica, com cartão. “Bem mais em conta!” Exclamou.
À sua frente uma pousada.
- Vou ver quanto custa. Preciso descansar!.
Sua meta agora é mandar construir uma nova portilha para o barco. A Classe-Mini exige uma portilha que vede totalmente a entrada de água na cabine.
A partir de sexta-feira próxima, 30, 31 de maio e 01 de junho, acontecerá a inspeção do barco para deixá-lo apto para a regata Trophée Marie-Agnès Perón. A cada regata, realiza-se uma nova inspeção geral. Com esta brincadeira, além de tudo que já foi substituído no barco, sempre surge algo novo para trocar. E cada pequeno conserto lá se vão 200 euros. A portilha vai levar mil euros. Só resta substituir o casco!
- Vou mandar fazer uma portilha de carbono.
De 4 a 11 de junho se realiza a regata, com largada e chegada em Douarnenez.
Izabel deixa La Rochelle rumo a Douarnenez
Boletim n.º 24 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
La Rochelle, França, terça-feira, 19 de maio de 2009.
Regata: Trophée Marie-Agnès Perón
Percurso: Départ et arrivée à Douarnenez
Modalidade: Solo
Distância: 220 milles
Categoria: C
Data: 4 - 7 juin 2009
Winches Club
Maison du Nautisme - Quai de l'Yser - 29100 Douarnenez
Tel : +332 98 74 38 05 - Fax : +332 98 74 38 00
Email : winches@kerys.com
(Fonte: http://www.classemini.com/attachment/119360/ ).
No final da tarde de segunda-feira, dia 18, a Izabel deixou a cidade de La Rochelle com destino ao porto de Douarnenez. Em junho, entre os dias 4 e 7, participará da regata Trophée Marie-Agnès Perón, cumprindo a sua última participação em regatas qualificatórias para se habilitar à Mini-Transat 2009. Será mais uma atuação solo, com um percurso de 220 milhas. O trajeto da regata compreende saída e chegada do porto de Douarnenez.
Cumprida esta missão a Izabel retorna à cidade de La Rochelle, onde deixará o barco Petit Bateau, e regressará de avião para o Brasil. Estará de volta à França em meados de agosto, para preparar o barco para a grande decisão que será participar da concorrida Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009. Regata que partirá no dia 13 de setembro com destino a cidade de Salvador, BA, Brasil. O trajeto inclui uma parada no Arquipélago da Madeira, Portugal. A previsão é que a Mini-Transat 2009 termine no dia 21 de outubro, após 39 dias de jornada em alto mar, fazendo um percurso de 4.200 milhas. Para a Izabel, será a sua quarta travessia do Atlântico em navegação em solitário.
A Izabel espera ter uma boa performance na Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009, embora seu barco não seja tão competitivo como era de se esperar. Ele tem estabilidade para enfrentar condições de tempo adversas; e bom desempenho em longas distâncias. As condições do tempo ao longo da competição poderá favorecer a Izabel. Quanto mais fortes os ventos que enfrentar, mais chances de obter um melhor resultado, porquanto o seu barco precisa de um pouco mais de impulso para compensar o excesso de peso.
Ontem quando a Izabel se comunicava com o Brasil, estava regressando dos Correios, que fica a cerca de cinco quilômetros do porto de La Rochelle. Caminhava a pé, calçada com um par de chinelos. Era 12:50 hs local (07:50 hs de Brasília).
- Mais 4 horas e chego no porto. Não volto a me comunicar depois. Viajo em seguida. Isso significava que estaria de partida a partir das 17 hs aproximadamente.
Na sexta-feira, dia 15, comentava sobre o resultado da regata Mini Pavois:
- A regata foi ótima. Dormir aqueles dois dias no hotel (em Gijón, Espanha) valeu.
A segunda etapa, entre Gijón, Espanha, e La Rochelle (França) ocorreu sem problemas, recuperada do resfriado.
- Estava em forma. Usei o gennaker e o spi direto. O barco que na primeira bóia passou longe dos outros; à noite já alcançava a frotilha. Mantive sempre com barcos em volta. Isso é muito bom. Mostra que eu e meu barco estamos progredindo.
Comemora a classificação na Mini Pavois. São 800 milhas somadas para a qualificatória.
- Nossa, adorei essa regata! Estou muito feliz de estar aqui podendo representar o Brasil, apesar de ter o barco mais maltratado. Mas é o barco com mais milhas navegadas. Um barco com historia!
- Estou muito bem de saúde. Frisou.
Depois se despedia.
- Tenho que ir. Já passou do valor que tinha.
Essa conversa aconteceu pela Internet de uma Lan House.
A Izabel é a gata borralheira desta competição. Tem o barco mais desengonçado, dorme e se alimenta mal. Falta-lhe dinheiro para se hospedar em hotel e comer em restaurantes. Não conta com um assistente para fazer a manutenção do barco. Mas é a mais guerreira, uma mulher que carrega em suas veias o sangue verde e amarelo do Pavilhão Nacional; a bandeira rota que tremula no alto do mastro de seu patinho feio.
A Izabel é a única velejadora convidada para representar o Brasil na Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009. Um fato que se sobressai com a comemoração do Ano da França, que acontece este ano no Brasil.
Izabel finaliza a segunda etapa da Mini Pavois
Boletim n.º 23 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
La Rochelle, França, sábado, 16 de maio de 2009.
Mensagem
“Aqui em La Rochelle o vento sopra sudoeste e o frio me faz ficar mais tempo na cama. Amanhã vou à premiação da Mini Pavois prestigiar essa bela e organizada regata. Em seguida rumo para Douarnenez para a próxima regata.
Meu corpo dói, principalmente o joelho. Estou navegando desde janeiro e o barco sem pé direito (altura interior do barco), me faz ficar quase o tempo todo sentada e em terra sinto muita dor quando caminho.
A segunda perna da Mini Pavois foi muito boa para mim. Consegui somar 800 milhas de regata e assim preciso de apenas 200 milhas para assinar o passaporte de volta para casa na Minitransat 2009.
Na primeira perna tive muita febre. Assim, coloquei o gennaker e fui do início ao fim da regata sem alterar o jogo de velas. Tão logo cheguei ao porto de Gijón fui direto ao hotel e dormi dois dias seguidos. Nossa, que diferença!
Na segunda etapa estava nova. No barco tenho um solente (pequena genoa), um spi (65), um gennaker (30), as velas de tempestade e a grande. Parti com a grande e o solente. Fui a última a passar a primeira bóia e logo me afastei da frotilha. Mas em seguida subi o gennaker e passei a noite e quase o dia seguinte com as três velas. Pela manhã já estava junto com a frotilha. O vento continuava fraco. Mais uma noite e alcancei mais barcos. A tarde o vento rodou para favorável e subi o spi. Passei a noite toda de spi. O vento engrossou e algumas vezes o piloto se perdeu e meu barco quase deita. Pouco a pouco fui rizando a grande até chegar ao terceiro riso. Assim consegui manter o spi até amanhecer, quando o vento rodou e baixei o spi e coloquei o gennaker. Próximo à primeira bóia troquei o gennake pelo spi e passei a bóia com o spi; logo desci o spi e voltei ao gennaker, meia hora depois já estava de spi novamente. Pouco a pouco o vento foi engrossando. Estava a frente de alguns barcos e mantendo a posição, quando dei um bordo e estourou um moitão do spi. Caracas. O spi enrolou, baixei e segui com a grande e a genoa. O vento aumentou mais e passei a bóia só com a grande. Em seguida percebi que os barcos rumavam para outra direção diferente que a minha, fui para dentro da cabine rever a navegação. Tudo certo. Continuei minha regata. Passei muito tempo levando o leme nessa etapa, pois o piloto não gosta muito de ventos favoráveis. Eu no leme o barco anda mais, já que aproveito as ondas.
Chego em La Rochelle aproximadamente as 13 horas. Faço contato com a organização
e ninguém responde. Um barco vem ao meu encontro e me avisa que a regata tinha terminado na última bóia de Birvideaux. Nossa como não escutei isso no rádio! Naveguei mais de 100 milhas sem necessidade, uma vez que preciso ir ao norte em Douarnenez. O fato de levar o leme, me impediu de ouvir o rádio. Naveguei em um Golfo de Biscaia, duro, com ondas de 2 a 3 metros e vento forte. Não acreditei no "Mico" que passei! Aiaiaiaiaia.
A Holt Nautos já me enviou há dias ferragens novas. Esse apoio é muito importante.
O barco apesar de dias no mar também apresenta o fundo limpo graças ao apoio das Tintas Internacional.
Agradeço a todos os meus apoios e ao Governo da Bahia.
Que os bons ventos me levem de volta pra casa na Minitransat 2009.
Bel.”
Depois de completar a segunda etapa da Mini Pavois com sucesso, a Izabel partirá para mais uma regata, a Trophée Marie-Agnès Péron, fechando as mil milhas necessárias para se qualificar na Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009. Seu barco, a despeito de erro de fabricação, com excesso de peso, excedendo as especificações do projeto, tem se comportado com valentia. Depois de passada a bóia que finalizava o término da competição, a Izabel ainda seguiu em frente na direção de La Rochelle. Foi um percurso realizado durante a noite, enfrentando ventos de 40 nós e ondas de 3 metros. Por incrível que pareça, é nessas condições de tempo que a Izabel se realiza no mar. “É questão de costume!” Justifica. A ida a La Rochelle foi desnecessária, porquanto a regata Mini Pavois terminou antes, após sofrer duas reduções de percurso, em função das condições do tempo, que se agravaram no final da etapa. Afastada do rádio, quando consertava o pau de spi, não escutou o aviso de término da regata, navegando mais 100 milhas desnecessariamente.
Comparando o Petit Bateau com a maioria dos barcos que competem na Europa, o nosso produto nacional mais parece com um patinho feio. Mas o que fazer; vai-se renegar o ‘pestinha’! A Izabel já começou a gostar do seu filhinho obeso. Ele não negou fogo nem quando encostou o mastro no mar duas vezes na travessia entre os Açores e Pornichet. É valente. Só não muito competitivo numa regata onde o tempo é levado em consideração. Além dos ‘quilinhos’ a mais, as velas são bem menores do que as usadas pelos outros competidores. O piloto automático do barco da Izabel não suporta ventos fortes. Custou 800 euros, bem inferior aos dos outros barcos que custam uma média de 6 mil euros. Com todas estas deficiências o Petit Bateau dá um show de performance com vento forte e mar grosso; e é confiável em longas travessias!
Izabel tem sofrido nesta jornada na Europa. Muito frio, com resfriado que a debilitou bastante na primeira etapa da Mini Pavois, noites mal dormidas, pouquíssimas passadas em pousadas, e algumas caminhadas de cerca de cinco quilômetros à pé, até os Correios, para atender compromissos, metida num par de botas nada adequadas para este tipo de deslocamento, e os agasalhos não apropriados para a ocasião. Seu casaco de frio comprado no norte da França, antes da realização de sua travessia pioneira do Atlântico em 2006, desapareceu pouco antes de embarcar para a Europa no início deste ano. Mas está de celular novo. Comprou um, numa promoção, por trinta e quatro euros. Foi com ele que passou as notícias deste boletim.
Nada abate a Izabel. “E eu vou fazer a volta ao mundo!” Diz com toda a convicção.
Próxima Regata
Regata: Trophée Marie-Agnès Péron
Percurso: Départ et arrivée à Douarnenez
Modalidade: Solo
Distância: 220 milles
Categoria: C
Data: 4 - 7 juin 2009
Winches Club
Maison du Nautisme - Quai de l'Yser - 29100 Douarnenez
Tel : +332 98 74 38 05 - Fax : +332 98 74 38 00
Email : winches@kerys.com
(Fonte: http://www.classemini.com/attachment/119360/ ).
Izabel deixa Gijón rumo a La Rochelle
Boletim n.º 22 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Gijón, Espanha, segunda-feira, 11 de maio de 2009.
A Izabel informava pelo telefone, cerca das 06:20 hs desta manhã de segunda-feira, dia 11, que deixaria a cidade de Gijón, Espanha, a partir das 15hs (horário local) iniciando a segunda parte da regata Mini Pavois. O percurso até a cidade de La Rochelle, França, fora reduzido para 430 milhas.
- Já melhorei do resfriado. Comemorou. Comprei todos os mantimentos para a viagem. Agora vou voltar para o barco e agilizar os últimos preparativos.
Ela comentou que a travessia não seria rápida, pois a previsão da meteorologia previa poucos ventos.
- O pau de spi já foi montado. Irei usar todas as velas para ter o melhor rendimento possível. Mas o importante é chegar no tempo previsto e pontuar na regata.
NOTA
A partida aconteceu exatamente às 15:08 hs.
Acompanhe a regata através do site:
http://minipavois-2009.blogspot.com/
Rotina da Izabel na cidade espanhola de Gijón
Boletim n.º 21 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Gijón, Espanha, domingo, 10 de maio de 2009.
Mensagem da Izabel:
“A bela cidade de Gijón é muito acolhedora. Aproveitei as duas primeiras noites para repousar e recuperar um pouco.
Hoje a organização me disse que durante a primeira perna cheguei a ficar 80 milhas do primeiro colocado. A organização ficou muito preocupada, mas o vento cambiou e consegui recuperar.
A previsão para a segunda etapa é de pouco vento no início, mas muda depois, favorecendo a navegação. É bom que haja vento, pois meu barco não navega com pouco vento.
Nem sempre a vitória é chegar em primeiro.
Bons ventos.
Bel.”
NOTA:
Izabel por volta das 09:45 hs (horário de Brasília) de hoje, domingo, ligava para os familiares bastante animada. Tinha praticamente se recuperado do forte resfriado de que fora acometida no decorrer desta longa travessia de quatro meses, desde que deixou a cidade de Paraty, rumo à França. Enfrentara temperaturas baixíssimas depois que deixara os Açores e se aproximava da França. O frio abortaria o final da regata Pornichet Sélect 6.50, quando se viu obrigada a abandonar a prova a cerca de 80 milhas da linha de chegada. Nesta primeira etapa da Mini Pavois, uma gripe a surpreenderia, deixando-a ainda mais debilitada, com um pouco de febre, dores no ventre e nas costas. Se auto medicou no trajeto com antibiótico que levara em seu estojo de primeiros socorros. Ao chegar em Gijón seguiu direto para uma pousada. Dormiu bem à noite. Na manhã seguinte pediu para servir o almoço no quarto.
As duas noites de descanso e uma boa alimentação, a colocou de pé.
- Estou agora praticamente boa do resfriado. Acabei de dar uma limpeza geral no barco. Lavei as minhas roupas e estou pronta para a segunda etapa da Mini Pavois.
A mordomia do sono tranqüilo realizado numa pousada se resumiu apenas a duas noites. “O dinheiro está acabando”, confessou. A rotina de dormir no barco será reiniciada esta noite.
- Fiz a navegação hoje e a previsão do tempo indica pouco vento no início da regata, melhorando progressivamente depois. Estou bastante otimista nesta segunda etapa. Garanto que desta vez não chegarei em último lugar.
Ela descreve como transcorreu a regata.
- Fiz uma boa largada, ficando na frente de alguns concorrentes; mas de última hora houve uns avisos no alto falante e me confundi com a sinalização das bóias, refazendo o itinerário, o que me tirou da oitava colocação, para a décima sexta posição. Depois fui perdendo posição com o vento que batia fraco, até ficar em penúltimo lugar. O meu barco só anda com muito vento. O resfriado me obrigaria a seguir a entrar na cabine. Procurei tirar um cochilo e dormi algumas horas. Quando vi já estava em último lugar, sendo ultrapassada por uma garota que vinha atrás de mim. O vento melhoraria depois e pude desenvolver mais, cruzando a linha de chegada 10 hs antes do encerramento da prova.
A segunda etapa da Mini Pavois começa às 15 horas (horário local) desta segunda-feira, dia 11, e termina no dia 17.
Izabel fecha a primeira etapa da Mini Pavois
Boletim n.º 20 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Gijón, Espanha, sábado, 09 de maio de 2009.
Izabel Pimentel com o barco Petit Bateau cruzou a linha de chegada na metade da noite de sexta-feira (madrugada de sábado na Espanha), encerrando a primeira etapa da regata Mini Pavois. Os 52 participantes concluíram com êxito a etapa. Izabel chegou em último lugar, mas com a margem de segurança de 10 horas, antes do prazo para a finalização da competição. A segunda etapa terá início às 15 hs do dia 11, segunda-feira.
O barco da Izabel é muito pesado, desenvolve bem com ventos fortes, tanto que quando houve ventos favoráveis, o desempenho aconteceu dentro das expectativas, o que não ocorria com pouco vento, reduzindo consideravelmente o rendimento. Comparado com os demais barcos que estão na competição, o Petit Bateau lembra a ‘carroça’ citada pelo ex-presidente Fernando Color de Melo, aludindo às deficiências dos carros nacionais. Na última vistoria uma das inspetoras fez cara feia olhando para o barco. Izabel retrucou: “Isso é o Brasil!”
Com exceção do casco, todos os componentes do barco foram substituídos. As velas são pequenas diante das dimensões das velas vistas nos outros barcos. O pau de spi é quase a metade do tamanho dos demais. Isso significa incompetência dos construtores do Petit Bateau, que não souberam seguir o projeto que deu origem à construção do barco. É aquela história: no Brasil se quer levar vantagem em tudo. “É a lei de Gerson”. Eu digo e assino embaixo: Com o dinheiro que a Izabel pagou para construir o seu barco fizeram dois, o similar foi abandonado na primeira prova que participou em 2006, na França, entrando água pelos quatro cantos.
Quando a Izabel fez o teste com o Petit Bateau levando-o até a Ilha da Trindade, o mastro dobrou ao meio. Depois seria substituído por um de carbono. O próprio construtor do mastro, que terceirizou o trabalho, confessou que a estrutura do mastro não suportaria a força dos ventos a que seria submetido, mas fora aconselhado a prosseguir na feitura do mastro. Numa competição qualificatória na França, em 2006, as caixas das duas bolinas estouraram, inundando o barco. A Izabel mesmo assim seguiu a viagem até o final da primeira etapa e completaria o percurso com o problema não totalmente resolvido.
Nesta competição e na próxima que a qualificará para a Mini-Transat 2009, a Izabel vai manter as atuais velas, em grande parte remendadas, o que não lhe permite forçar o barco, sob pena de ficar no caminho. Em setembro espera trocá-las por outras novas, e, se possível, de maiores dimensões.
Ontem após a chegada em Gijón, no norte da Espanha, nas águas do Golfo de Biscaia, a Izabel pediu para alojá-la numa pousada. Estava debilitada. Passará duas noites distantes do desconforto do barco. Hoje, pela manhã, quando ligou para os familiares disse que pedira para levar o almoço no quarto. Vai tentar recuperar um pouco as suas energias.
A Izabel tem um dom que a faz superar todos obstáculos. Age com a alma e o coração. Sua força é a determinação. Mesmo que lhe faltem forças físicas, ela não desiste nunca. E cruzará a linha de chegada em Salvador, na regata Mini-Transat 2009, nem que venha transportada num caixão. Ela tem essa dívida com a Bahia!
Izabel na Mini Pavois - 2009
Boletim n.º 19 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
La Rochelle, França, quarta-feira, 06 de maio de 2009.
Regata: ‘Mini Pavois’
Percurso: La Rochelle - Gijón – La Rochelle (França – Espanha – França).
Tipo: Solo.
Distância: 800 milles.
Categoria: B (Protos).
Largada prevista: 13 hs (09 hs em Brasília).
Data: 6 - 17 mai 2009 (12 dias).
Izabel largou esta tarde às 15:14 hs (11:14 hs em Brasília) do porto de La Rochelle. A largada atrasou 02:14 hs em função do pouco vento e força 1 à 2 apenas. Ela inicia a sua segunda participação numa regata qualificatória, que a habilitará participar da Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009. Trata-se da regata ‘Mini Pavois’ que tem um percurso de 800 milhas em navegação solo. A largada compreende o trajeto La Rochelle, passa por Gijón, no norte da Espanha, e regressa a La Rochelle. São 12 dias navegando nas águas do Golfo de Biscaia. O trajeto de ida é em linha reta. O regresso é contemplado com uma série de obstáculos, como contornar bóias, que vão dificultando a jornada. A regata é monitorada em tempo real e acompanhada pelo site dos organizadores. Veja o site: http://minipavois-2009.blogspot.com/
Domingo a Izabel comentava sobre a sua chegada em La Rochelle, depois de uma passagem não bem sucedida em Pornichet.
- Sai na quinta (30 de abril) às 20 hs e cheguei em La Rochelle às 15 (sábado). Aproveitei o vento que estava bom para treinar um pouco. Não fui direto.
Em seguida falava sobre o ambiente em La Rochelle e as condições do tempo.
- Aqui outro astral. Sol, calor. Nossa, que bom. Não agüentava mais o frio.
À noite, no barco, o clima voltaria a ser tão frio quanto fora em Pornichet.
A baixa temperatura tinha feito a Izabel abandonar a regata Pornichet Sélect 6.50, quando faltava 80 milhas para terminar. Frio e esgotamento físico. Depois reconhecia que se tivesse dado uma parada e dormido um pouco, conseguiria finalizar a regata.
- Contratei um cara para me ajudar. Não tava conseguindo arrumar o barco sozinha. Ele também arrumou o problema da balsa e agora a tarde vai arrumar um problema no mastro, lá em cima.
Escalar o mastro não faz parte da praia da Izabel.
Comenta sobre sua situação frente às múltiplas exigências da Classe Mini, que faz uma vistoria rigorosa, visando a segurança dos competidores.
- Tenho duas regatas; e to liberada. Agora concentração total.
Fala da disputa por uma vaga na competição da Mini-Transat 2009.
- Esse ano tem muitos estrangeiros na regata. Preciso me qualificar nessas duas regatas.
Além da Mini Pavois, a Izabel ainda participará de mais uma regata qualificatória.
- Confio em seu talento. Falo para a Izabel.
- Amanhã ligo.
Em La Rochelle a Izabel só dormiu bem uma noite, hospedando-se em uma pousada. Aconteceu, ontem, na véspera da largada da Mini Pavois. O frio e os desgastes físico e emocional têm deixado a Izabel bem abatida. A maioria dos competidores alugam quartos em pousadas para passar as noites e contam com ajudantes para agilizar os problemas do barco.
- Perdi bastante peso.
As dificuldades e contratempos que têm ocorrido com a Izabel daria para escrever um romance.
Mas não foram só os problemas ligados ao barco e à navegação. “Estas são coisas do ofício!”. Justifica. “No mar os problemas são enfrentados e vencidos!” Como diz: “O mar é a nossa estrada!”
- Vamos conseguir! Promete sobre a sua participação na Mini-Transat 2009.
Fala sobre seu próximo projeto. Será a história de ter que enfrentar todos os tipos de dificuldades e preconceitos para conseguir realizar um sonho. Violências. Decepções. Alegrias. Amores. E a vitória, sofrida, mas que faz parte de sua luta! Ser uma vencedora, sempre!
- Vou escrever um livro sobre tudo isso. Promete.
O livro já tem roteiro e título.
- Vou me isolar 2 meses e escrever.
Izabel deixa Pornichet rumo a La Rochelle
Boletim n.º 18 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, RJ, quinta-feira, 30 de abril de 2009.
Depois de 12 dias de estada na cidade de Pornichet, incluindo o curto período em que participou da regata Pornichet Sélect 6.50, Izabel tomou o rumo da cidade de La Rochelle. Ela deixou o porto de Pornichet no início desta noite de quinta-feira, dia 30 de abril. O percurso entre Pornichet e La Rochelle é estimado em cerca de 93 mn (171 Km).
Sua estada no primeiro porto da França depois de chegar do Arquipélago dos Açores foi de muito trabalho e quase nenhum descanso. Dois dias apenas hospedada em uma pousada. No regresso da Pornichet Sélect 6.50, esgotada fisicamente, e com o corpo completamente molhado, tendo passado dois dias praticamente colada ao leme do barco, exposta ao tempo, enfrentando uma temperatura próxima de zero grau, quase entrou em estado de hipotermia, daí não ter concluído a regata, cuja linha de chegada estava a cerca de 80 mn. Em terra sua primeira providência foi procurar um chuveiro de água bem quente (uma hora debaixo do chuveiro). Voltou para o barco onde terminou a noite dormindo na sua acomodação costumeira. Na noite seguinte um casal de velejadores holandeses, que também participava da regata, a convidou para dormir em seu apartamento. A Izabel não se fez de rogada e conseguiu passar a noite protegida do frio, emendando o sono até a tarde do dia seguinte.
Ontem, quarta-feira, trocou os parafusos dos lemes. A vela que fora consertada respondeu bem ao teste na Pornichet Sélect 6.50, e só será substituída por uma nova em setembro quando participará da Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009. O piloto automático fora substituído antes da regata. O motor de popa entrou em pane mais uma vez e está indisponibilizado até que seja consertado. A impossibilidade de usá-lo retardou a sua saída de Pornichet, ficando dependente do pessoal do porto que dá cobertura aos velejadores. Em La Rochelle já poderá contar com o auxílio de um computador que será emprestado por um amigo. Este instrumento é o veículo de contato com o mundo, inclusive informando as condições do tempo on-line.
A próxima regata qualificatória deverá ser a ‘Mini Pavois’, cujo percurso compreende saída de La Rochelle, passagem por Gijón, na Espanha, e retorno a La Rochelle. Serão 800 milhas de percurso, em navegação solo. Vai durar 12 dias, de 6 a 17 de maio.
As pessoas que acompanharam a travessia pela OnixSat Telecom, desde a cidade de Paraty, Rio de Janeiro, até a chegada ao porto de Pornichet, na França, não poderão mais conferir os passos da Izabel na Europa, e durante a regata Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia. A Classe Mini não permite este tipo de acompanhamento. As informação serão fornecidas pelos sites de cada organização das regatas. No caso da ‘Mini Pavois’ o acompanhamento será através do site: < http://minipavois-2009.blogspot.com/ >
Durante a realização da Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia o acompanhamento será feito através de rastreadores da Grand Pavois Organisation. Equipamento testado durante a travessia da Izabel entre Salvador e Pornichet.
A Izabel Pimentel continuará contando com o prestígio da OnixSat Telecom toda vez que participar de outros eventos, inclusive de sua volta ao mundo que acontecerá em breve.
Término da regata Pornichet Sélect 6,50 2009
Boletim n.º 17 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, RJ, quinta-feira, 30 de abril de 2009.
A 9.a edição do Pornichet Sélect 6.50, organizado pelo CNBPP com o concurso da cidade de Pornichet, terminou com a chegada do último concorrente, o alemão Norbert MAIBAUM (338) que cruzou a linha de chegada às 09:38 da manhã do dia 28 de abril.
Com 24 abandonos e 40 chegadas, a regata Pornichet Sélect 6.50 consagra-se como uma das corridas mais duras da estação. As 24 primeiras horas desenrolaram-se sem demasiada preocupação, graças às condições favoráveis do tempo. Um vento meio de Noroeste permitiu a frota deslizar rapidamente em direção ao Port-Bourgenay. Em contrapartida, caminhando na direção da ilha Groix, foi mais que uma prova, em especial para a segunda parte da frota que foi obrigada a tirar bordos com 30 nós de vento. A corrida terminou com uma bonita descida, empurrada por uma longa ondulação.
Nestas estas condições, um dos melhores tempos da Pornichet Sélect 6.50 foi estabelecido por Thomas RUYANT com o barco Faber a França (667), terminando as 300 milhas da corrida em 1 dia 23:05 min, após ter mantido a liderança de ponta a ponta. Henry-Paul SCHIPMAN, com o barco Maisons de l'avenir – Urbatis (716), e Oliveira AVRAM, com o barco Cap Monde (618), completaram o podium em proto.
Na classificação das embarcações de série, Xavier MACAIRE, com o barco Masoco Bay (472), chegou em primeiro lugar com 2 dias 04:13 min de corrida, 2 minutos à frente do italiano Riccardo APOLLONI, barco Ma vie pour maipei (426), seguido por Amaury FRANÇOIS, barco Groupe qualitel (697).
A proclamação dos resultados ocorreu no porto de Pornichet, quarta-feira, dia 29 de Abril, às 12:00 hs.
CLASSEMENT GENERAL PROTO
1.º - Thomas Thomas, barco nr 667 (Faber France).
2.º - Henry-Paul SCHIPMAN, barco nr 716 (Maisons de l'avenir – Urbatis).
3.º - Olivier AVRAM, barco nr 618 (Cap Monde).
Obs.: 10 desistências, incluindo o barco da Izabel Pimentel.
CLASSEMENT GENERAL SERIE
1.º - Xavier MACAIRE, barco nr 472 (Masoco Bay).
2.º - Riccardo APOLLONI, barco nr 426 (Ma vie pour maipei).
3.º - Amaury FRANÇOIS, barco nr 697(Groupe qualitel).
Obs.: 14 desistências.
(Fonte: Classe Mini - http://www.classemini.com/).
Informativo Classe Mini
Calendrier Atlantique 2009
Regatta: ‘Pornichet Sélect 6,50’
Percurso: Départ et arrivée à Pornichet
Tipo: Solo
Distância: 300 milles
Categoria: C
Data: 25 - 28 avril 2009 (4 dias)
Performance da Izabel: Abandonou a prova faltando 80 mn para finalizá-la.
(Site: http://www.select650.canalblog.com/ ).
Regata: ‘Mini Pavois’
Percurso: La Rochelle - Gijón – La Rochelle (França – Espanha – França).
Tipo: Solo
Distância: 800 milles
Categoria: B
Data: 6 - 17 mai 2009 (12 dias)
Regata: ‘Transat 6,50 Charente Maritime-Bahia’
Percurso: La Rochelle - Madère - Salvador de Bahia (França – Portugal – Brasil).
Tipo: Solo
Distância: 4200 milles
Categoria: A
Data: 13 septembre – 21 octobre 2009 (39 dias)
Sobre as regatas ‘Mini Pavois’ e ‘Transat 6,50 Charente Maritime-Bahia’
Grand Pavois Organisation
Avenue du Lazaret - Port des Minimes
17042 La Rochelle Cedex 1
Tel : +335 46 44 46 39
Email: imagois@grand-pavois.com
http://www.classemini.com/attachment/119360/
(Fonte: Classe Mini - http://www.classemini.com/ ).
Frio e esgotamento físico tiram a Izabel da Regata Pornichet Sélect 6.50
Boletim n.º 16 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, RJ, segunda-feira, 27 de abril de 2009.
Nesta segunda-feira, dia 27, por volta das 22:10 hs (correspondente às 03:10 hs do dia 28, em Pornichet, França) a Izabel ligava informando que interrompera a sua participação na Regata Pornichet Sélect 6.50, em função do desgaste físico em que se encontrava. Faltavam 80 mn da linha de chegada. A regata cujo percurso é de 300 mn teve início na tarde de sábado. No momento em que a equipe de segurança, que conduzia os participantes para a linha de largada fora do porto de Pornichet, a Izabel ainda finalizava uns retoques na fixação da barra do leme. Um barco colidiu com o Petit Bateau, sem causar danos consideráveis. Dois outros barcos colidiram antes da largada, abandonando a prova. O percurso da regata é muito cheio de ilhas e bóias, que devem ser contornadas a cada instante. O mar estava muito forte, com ondas altíssimas, e uma temperatura próxima de zero grau. Um total de 15 barcos não concluíram o percurso, sem contar com 7 que não chegaram a largar.
O cansaço físico da Izabel era conseqüência de duas noites sem dormir, desde que iniciara a regata, fora os dias que estivera no Porto de Pornichet procedente do Arquipélago dos Açores. Nesse período só dormira tranqüilamente duas noites, hospedada em uma pousada.
Ontem a Izabel andara muito pouco, cerca de 30 mn durante todo o dia. Estava exausta, pois além das noites insones, fora obrigada a se manter fora da cabine, conduzindo o leme, porquanto a barra do leme interferia no piloto automático. Tivera dois dias de muita chuva e frio intenso, exposta no tempo, mantendo o rumo do barco. Em terra a sua primeira providencia foi tomar um banho, que demorou cerca de uma hora debaixo de uma ducha de água bem quente. Na ocasião do banho percebeu que vestia oito blusas, além do casaco de frio; e três calças compridas. Fizera um lanche rápido, bem modesto, porquanto o estômago não está aceitando grandes volumes de alimentos. Todos esses dias desde que saiu de Paraty, alimentando-se mal, o estômago reduziu de tamanho. A longa permanência no mar atuou como um SPA.
Izabel espera seguir ao meio dia de amanhã, quarta-feira, dia 29, diretamente para o porto de La Rochelle. Uma jornada de 93 mn (171 Km). Em La Rochelle vai ver quais regatas tomará parte para cumprir as milhas necessárias para garantir a participação na Mini-Transat 2009, que ocorre em setembro. Na inspeção do barco teve muita despesa com troca de peças para se adequar às normas da regata. E muito dinheiro ainda vai ter que desembolsar, a começar com a troca de velas que estão gastas devido à longa travessia de mais de 6.000 milhas náuticas entre o Brasil e a França.
Início da Regata Pornichet Sélect 6.50
Boletim n.º 15 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Porto de Pornichet, França, sábado, 25 de abril de 2009.
Izabel inicia hoje, sábado, dia 25, a fase qualificatória da Mini-Transat 2009. Escolheu a 9.ª edição do Pornichet Sélect 6.50, para começar a pontuar as milhas necessárias a se habilitar à Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009. A largada está prevista para as 13 hs. É uma regata que inicia e termina no porto de Pornichet, no golfo de Biscaia. A partida dada tradicionalmente na baía de Pornichet, segue em direção de Belle-Ile, prossegue no rumo do Port-Bourgenay, passa pela ilha de Groix e fecha o circuito na baía de Pornichet. Espera-se que já na parte da manhã de segunda-feira, dia 27, os primeiros colocados apontem na reta final. São 71 nomes inscritos, 7 mulheres e 64 homens, representando 13 nacionalidades: belga, escocesa, espanhola, americana, brasileira, neozelandesa, alemã, inglesa, italiana, holandesa, norueguesa, australiana e francesa.
Desde que atracou o Petit Bateau no porto de Pornichet, dia 18, vinda do Arquipélago dos Açores, a Izabel, praticamente, não teve descanso. Dormiu apenas duas noites num hotel. O barco tem funcionado como abrigo. Foi uma semana de inspeção do barco, com troca de peças, reforma de vela, compras de um novo piloto automático e do cinto de segurança; substituição dos parafusos dos lemes e limpeza das catracas, operações mecânicas que ela mesma executou.
“O corpo está em frangalhos”, confessou. Ontem fez dois contatos telefônicos para o Brasil. No primeiro dizia que estava providenciando uma faxina geral no barco. Fora dormir às duas horas da madrugada, depois de dar um tempo na operação barco, e sair em busca de comida, desde que à meia noite não havia mais nada aberto no porto. Longe, num bar de um posto de gasolina, conseguira atenuar a fome, comprando um sanduíche. Mas o pior era suportar a temperatura baixa. Por volta das 17:50 hs (horário de Brasília), fazia a segunda ligação telefônica. Dizia que estava tremendo de frio no orelhão público, onde telefonava. Só se afastara do barco para dar as duas telefonemas. Não tivera tempo de procurar um computador para acessar a Internet. Encontrava-se sem o seu note-book que se danificara na costa do Espírito Santo, em sua primeira etapa da travessia Paraty ao porto de Pornichet.
Após a regata Pornichet Sélect 6.50, enfrentará mais 93 mn (171 Km) de mar, até alcançar Charente-Maritime, La Rochelle, onde realizará a sua segunda regata qualificatória.
Regata Pornichet Sélect 6.50
Boletim n.º 14 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Porto de Pornichet, França, terça-feira, 21 de abril de 2009.
Dia 25, sábado, a Izabel tomará parte na sua primeira regata qualificatória para se habilitar à Mini-Transat 2009. Participará da 9.ª edição do Pornichet Sélect 6.50 O evento acontecerá na baía de Pornichet, no Golfo de Biscaia, ao sudoeste da França. A largada está prevista para as 13 horas e os primeiros colocados são esperados a partir da segunda-feira, dia 27, pela manhã. Na quarta-feira, dia 29, às 12:00 horas, será feita a proclamação dos resultados.
BOLETIM DA 9.ª EDIÇÃO DO PORNICHET SÉLECT 6.50
9.ª edição do Pornichet Sélect 6.50
Celebra-se este ano a 9.a edição do Pornichet Sélect 6.50. Esta regata abre a estação das corridas qualificatórias do circuito mini do Atlântico. É, por conseguinte, a ocasião para os novos se ajustarem aos números do circuito. A partida é dada tradicionalmente na baía de Pornichet: seguem-se as primeiras milhas, mais táctica, em direção de Belle-Ile, dando seguimento a uma longa descida para o Port-Bourgenay. O cansaço começa a aparecer quando se aproxima da ilha de Groix. É necessário, então, maior atenção para se manter lúcido, e chegar nas melhores condições na reta final e cruzar com sucesso a linha de chegada na baía de Pornichet. A corrida reflete bem o tom da estação. Os melhores subirão ao pódio...
71 inscritos
Com a inscrição de último minuto de Alexandre Scrizzi, chega-se a 71 o número de inscritos na regata Pornichet Sélect 6.50. Com 7 mulheres e 64 homens, não menos de 13 nacionalidades se farão representar na regata. São de nacionalidades belga, escocesa, espanhola, americana, brasileira, neozelandesa, alemã, inglesa, italiana, holandesa, norueguesa, australiana e francesa. Pode-se dizer que os skippers vêm dos 4 cantos do mundo: Antoine Rioux (736) construiu o seu proto em Nova Caledónia, trazendo-o transportado num cargueiro; enquanto a brasileira Izabel Pimentel terminou sábado a sua travessia do Atlântico, vinda de Salvador, Bahia. Estarão os 71 navegadores presentes, no sábado, dia 25, na linha de partida! Antes as embarcações, confirmadas as inscrições, se submeterão ao controle de segurança que começa a partir de quarta-feira, dia 22, e vai até sexta-feira, dia 24 de Abril.
Programação da regata Pornichet Sélect 6.50
Sábado, 18 de Abril de 2009
10:00: Abertura do PC Corrida - Port de Pornichet.
Quarta-feira, 22 de Abril à Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
09:00 à 18:00: Acolhimento - Confirmação das inscrições, controla material de segurança ao PC Corrida.
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
20:00: Refeição das tripulações.
Sábado, 25 de Abril de 2009
08:00: Petit-déjeuner dos skippers - Restaurante sobre o porto de Pornichet. 08:15: Instruções - Restaurante sobre o porto de Pornichet.
13:00: Largada da regata Pornichet Sélect 6.50 na baía de Pornichet.
Quarta-feira 29 de Abril de 2009
12:00: Proclamação dos resultados.
Os primeiros são esperados a partir da segunda-feira, dia 27, pela manhã, dependendo das condições meteorológicas.
(Fonte: http://www.select650.canalblog.com/).
(Topo)
TRAVESSIA AÇORES, PT, AO PORTO DE PORNICHET, FR
Mensagen da Izabel
Boletim n.º 13 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Porto de Pornichet, França, domingo, 19 de abril de 2009.
"Estou entre três ilhas dos Açores, Graciosa, São Jorge e Terceira. Não há vento. Aproveito para me deitar. O barco sem velas, à deriva. Petit Bateau à deriva no meio do Atlântico!
Um leve sorriso. Esse vai a Horta. Horta é um lugar mágico, especial. É emoção.
Mais um sorriso. Esse vai para a tarde que passei pintando o chão de Horta, com as crianças.
Mais um sorriso. Esse vai para a vida, que me permite viver o que tenho vivido.
A viagem dos Açores à Franca foi com muitos ventos, ondas e muito, muito frio.
Meu barco por duas vezes deitou. Senti medo.
Foi uma viagem dura.
O frio é algo realmente insuportável. Em muitos momentos aquecia o barco e a mim, com uma panela, algodão, álcool e fogo.
Os pés sempre frios. Nada os aqueciam. Às vezes esquentava água e com um balde tentava aquecê-los. Mas um vento, um ferragem que solta, uma mudança qualquer me faziam sair do barco, às pressas; e lá eu voltava de novo, às vezes toda molhada, para dentro do barco. E meus pés novamente frios.
Cheguei. Mais de 6000 milhas. Petit Bateau tem mais de 17 mil milhas solo comigo, em dois anos.
E outro sorriso. Esse vou dividi-lo entre eu e meu barco. Hoje nos merecemos.
Não fui para La Rochelle como combinado na partida, pois a minha primeira regata qualificatória ocorre dia 25 aqui em Pornichet. Por isso tive que mudar no caminho.
Bel.”
Um pouco da travessia
Izabel ligou esta manhã de domingo, dia 19 de abril, para os seus familiares. Era 05:50 hs, horário de Brasília.
Ela falou do frio na viagem dos Açores à França. Do sufoco passado quando por duas vezes o barco virou. “Se fosse um barco de ‘série’ teria capotado e ficado de cabeça para baixo!” Descansara pouco. Conseguira um hotel barato para passar pelo menos duas noites agasalhada. Sessenta Euros a diária. “Aqui tudo é mais caro. Uma simples garrafa de água mineral custa um absurdo!”
Dia 25 próximo a Izabel participará de sua primeira regata qualificatória. Partirá de Pornichet, daí a razão da escolha em desembarcar neste porto, e não em La Rochelle como havia previsto anteriormente. Espera que no dia 20 de maio já esteja com as regatas cumpridas, podendo voltar ao Brasil, para em setembro regressar à Europa e participar da Mini-Transat 2009.
Comentou sobre a situação do barco. Chegara na França com a vela maior bem danificada. Tivera de mandar fazer uma costura geral, pagando 700 Euros. Não há tempo para adquirir uma nova. O piloto automático está necessitado de reparo. Sofreu com ele na viagem. Mas já providenciou a aquisição de um novo que deve chegar amanhã, segunda-feira. Os equipamentos são alimentados através de um painel solar presenteado pela Marina Porto Imperial, seu ponto de apoio em Paraty. O gerador apresentara problema e será consertado em La Rochelle. A travessia arquipélago dos Açores ao porto de Pornichet foi orientada pelo sextante. “Uma loucura segurar o instrumento com o balanço do barco”. Estava se sentindo uma vitoriosa com as mais de 6.000 milhas náuticas realizadas desde que saíra de Paraty. Três meses e sete dias de viagem e teria demorado um pouco mais se seguisse na direção do Caribe, fugindo dos ventos contrários.
Um pouco antes de sua chegada, uma turbulência de ventos alcançou a rota que leva aos Açores. Ventos com mais de cem nós de velocidade. Na véspera ocorrera até um tremor de terra na ilha Faial, seu porto de desembarque nos Açores. Mas só levou saudades da ilha Faial, da vila da Horta, da Horta Marina, e das crianças que com ela pintaram o chão com as cores da Bandeira Nacional brasileira, marcando a passagem do Petit Bateau pelo pedaço de terra portuguesa plantado em alto mar. E para finalizar, nada mais emocionante do que ter sido entrevistada pela Rádio Antena 9, sob os acordes do Hino Nacional, executados por um violonista. O entrevistador foi o diretor do programa “POR TODO O MUNDO - NA ROTA DOS AVENTUREIROS", jornalista Luiz Prieto.
Izabel concluiu nesta manhã de sábado a travessia Paraty, RJ – Pornichet, FR
Boletim n.º 12 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
ETAPA ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES, PT, AO PORTO DE PORNICHET, FR
Rio de Janeiro, sábado, 18 de abril de 2009.
Port de Pornichet, Golfo de Biscaia, costa sudoeste da França.
Lat.:......47º 15’ 27,51” N
Long.:...02º 21’ 01,50” W
Em sua terceira travessia do Atlântico, em navegação em solitário com um mini-transat de 6,5 m (28 pés), a Izabel alcançou a costa sudoeste da França nesta manhã de sábado, dia 18 de abril, atracando no porto de Pornichet, a cerca de 93 mn (171 Km) de Charente-Maritime, La Rochelle, local de partida da regata Mini-Transat 2009. A competição acontecerá em setembro. Diversas regatas qualificatórias fazem parte do calendário dos que se habilitam tomar parte na Mini-Transat 2009. Cada competidor se instala no ponto que melhor atende aos seus interesses, de acordo com as regatas escolhidas para cumprir a agenda da competição. Nos próximos dez dias a Izabel estará participando de sua primeira regata qualificatória, na categoria em solitário.
O desembarque no porto de Pornichet aconteceu por volta das 7 horas de Brasília. Às 6 hs e 45 min os rastreadores de satélite da OnixSat Telecom indicavam que ela ainda estava navegando, desenvolvendo 4,32 nós de velocidade. Horas depois ela se comunicava com o Brasil e confirmava a sua chegada na França. Estava feliz pelo êxito de sua viagem. Mas não se preocupara em descansar, sua meta era consertar as velas, deixando o barco pronto para a próxima incursão ao mar. Sem saber a data de hoje, estava preocupada com a primeira regata qualificatória que imaginava fosse acontecer amanhã. Estava descompassada com o tempo. “Descansar só após o cumprimento de minhas obrigações!”, fez questão de dizer.
A travessia iniciada na cidade de Paraty, RJ, no dia 11 de janeiro, teve a duração de 3 meses e 7 dias (97 dias: 62 navegando e 35 atracada, sendo 4 dias em Itaipava, ES, 25 em Salvador,BA, e 6 nos no Arquipélago dos Açores, PT). Um percurso de cerca de 6.252 mn (11.578 Km).
A viagem transcorreu dentro da normalidade, com pequenas avarias próprias de uma grande travessia. No litoral do Espírito Santo, em frente ao município de Itapemirim, ocorreu a avaria menos desejada, que foi a quebra da caixa da quilha, provocando a inundação do barco, com perda de mantimentos, roupas e o computador. O conserto foi realizado com o barco dentro d’água na vila de Itaipava, numa colônia de pescadores. Quatro dias depois a Izabel prosseguia a viagem até Salvador. Lá permaneceria 25 dias com o barco em manutenção e pintura, incluindo a troca das bolinas. A rota seguida na direção dos Açores contemplou todo o litoral Norte, até o extremo do Amapá, quando desviou o barco para o Leste.
“- Escolhi ir a oeste, pois o vento e as condições não eram favoráveis para leste”, explicaria depois a Izabel.
Mais um mês e 5 dias e Izabel alcançaria a ilha Faial, no Arquipélago dos Açores, unidade pertencente a Portugal. O barco ficou ancorado na Horta Marina. Seis dias de permanência na ilha, com reparo numa das velas, conserto do piloto automático e compra de mantimentos.
“- Comprei tudo de salvatagem pra mini”, avisou.
Na segunda-feira, dia 6 de abril, ainda de madrugada, entre 3 e 4 horas, zarpava rumo à França.
Agora, na França, sua primeira preocupação foi tratar de consertar as velas. E também tem os lemes para uma revisão. Participará de várias regatas, todas qualificatórias, na categoria solitário, visando participar da regata Mini-Transat 2009. Depois é voltar para Brasil, qualificada, descansar e regressar para participar da grande final em setembro. A Mini-Transat terá início em Charente-Maritime, La Rochelle, e finalizará em Salvador, BA.
A regata Mini-Transat 2009 se constituirá em sua quarta travessia do Atlântico.
Em sua primeira travessia do Atlântico passou pela prova de fogo ao cruzar o Golfo de Biscaia, conhecido pelo mar bravio e o tráfego intenso de embarcações de grande porte. Enfrentara as suas águas quando descia do Canal da Mancha, norte da França, onde adquirira o seu primeiro mini-transat, o ‘Vanguard 1’; e seguia em direção à Lisboa; ponto de partida oficial de sua travessia pioneira do Atlântico. Uma travessia problemática porquanto perdeu os lemes, no meio do oceano, ainda antes de cruzar a Linha do Equador, o que dificultou bastante a sua chegada ao Brasil. Voltou a ter outros problemas ao chegar em terra e trocar os lemes novos e uma vela que foram enviados do Rio de Janeiro para Fortaleza, fora das especificações técnicas. A tensão só melhorou quando, dando seguimento à viagem, encontrou apoio em uma plataforma de petróleo da Petrobrás. Aí foi uma festa, sendo bem recebida, assistida na manutenção do barco; e melhor: fazendo grandes amigos. A segunda travessia foi um passeio. Saiu de Sète, na França, Mar Mediterrâneo, passou pelo estreito de Gibraltar, fez uma parada nas Canárias, e, pela segunda vez, esteve no Arquipélago de Cabo Verde. A seguir realizaria o seu sonho, aportando no Arquipélago Fernando de Noronha.
Finalizou sua terceira travessia do Atlântico. O trecho mais difícil dessa travessia talvez tenha sido navegar no Golfo de Biscaia. Observando o seu trajeto percebe-se que ela evitou navegar na rota dos grandes navios que cruzam o golfo, quer no trajeto dos portos franceses e espanhóis, quer das embarcações que transitam na rota da Inglaterra e países nórdicos, sem contar o tráfego do porto de Le Havre, no norte da França. Ela optou pela costa norte do golfo, embora correndo o risco de ser fisgada por alguma rede de pesca, sua velha anfitriã de encontros no mar. A Izabel se sente mais segura quando está navegando em alto mar; dá até para ‘relaxar’ e ouvir uma música da banda U2, como o fez quando se viu perdida em pleno meio do oceano, ao quebraram-se os dois lemes do barco na travessia pioneira de 2006.
Sua passagem pelo porto de La Rochelle acontecerá nos próximos dias, quando marcará presença numa das regatas qualificatórias. Na ocasião será recepcionada por duas majestosas torres construídas na Idade Média; a Tour Saint Nicolas e Tour de la Chaine. A Tour Saint Nicolas, a mais antiga, teve sua construção iniciada em 1345; ambas transformadas em fortalezas militares para proteger o porto de La Rochelle.
Agora, ainda sob o efeito da mareagem própria de quem levou muito tempo no balanço das ondas do mar, é pegar uma calculadora e ver que somando os percursos das três travessias do Atlântico e mais a distância a ser feita com a Mini-Transat 2009, chegará perto de uma volta ao mundo. Mas a travessia de seus sonhos será realizada sem paradas; também em solitário, num veleiro bem mais robusto e maior (40 pés), diferente de seu minúsculo e desconfortável Petit Bateau. “Desconfortável, mais valente!”, faz questão de elogiar.
RESUMO DA TRAVESSIA PARATY, RJ, AO PORTO DE PORNICHET, FR
PRIMEIRA ETAPA
Marina Porto Imperial, Paraty,RJ – Itaipava, ES
S/ 11/01/2009 – 16:44 hs.
C/ 19/01/2009
Duração do percurso: 8 dias (11 à 19).
Permanência em Itaipava: 4 dias (19 à 23).
Itaipava, ES – Bahia Marina, Salvador, BA
S/ 23/01/2009 – 16:00 hs.
C/ 29/01/2009 – 15:00 hs.
Duração do percurso: 6 dias.
Permanência em Salvador: 25 dias (29/01 à 23/02).
Obs.:
- Duração do percurso entre Paraty e Salvador: 18 dias (4 dias de permanência em Itaipava).
SEGUNDA ETAPA
Bahia Marina, Salvador, BA – Horta Marina, Ilha Faial, Arquipélago dos Açores, PT
S/ 23/02/2009 – 14:25 hs.
C/ 31/03/2009 – 07:40 hs.
Duração do percurso: 1 mês e 5 dias (36 dias).
Permanência nos Açores: 6 dias (31/03 à 6/4).
TERCEIRA ETAPA
Horta Marina, Ilha Faial, Açores, PT – Porto de Pornichet, FR
S/ 06/04/2009 – 03:30hs.
C/ 18/04/2009 – Manhã de sábado, dia 18 de abril de 2009.
Duração do percurso: 12 dias.
Distância percorrida: 1.318 mn (2.440 Km).
A viagem em números
- Saída de Paraty: 11/01/2009.
- Chegada ao Porto de Pornichet: 18/04/2009.
- A travessia completa entre Paraty e Porto de Pornichet durou 3 meses e 7 dias (97 dias); assim distribuídos:
(a) 62 dias navegando;
(b) 35 parada, sendo 4 dias em Itaipava, 25 em Salvador e 6 nos Açores.
- Distância percorrida entre Paraty e Porto de Pornichet: 6.252 mn (11.578 km).
Obs.: A travessia pode ser acompanhada via Internet pela OnixSat Telecom, que fornecia a posição e velocidade do barco a cada 60 minutos.
PASSAGEM DA IZABEL PELOS AÇORES
Mensagem:
“Parti de Salvador um tanto cansada. Tive muitos problemas para arranjar o barco e acabei indo para o mar aborrecida. Mas logo ele me acalmou. Os Doldrums (zona de convergência intertropical) estavam muito próximos da costa brasileira. Peguei muitas calmarias e tempestades com muita água. Escolhi ir a oeste, pois o vento e as condições não eram favoráveis para leste. Subi antes do previsto, também para fugir dos Doldrums. Mas as calmarias continuaram na subida rumo aos Açores. Não é a época certa, as condições melhoram a partir de maio. A viagem foi lenta, mas tranqüila. Não vi peixes, mas os dias calmos permitiram que eu estudasse o francês. Cinco dias antes da chegada o vento e o mar cresceram. Forças 10 e 11. Ondas que passavam dos 5 m. Meu pequeno barco se comportou muito bem e chegamos tranqüilos na Horta.
A Horta é uma vila da Ilha de Faial. Um dia antes de minha chegada um Cismo balançou a ilha. Mas nada grave.
A Ilha é um ponto de chegada de navegadores do mundo todo. Escolhi um belo e mágico porto. Aqui, como tradição, todas as embarcações que chegam deixam pintado nas paredes ou no chão da marina da Horta, desenhos. E nosso barquinho também teve seu espaço. Um grupo de crianças passaram uma tarde a se divertir, com as tintas verde amarelo, azul e branco, fazendo o nosso desenho. Foi uma grande bagunça. Adorei.
Aproveite para descansar; e, para variar, fazer grandes amigos.
Aqui conheci Beatriz Madruga, uma grande mulher. Brasileira casada com o navegador solitário português Genuino Madruga. Ele no dia 4 de abril chegou no Maranhão; completando mais uma etapa de sua segunda travessia do Atlântico. O Genuíno é o terceiro português que realiza a proeza de circunavegar a terra em solitário. A Beatriz tem uma pequena filha que disse para mim que será uma navegadora também. Perguntei se ela queria ir ao mar comigo. Ela disse que não. Pois iria ao mar, sim, mas em solitário.
Fiz amizade também com Ana, Eva e Elisa.
Aproveitei para ir ao tradicional Peter Sport Café. Lá o Peter, filho, muito simpático, sempre passava um tempo a conversar comigo. Fui ao museu da baleia e escutei muitas histórias de mar, aventuras e sonhos.
O Açores é emoção. Sentimento.
Ontem gravei um programa de rádio na ‘Emissora Antena 9’. O programa foi lindo.
Parto amanhã, segunda-feira, rumo à França. Espero voltar ao Arquipélago; mas com mais tempo. Esse paraíso merece um tempo maior.
Bel.”
NOTA
A entrevista teve como fundo musical os acordes do Hino Nacional Brasileiro executado por um violonista.
Izabel deixa os Açores rumo a La Rochelle
Boletim n.º 11 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, 06 de abril de 2009.
TERCEIRA ETAPA
Arquipélago dos Açores – La Rochelle
Distância a ser percorrida: 1.270 mn (2.380 Km)
Distância mais perto do litoral europeu (Portugal): 890 mn
Izabel depois de passar seis dias na Ilha Faial, no Arquipélago dos Açores, partiu esta manhã, dia 6 de abril, entre 3 e 4 horas da madrugada com destino à costa sudoeste da França, no golfo de Biscaia, onde deverá atracar no porto de La Rochelle. Final de uma longa travessia desde Paraty, quando deixou o sul fluminense no dia 11 de janeiro, com passagens em Itaipava, no Espírito Santo, e Salvador, na Bahia. O percurso total desde Paraty até La Rochelle gira em torno dos 6.000 mn.
Esta terceira e última etapa da Ilha de Faial à La Rochelle é de cerca de 1.270 mn (2.380 Km). O ponto mais próximo do continente europeu (Portugal) dista da Ilha Faial cerca de 890 mn. O trajeto até a França é no sentido diagonal, praticamente uma linha reta.
- Estou já louca pra ir pra água. (Comentou dois dia depois de chegar aos Açores). Nossa. Até ontem quando me abaixava dava a maior sensação ruim. Ficava tudo escuro e tonta. Mareada em terra.
Sobre os preparativos do barco comentou:
- Não preciso de muito (dinheiro) agora. Só as inscrições, que são caras. Depois é uma vela nova e um leme. Comida e volta pra casa. Comprei tudo de salvatagem pra mini. Aqui ta a maior correria.
Sobre o estado do barco:
- Tenho que ir pro barco. Muita coisa. O barco ta a maior bagunça.
Lamentando-se da correria que é cuidar do barco, comprar mantimentos e material. Lidar com a burocracia.
- Se o senhor tivesse a metade da minha vida, me entendia. Não é fácil.
Não esqueceu os amigos que a ajudaram em Salvador. Foi só elogios.
- O filho do Rogério (eletricista de barco) trabalhou comigo direto. Nunca fui tão bem tratada. Ele fez as bolinas e me ajudou vários dias no barco, arrumando pendências que ficaram para trás.
Izabel passou a maior parte do tempo que esteve em Salvador hospedada na casa de um amigo que conhecera em Natal, o Rogério Cezar da Rosa, eletricista, que depois se mudaria para a capital baiana e onde voltariam a se encontrar.
Comentando sobre as condições do mar durante a travessia.
- Os ventos estão hoje fortes; mas favoráveis. Saio com vento fracos, pego uns favoráveis, depois fica forte e contra pra variar. Acompanha a minha viagem pelo site do tempo. E dá o endereço:
Site de tempo: http://www.passageweather.com/
Ontem, dia 5, véspera de deixar os Açores, ela falou:
- Estou indo embora amanhã cedo. Já fechei as contas aqui. Só falta devolver o computador. Vou sair assim que amanhecer.
Pelos dados fornecidos pela OnixSat Telecom, a Izabel já dava sinais que estava navegando às 04:10:45 hs desta madrugada. Deslocava-se a 3,78 nós.
O computador com que se comunicava era emprestado, já que perdera o seu na travessia em frente à costa do Espírito Santo, quando quebrou a caixa da quilha e o barco inundou de água.
Despediu-se:
- Vou embora. To cansada.
Esta noite dormiu no barco.
(Topo)
TRAVESSIA SALVADOR, BA, AO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES, PT
Izabel desembarca no Arquipélago dos Açores
Boletim n.º 10 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, 31 de março de 2009.
Coordenadas do local onde aportou na Ilha Faial, Arquipélago dos Açores.
Lat: 38º 31 58,98 N
Long: 28º 37 32,02 W
Izabel aportou esta manhã na Horta Marina, localizada na Ilha Faial, no Arquipélago dos Açores. Exatamente às 07:40 hs, Horário de Brasília (10:40 hs nos Açores), ela informava pelo telefone:
- Acabo de chegar. Estou na marina da Horta. Ilha Faial.
Observando os rastreadores da OnixSat Telecom, vê-se que a Izabel passou a noite inteira navegando. Seu último registro aconteceu às 07:10 hs, quando se deslocava a 1,62 nós, provavelmente entrando na marina com o auxílio do motor de popa.
Domingo, dia 29, por volta das 09h10min já se encontrava dentro do perímetro do Arquipélago dos Açores, deslocando-se a 5, 94 nós. A escolha da Ilha Faial, uma das nove ilhas que compõem o Arquipélago dos Açores, foi muito feliz, pois o local é bem estruturado em termos de navegação, sendo ponto de rota entre a Europa e Estados Unidos.
Izabel perdeu alguns quilos, mas está bem disposta. Sobrou um pouco do alimento acondicionado à bordo. Dos 100 litros de água que levou, sobraram 20 litros.
- Tomei banho de água captada da chuva. Enchia um galão de 20 litros e usava na higiene pessoal. Só não pesquei porque não tenho coragem de matar os peixes.
A segunda etapa da travessia Paraty-La Rochelle, iniciada em Salvador no dia 23 de fevereiro, terminou, hoje, dia 31 de março, na Ilha Faial, Arquipélago dos Açores; durando exatos um mês e cinco dias. Os cinco últimos dias quando se aproximava e já dentro do perímetro dos Açores, enfrentou ventos de 60 nós, mais fortes do que os que passou numa regata na França, quando diversos barcos viraram, levando ao desespero os navegadores. Seu barco na ocasião teve o caso rompido nas duas caixas das bolinas, inundando completamente. Mesmo em situação adversa conseguiu levar o barco até o final da competição.
Agora, depois do visto no passaporte, a Izabel voltava a se comunicar, desta feita através da Internet.
- Consegui esta Internet de graça. Comentou.
Animada por ter feito uma viagem com poucas avarias, - apenas um vela rasgada e o piloto automático quebrado,- ela estava tranqüila.
- To com desejo de comer uma ‘sapateira’ com uma ‘imperial’ (cerveja). Afinal eu mereço. Completou.
- Vou ficar aqui na Internet mais algum tempo. Depois envio um texto.
Izabel vai aproveitar a estadia nos Açores para revisar os equipamentos e fazer uma limpeza geral; deixando o barco em condições de chegar na França pronto para dar início às regatas qualificatórias.
- Aqui tudo é mais barato do que na França. Festejou. Vou dormir estes dias num hotel. É baratinho as diárias, apenas 30 Euros. O barco está muito frio. Mesmo com agasalho passei muito frio durante a viagem.
Comentou também que fará um passeio na ilha.
Izabel completa trinta dias, em alto mar, navegando rumo aos Açores
Boletim n.º 9 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, 23 de março de 2009.
No dia 23 de fevereiro a Izabel deixava a Marina Bahia, em Salvador, e iniciava a Segunda Etapa da travessia Paraty – La Rochelle. Hoje ela completa trinta dias desde que deixou Salvador. O roteiro adotado foi seguir uma rota paralela à costa brasileira, só pegando o rumo do Arquipélago dos Açores depois de cruzar o extremo Norte do país, no topo do Amapá, já em águas da Guiana Francesa. Pelo que se observa nos dados fornecidos on-line pela OnixSat Telecom, ela vem encontrando dificuldades, haja vista que tem pela frente marés que se originam na costa da África e caminham na direção do Caribe, forçando uma navegação para Oeste. Os ventos Elíseos que se formam abaixo da Linha do Equador, também contribuíram para frear o deslocamento do barco. Mas agora segue numa direção inclinada para o Leste, ganhando em latitude, e definindo a rota que aponta para os Açores.
Três quartos da viagem foram percorridos. Provavelmente em mais uma semana e meia a Izabel aporta finalmente em seu destino.
Nos Açores ela descansará uns dias e aproveitará para revisar o barco. Depois é partir para a última etapa da travessia, alcançando La Rochelle, na costa sudoeste de França. La Rochelle, fica no Golfe de Gascogne (Baia de Biscaia), região de poucos amigos para a navegação; mas conhecida da Izabel, que a cruzou em sua primeira travessia do Atlântico, trazendo o ‘Vanguard 1’, adquirido no Norte da França, numa localidade banhada pelo Canal da Mancha.
É difícil imaginar-se dentro de um minúsculo barco de 6,5 m (21 pés), sem conforto, onde a cabine mal cabe uma pessoa, e em posição agachada. Dormindo mal, obrigada a conciliar o sono por períodos curtos, nunca superiores a vinte minutos, tendo em vista que a cada momento tem-se que sair da cabine para observar o horizonte, protegendo-se contra colisão com outras embarcações, verificar os cabos, o comando dos lemes e os instrumentos de navegação. O espaço reduzido da cabine funciona como uma quitinete, com fogão, encosto para repousar preso à lateral do barco, e condicionamento de todas as tralhas que acompanham o navegador. Fora do barco não tem espaço coberto, ficando-se ao desabrigo, sujeito ao sol, ventos, ondas e chuvas. A preocupação em manter preso à cintura o cinto de segurança e o equipamento de alarme (Epirb), usado numa eventualidade de um acidente. Essa hipótese está fora de cogitação, pois um presumível socorro não a alcançaria a tempo de salvá-la.
A Izabel encontra-se neste momento no meio do oceano Atlântico. Está no centro de um triângulo eqüilátero, onde as pontas mostram distâncias praticamente equivalentes, tanto na hipótese de regressar à costa brasileira, guinar em direção à costa americana, ou pensar ir na direção da África. Sua bússola só aponta numa direção: o Arquipélago dos Açores. Falar em bússola, é bom lembrar que carrega três GPS, uma bússola fixa ao barco e um sextante, que com o auxílio das cartas náuticas está fazendo um trabalho, já visando à regata da Mini-Transat 2009. Está equipada com rádio VHF para uso na aproximação de portos, e refletor de radar, para alertar as embarcações de grande porte que por ventura entrem em sua rota. Administra o tempo com as atribuições inerentes à navegação, o preparo de um alimento fresco, e a leitura de um livro, narrando as aventuras de outros navegadores solitários, como ela própria.
E se pense que ela se sente desconfortável, engana-se. Seu mundo é o mar. A solidão, a sua companheira. A coragem e determinação, a certeza de que um porto seguro a espera em algum ponto do planeta.
A Izabel nunca se sente só, pois contracena com os seus sonhos; sabendo, que mesmo quando tudo parece impossível, aí que encontra forças para tornar os seus desejos em realidade!
Izabel atinge o extremo norte do país e inicia a travessia do Atlântico rumo ao Arquipélago dos Açores
Boletim n.º 8 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, 10 de março de 2009.
Exatos 15 dias após a partida de Salvador, quando iniciou a segunda etapa da travessia Paraty-La Rochelle, a Izabel começou a dar contornos do trajeto que irá seguir rumo ao Arquipélago do Açores. Ontem, dia 9 de fevereiro, por volta das 14:11 hs, quase no mesmo horário de sua partida de Salvador, deu início à travessia propriamente dita do Oceano Atlântico. Desde que passara à frente da Ponta do Seixas, o ponto mais oriental do Brasil e das Américas continentais, localizado em João Pessoa, capital da Paraíba, seguira uma rota paralela à costa, caminhando na direção Oeste; e só começou a se afastar realmente do Brasil, depois de atingir o ponto extremo Norte, no estado do Amapá, já entrando nas águas da Guiana Francesa, bem acima da linha do Equador, na posição de latitude 6.º 44 50,00 N e longitude 42.º 40 5,99 W. Na ocasião se deslocava à 5,94 nós, acima da média histórica que vinha mantendo desde o dia 23 do mês passado, quando retornou ao mar. A estratégia usada de deslocar-se para Oeste, e não diretamente na direção da África, parece ter dado resultado, pois o barco contornou as marés e ventos contrários e começou a ganhar velocidade. Na leitura de posição informada pelo OnixSat Telecom, que faz o acompanhamento via satélite, hoje, dia 10, terça-feira, às 06:10 hs, o barco melhorava mais ainda a sua performance, se deslocando a 6,48 nós.
Detalhes:
Nesta etapa da viagem a Izabel pode contemplar o fenômeno da Pororoca: o encontro das ondas do mar, com as águas da foz rio Amazonas. E reprisou pela terceira vez a passagem pela Linha do Equador.
Izabel deixa Salvador rumo ao Arquipélago dos Açores
Boletim n.º 7 – Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009
Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 2009, segunda-feira, 14:25 hs.
O Petit Bateau encontrava-se atracado desde o dia 29 de janeiro, mês passado, no píer ‘A’, setor Operação, da Bahia Marina, em Salvador, Bahia; quando finalizou a etapa Paraty a Salvador. Por motivo de força maior a segunda etapa da viagem só teve início nesta tarde de segunda-feira, dia 23, por volta das 14:25 hs. Mesmo com um grande atraso a Izabel espera alcançar a cidade de La Rochelle, França, no final de março. Uma tirada em alto mar de mais de um mês. Sua previsão de próxima parada será no Arquipélago dos Açores. Depois sobe rumo à França.
As águas da costa portuguesa e seus famosos cabos, que encontrará neste caminho, são seus velhos conhecidos de quando navegou o litoral de Portugal remando um caiaque. Suas aventuras de caiaquista são contadas no livro ‘Brasil e Portugal a Remo’, publicado pela editora Termo Aventura. Da costa portuguesa alcançará a Baia (golfo) da Biscaia. La Rochelle fica situada na costa sudoeste de França, no interior dessa baia, chamada também pelos franceses Golfe de Gascogne. A baia banha igualmente a costa norte da Espanha, onde é chamada Kantauri Itxasoa e Bizkaiko Golkoa, em basco, e Mar Cantábrico e Golfo de Vizcaya, em castelano.
Em Salvador a Izabel esteve hospedada no bairro da Ribeira na casa de um amigo, o Rogério César da Rosa, eletricista que cuidou de seu barco em Natal, agora residindo na Bahia. ‘A Ribeira é um antigo bairro das famílias de classe alta baianas e atual bairro da boemia, localizado na Cidade Baixa, em Salvador.’
- O ambiente familiar me deixa totalmente em casa; onde não faltam uma cerveja bem gelada e a comida típica da ‘Boa Terra’. Confessou outro dia.
Em sua estadia em Salvador a Izabel visitou familiares, tia e sobrinha (a Marlene e Séfora); esteve em Itapuã com sua amiga Marinalva Rocha. Deu uma passada na lagoa do Abaeté, comendo o tradicional acarajé, bem ‘quente’ (com bastante pimenta).
‘A lagoa do Abaeté situa-se no bairro de Itapuã, localizando-se ao centro da Área de Proteção Ambiental do Parque Metropolitano da Lagoa e Dunas do Abaeté’. ‘A Lagoa do Abaeté resulta do represamento de antigos rios que corriam na região e do acúmulo de água de chuva.’ ‘De origem indígena, Lagoa de Abaeté significa lagoa tenebrosa. No passado, a Lagoa do Abaeté era conhecida como Lagoa de Itapuã.’
De volta à realidade, a notícia é que o barco foi posto em terra, realizada uma limpeza geral, revisada a caixa da quilha, ajustadas as tensões dos cabos e vistos os lemes, melhorando a performance de deslocamento. No prejuízo ficaram o notebook e um conjunto de roupas da grife La Fille que a veste nos eventos, molhados e danificados. Os estragos foram decorrência da quebra da caixa da quilha que inundou o barco na costa do Espírito Santo.
Com o apoio da International Tintas a Izabel providenciou pintura do casco e cabine. Restaurou uma parte da proa e colocou novos adesivos. Foi instalado no barco um rádio baliza eTtrack a pedido da Association GRAND PAVOIS com o objetivo de testar o equipamento que monitorará a regata Mini-Transat 2009. Com este equipamento a viagem a partir de Salvador contará com dois modelos de rastreadores. O equipamento da Onixsat Telecom havia sido instalado em Paraty, e dá indicação de posição e velocidade do barco a cada 60 minutos. A travessia pode ser acompanhada através da Internet acessando o site da Izabel.
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TRAVESSIA PIONEIRA DO ATLÂNTICO EM NAVEGAÇÃO SOLO
IZABEL FAZENDO HISTÓRIA
Izabel cruza o Atlântico num mini-transat 6.50
Cinco séculos se passaram. E a nossa Izabel Pimentel, mato-grossense, analista de sistema e navegadora por paixão e espírito de aventura, partiu de Lisboa, em busca da realização de uma façanha ainda não realizada por nenhuma outra brasileira.
Ela tem experiência de vela e outros esportes náuticos. De caiaque percorreu grande parte do litoral do Brasil, e toda a costa de Portugal e uma parte da Espanha, sempre em solitário. No livro editado e lançado pela editora Termo Aventura, - Brasil e Portugal a Remo, - a Izabel Pimentel narra essas incursões pelo litoral, passando dias seguidos em alto mar, parando apenas à noite para descansar, e dormindo em sacos ao relento, nalgum canto de praia deserto que ia encontrando em seu trajeto.
Sua nova aventura tem muito da história do descobrimento do Brasil.
Partindo de Belém, em Lisboa, numa segunda-feira, dia 9 de março de 1500; 44 dias depois, a esquadra, comandada por Pedro Álvares Cabral, que se dirigia para as Índias, avista terra “... um monte grande, muito alto e redondo e outras terras mais baixas ao sul...”. Era “... a horas de véspera”, numa tarde de quarta-feira, 22 de abril. Ao monte chamou “Monte Pascoal e à terra - Terra de Vera Cruz”. Supôs tratar-se de uma ilha. Dez dias, após, seguia seu destino para Calicute, Índia, onde deveria instalar um entreposto comercial.
Através de seu escrivão, Pero Vaz de Caminha, fez chegar ao El Rei Dom Manuel, o Venturoso, a notícia do “achamento” da Terra “... de tal maneira e graciosa que, querendo aproveitá-la, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Os nativos que encontrou na região eram uma gente simples, gentil e de costume inusitado, pois viviam “nus, sem nenhuma roupa que lhes cobrissem suas vergonhas”. A convivência foi pacífica e participativa. Na segunda Missa, rezada às vésperas da partida, dia 01 de maio, os silvícolas, já integrados com os visitantes, se fizeram presentes e participaram do ato religioso, oficiado pelo Frei Henrique Soares (de Coimbra).
A travessia do Oceano Atlântico teve como ponto de partida a Marina de Cascais, em Lisboa, não exatamente a praia do Restelo, em Belém, como pretendera. As condições de trafego no rio Tejo não lhe permitiram deslocar o pequeno barco à vela até a frente do Padrão dos Descobrimentos. Lá estivera, anteriormente, em sua excursão de caiaque.
A Izabel utiliza um pequeno barco à vela, um Mini-Transat Proto Berret, de 6,5 metros de comprimento, construído em 1987 por Yves Dupasquier. Um barco francês comprado em Saint Quay-Portrieux, Bretagne, França, com o qual fez essa travessia histórica.
A primeira parada no Brasil estava prevista para ser no Arquipélago Fernando de Noronha. Problemas com os lemes, correntes e ventos contrários, findaram levando-a para o litoral de Fortaleza. De lá seguiu para a Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, localidade do resorte Costa Brasilis que patrocina o Projeto Atlantic Freedom. No caminho fez escalas numa das plataformas da Petrobrás, na área de Pescada, a PPE-1A, e em Natal.
Embora o percurso seja marcado pela travessia do Atlântico, a Izabel já fez um trecho de 910 milhas náuticas, em 10 dias, levando o barco de Saint Quay-Portrieux até a Vila de Cascais, Lisboa, trajeto em que pegou calmarias e tempestades. “O vento e a corrente contra e o aumento da ondulação, de 3 a 4 metros, fazem o casco bater com violência na água. O vento oscila entre 20 e 25 nós. O mar já apresenta ondas arrebentando e lavam o convés.” Descreveu em seu diário. Mas nada que a amedrontasse.
Ela levou filmadora e máquina fotográfica para registrar o evento. Tem equipamento de GPS para se orientar e Iridium, telefone via satélite, com o qual se comunica em fonia.
A Izabel não contará com um escrivão para narrar sua aventura. E nem pretende se passar por uma nova desbravadora de mares e oceanos, como heroicamente fizeram os grandes navegadores da História, dentre eles Pedro Álvares Cabral. Sempre foi o seu sonho atravessar o Oceano Atlântico em solitário, ao tempo que quis contar pontos para a Mini-Transat 2007. Ela própria irá escrever a travessia, lançando um novo livro brevemente. O destinatário do livro não será o El Rei Dom Manuel, o Venturoso, mas os seus leitores. E a terra, já descoberta, também não é a “Ilha de Vera Cruz”, como imaginaram Pedro Álvares Cabral e sua tripulação; mas o nosso decantado país, dos sonhos dos brasileiros, que todos os dias tentam redescobri-lo, cercando-o de todo o carinho e ávidos de dias melhores, de prosperidade e
felicidade!
É a Bel, e seu feito, modestamente reafirmando o valor da mulher brasileira, que todos os dias prova que não é o sujeito secundário da história, mas o agente propulsor, que ao lado do homem, constroem, juntos, este “Brasil, meu Brasil brasileiro”, como disse o poeta!
José Geraldo Pimentel
Rio de Janeiro, 10 de julho de 2006.
Quem é a Bel
Izabel Pimentel é natural do Mato Grosso do Sul. Graduou-se Analista de Sistemas na Universidade Federal Fluminense.
É no Brasil, uma das atletas com maior percurso navegado a remo e em solitário. Remou, contra a corrente, de Santos a Vitória, um pouco mais de 1000km. O litoral sul da Bahia, cerca de 800km.
Na Europa, remou toda a costa Portuguesa, de Caminha até Vila Real de Santo António, 840km. Na Espanha, do Rio Guardiana, divisa Portugal-Espanha, até a cidade de Tarifa, Estreito de Gibraltar, mais de 300km.
Em barco à vela navegou grande parte do litoral brasileiro, Costa Portuguesa e o Mediterrâneo.
Trabalhou como skipper na costa brasileira e na escola de Vela Lusa, em Lisboa.
Este ano de 2006, antes da travessia do Atlântico em solitário, navegou de Saint Quay, França, até Lisboa, Portugal.
Izabel a garota do mar
Nas águas mansas,
Do azul do mar,
O barco vai deslizar
Na luz sonâmbula da manhã.
Na primavera... o barco vai navegar.
O mar meu grande amigo!
Nas ondas vou velejar,
As correntezas me açoitam.
Nas asas, tontas da luz,
Ecoam fortes guinchos das gaivotas no ar,
E no meu peito saudade e solidão!
Silêncio... espanto e medo!
A felicidade renasce,
Quero tudo ver e encontrar!...
A pureza deste mar,
Deste céu para adormecer ao léu.
E meu sonho realizar!
A noite chega cabreira,
Sob o céu constelado,
E o silêncio mudo e profundo.
Ouço meu grito,
E o imenso gemido do vento,
Com os meus cabelos a brisa brinca,
No mar de ondas distante.
(Autora: Marlene Pimentel Cerqueira).
Noticiário completo sobre a travessia pioneira do Atlântico
Veja...
Carta de Pero Vaz de Caminha, Wikisource.
Aquarela do Brasil - Ary Barroso (1939).
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A BANDEIRA
“Bandeira do Brasil que a brisa beija e balança, estandarte que à luz do sol encerra as divinas promessas de esperança...”
Cantam em versos e prosas os poetas.
A bandeira repousava sobre uma prateleira especialmente preparada para servir de vitrine, na porta de entrada da exposição fotográfica comemorativa dos quinhentos anos do descobrimento do Brasil. O arranjo lhe conferia um lugar de destaque, ao lado de fotos e objetos. Fotos de gente e de objetos da terra distante que ficara do outro lado do oceano.
Aquele espaço sagrado representava a alma de um povo nobre, bom, trabalhador, que honraria qualquer nação que o tivesse filho. Todos os que por aquele corredor estreito passassem, sentiam alguma coisa de vibrante, forte, que penetrava na pele, corria nas veias, e apertava o coração. Se era um brasileiro, não deixava de escorrer uma lágrima na face. E um português, exultava pela lembrança de ser o pai de tão distinta e altaneira nação. A nação brasileira que os portugueses descobriram e amavam como se fora a sua segunda pátria!
Logo ao pisar a soleira do grande salão, os olhos batiam num quadro que mais se parecia uma gravura. Uma gravura de índios pataxós, alinhados a frente de uma cruz de ferro, grande, plantada sobre uma base de mármore. Essa cruz simbolizava a Primeira Missa que fora celebrada no dia 26 de abril de 1500, às ordens de Pedro Álvares Cabral, e oficiada por Frei Henrique (de Coimbra). Esse evento ocorreu no Espaço dos Descobrimentos, na Vila de Cascais, em Lisboa, no dia 7 de setembro do ano 2000.
Um mês depois, na casa em que o almirante português morou (Casa do Brasil/Pedro Álvares Cabral), em Santarém, a bandeira ganharia um novo destaque, posta cuidadosamente sobre um balcão ao lado da bandeira irmã de Portugal. Era uma reprise da exposição, que contou com a organização e coordenação do presidente da casa, Senhor Duarte Nuno Pinto da Rocha.
Essa exposição itinerante foi levada para Portugal sob os auspícios de uma jovem brasileira.
A bandeira a acompanharia em outras ocasiões importantes. Uma aconteceria na Espanha na passagem do ‘Brasil 1’, durante a competição Volvo Ocean Race. Na ocasião da Copa, em Portugal, lá ela marcava a sua presença; nas mãos e coração dessa jovem brasileira, nos jogos do Brasil, ou quando a nação irmã disputava uma partida. De avião retornaria a sua pátria. E de avião fazia a viagem de volta. De volta para ser a única bandeira a cruzar o Atlântico tremulando no mastro de um Mini-Transat, Open 6.5, conduzido por esta mesma mulher, que a ama e a tem sempre perto de si. Uma viagem solitária, deslizando sobre ondas, vencendo tempestades, perigos e solidão. Bandeira e jovem alcançariam 42 dias passados da partida de Lisboa, - a terra de Iracema, a jovem dos “lábios de mel”. Morenas e belas: Iracema e Bel se encontraram e se abraçaram e se entrelaçaram com o verde, o azul, o branco e o amarelo da bandeira mais charmosa, entre tantas mil bandeiras, todas lindas, mas esta a única que carregou nos braços, no moral, no “vamos, não podemos ficar pelo caminho”. “O Brasil nos espera!”
A batalha para vencer a distância e os problemas com o barco, deixaram a Izabel com dez quilos a menos. Mas cheia de ânimo, e pronta, tão logo sejam providenciados os reparos, a seguir viagem. Sua bandeira está maltratada, as bordas rotas, precisando de um descanso. Mas a acompanhará até Santa Cruz Cabrália. Futuramente será substituída por uma nova. Não cairá no esquecimento. Espera-a um lugar especial, construído com carinho, onde ficará guardada e cultuada pelos tempos a fora!
A Izabel ainda distante dos familiares guarda saudades de um outro amigo: seu felino malhado. “Beijos no meu Bes. Faz carinho nele por mim.”
“- 500 anos, Copa, ‘Brasil 1’ e Bel. Demais!” Diz com orgulho a Izabel.
José Geraldo Pimentel
Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2006.
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MANIFESTAÇÕES DE APOIO
“Se plantarmos para um ano, devemos plantar cereais.
Se plantarmos para uma década, devemos plantar árvores.
Se plantarmos para toda a vida, devemos treinar e educar o homem.”
Kwantsu, III a.C.
Bel,
você acaba de plantar, em cada um de nós, que te conhece, que te acompanha, ou, que de ti só ouviu falar, uma semente.
A semente da coragem, de que somos capazes, todos, de realizarmos nossos sonhos. Que somos capazes de vencer as adversidades, que surgem, justo, para os que buscam seus sonhos.
A semente de que a vida é grande, como o mar, como o sol, e podemos torná-la vibrante e enorme, preenchendo cada espaço de tempo, com nossas realizações, adversidades, alegrias e vitórias.
A semente da perseverança, perseverança de quem faz anos, se tornou amiga do mar, companheira e admiradora.
Faz muito tempo, que a vi, com um Atlas na mão e um papel na outra, preparando esta viagem.
E hoje, o mar, o vento, o sol, a lua, e os animais ao redor, lhe recepcionam e torcem juntos de todos nós.
E que agora, estamos com mais vontade, de realizar nossos projetos, diante do seu exemplo. Um exemplo que ficará na história. O exemplo dos que superam os seus limites pelo seu ideal. Exemplo para cada um de nós tem uma Travessia pela Vida.
Parabéns, e parabéns, por dizer, que faria tudo de novo!
Kátia Duarte Pimentel.
Continuamos a torcer
A Bel elaborou o projecto com alguma atenção. Por falta de honra e dignidade de alguns elementos (refiro-me ao meu compatriota que lhe negou a venda do barco, dias antes da partida), refiro-me a quem lhe demora tanto tempo a equipar devidamente a embarcação, refiro-me aos franceses que a trataram mal e demoraram tempos infinitos a montar o equipamento,... com esses atrasos todos, foi o 'BARCO' possível.
A Bel tem contratos com patrocinador que já deu provas mais que efectivas querer honrar até ao fim. E isso, é digno de orgulho de todos nós e muito mais de todos os brasileiros.
E, sendo assim, definiu um timing limite para largar de Portugal, que acabou por ser no Nordeste francês,... navegou, mais não sei quantas milhas, atravessou o golfo da Biscaia que com a sua placa tectônica assusta tanto como o Horn,... fez a costa portuguesa debaixo de um nordeste que entra pela popa e não dá sossego,... fez os nevoeiros da minha costa que assustam qualquer um,... não parou o que seria mais fácil na ilha da Madeira... fez a travessia.
Que mais se pode exigir,...
As viagens deste tipo dividem-se em duas fases... a navegação até à aterragem e a pilotagem... que aceite um cabo na entrada de um porto,... é como meter o carro na garagem depois do Paris-Dakar. O Serviço está praticamente feito e com todas as adversidades e erros, e teimosias, e confusões,... só temos que sentir orgulho, carinho, e respeito pelo exemplar único que eu tenho a alegria de ser AMIGO; que eu tenho a honra de ter gravada a mensagem no meu celular do meio do
Atlântico...
Um abraço a todos os que se sentiram tristes, nervosos, ansiosos, alegres, esperançosos,... a todos os que sentiram... nem que fosse um arrepio frio em busca nervosa de uns créditos de um iridium. Nós, botequeiros, estivemos sempre lá, com críticas, com sugestões, com dúvidas e isso, quando ela ler, calmamente,... vai sentir uma alegria enorme nos amigos.
José Carlos
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NOTÍCIAS
IZABEL DÁ ENTREVISTAS NO JÔ SOARES E HAPPY HOUR DA GNT
Izabel Pimentel estará nesta quinta-feira, às 19 h, no programa Happy Hour da GNT
Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2008.
“Hoje foi um dia muito, mas muito especial. Voltei para a minha adolescência. Dos tempos que freqüentava o Maracanã com uma bandeira muito grande e vestida de vermelho e preto. Chegava ao estádio às doze horas e o jogo só começava às dezessete horas. Não importava. Passávamos, eu e meus irmãos, horas a gritar; e felizes esperávamos o nosso time entrar. Lá no meio estava o nosso maior ídolo. Aquele jogador tímido, correto, maravilhoso. O Zico era mais que um ídolo para nós. Era nosso herói.
Hoje conversava tranqüila com o grande escritor César Romão, quando, para minha surpresa, o galinho de Quintino surgiu e se juntou a nós. Não podia acreditar que ele estava ali e iria participar do mesmo programa de tv que eu.
Caracas! Meus olhos brilharam. Confesso que fiquei super orgulhosa e feliz. Hoje é um dia que vai ficar pra sempre na minha memória. Para completar, a velha guarda da Portela entrou. Quase chorei, viajei no tempo, naquela mesma época da adolescência, que não perdia uma apuração no Maracanazinho. Um tempo que era fácil sorrir. Um tempo em que menina moça a diversão era sempre garantida. Um tempo em que o Flamengo e a Portela eram presenças constantes nos nosso papos.
O tempo passou. Nem sei a colocação da minha escola de samba e nem sei se meu time ganhou ou perdeu. Nem sei o nome de nenhum jogador.
Nossa! Tornei-me mulher, viajei e os focos viraram para outras direções. E esse tempo se perdeu num passado distante!
Bel”
Izabel Pimentel estará nesta quinta-feira, às 19h, no programa Happy Hour da GNT. Ao lado de Arthur Antunes Coimbra, Zico, do escritor e jornalista César Romão e da Velha Guarda da Portela.
Vídeo da entrevista da Izabel no programa do Jô Soares
Assista ao vídeo.
Izabel no Programa Jô Soares
Hoje, dia 30, quarta-feira, a Izabel será entrevistada na TV Globo, Programa Jô Soares. Ela falará sobre as suas viagens, em particular a travessia do Atlântico em solitário, num barco à vela de 21 pés (6,5m). E comentará sobre a publicação do livro “A Travessia de uma Mulher”, Editora Objetiva. O livro conta a aventura que foi cruzar o Atlântico, os problemas enfrentados durante a travessia e a chegada em Fortaleza, depois de 42 dias de navegação, desde Lisboa, Portugal. A noite de autógrafos acontecerá na Livraria Argumento, dia 4 de agosto, segunda-feira próxima, a partir das 19 horas. A Livraria Argumento fica na rua Dias Ferreira, 417, no Leblon.
IZABEL É NOTÍCIA
. Domingo último, dia 20/07/2008, o jornal O Globo, no caderno de Esportes, seção Ciência / Saúde, página 40, publicou uma matéria do jornalista Carlos Albuquerque em que é abordado o tema da solidão. Nos textos “Sem Medo da Solidão” e “Na Companhia do Oceano”, o jornalista com o auxílio de especialistas comenta o trabalho da Izabel, o seu relacionamento com o mar e a solidão.
. O jornal O Dia, no caderno D Mulher, na página D4, dia 05/07/2008, sábado, a jornalista Kamille Viola apresentou uma matéria interessante sobre a Izabel. Trata da crise dos 40 anos, e comenta o lançamento do livro “A Travessia de uma Mulher”.
. Estes dias a Izabel gravou uma entrevista com o repórter Marcos Wagner para a rádio Lance.
. Os últimos dias não têm sido só de divulgação do livro “A Travessia de uma Mulher”. A Izabel também esteve presente na Semana de Vela de Ilhabela, participando de algumas regatas. “Foi gratificante a minha presença em Ilhabela”, disse a Izabel, após o seu retorno para Paraty, onde ainda permanece, alternando saídas com o barco Petit Bateau e seu caiaque Brasileirinho.
VÍDEOS
2.ª Travessia do Atlântico
Parte 1 - 02:21 ms.
Partida de Sète (França): Transporte, problemas apresentados no barco, reformas, testes, treinos.
Parte II - 01:46 ms.
Espanha: Baleares, Calmarias e Alicante.
Parte III - 02:02 ms.
Estreito de Gibraltar.
Parte IV - 01:41 ms.
Ilhas das Canárias.
Parte V - 02:01 ms.
Cabo Verde.
Parte VI - 01:22 ms.
Travessia: Passagem pela Linha do Equador e vista do Arquipélago Fernando de Noronha.
Parte VII - 03:05 ms.
Retrospecto da Travessia: Sète (França), Lazarote (Espanha), Estreito de Gibraltar, Ilhas Canárias, Boa Vista (Arq. de Cabo Verde), Passagem pela Linha do Equador, Arq. Fernando de Noronha, Recife.
Retrospecto pelo Brasil: Abrolhos, Ilha da Trindade, Plataforma de Campos e Paraty.
(Topo)
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