Izabel Pimentel, a primeira brasileira a cruzar o Atlântico em navegação solo.
“A velejadora brasileira leva nossa bandeira pelos mares do mundo.”
Revista Perfil Náutico.
“Um barco vai singrando a costa brasileira. Leva uma guerreira que sonha, que não desiste de seus sonhos! Será atendida em suas preces?
É destemida. Iria à Lua se uma vela pudesse ser impulsionada pelos sonhos!
‘O mar será sempre a nossa estrada!’ Diz ela. E segue solitária em seu barco.”
José Geraldo Pimentel.
Izabel – Portrait
IZABEL E SEUS GATOS VELEJADORES
Vogg - Bradesco Seguros - Gatos a bordo
Por Mônica Neves
Em quase todas as histórias sobre marinheiros há um gato a bordo. Mas, apesar de fofos e companheiros, eles dão trabalho para seus donos. É necessário dar toda atenção e cuidado que os bichinhos merecem.
A história da primeira brasileira a cruzar o Atlântico em navegação solo não é diferente. A velejadora Izabel Pimentel nunca está sozinha em suas viagens. Esteve sempre em companhia de Petic Eric, ou, atualmente, de sua gata de estimação Ellen.
Em entrevista, a velejadora conta que adora viajar com seus animais de estimação e que em menos de um mês a gata Ellen se adaptou muito rápido. Apesar de tranquila, ela nunca pode ficar no barco sem o cinto de segurança e é uma das maiores preocupações de Izabel.
“- Uma vez ela caiu na água, não sabe o que senti. Nossa, foi terrível. Mas eu joguei a boia, ela subiu em cima e puxei”, conta.
Para ter um gato a bordo é importante que o dono providencie todas as vacinas. É necessário também providenciar o passaporte e certificar se é permitido parar com o animal no porto.
“- Minha gata saiu do Brasil sem passaporte, pois tinha menos de três meses, mas agora já está com todos os documentos em dia para seguir viagem”, diz Izabel.
Outros itens não podem ser esquecidos, como levar absorvente de gatos e alimentos. A caixa de primeiros socorros também deve ser sempre revista e completa.
“- O gato é um animal bom de ter a bordo, pois é limpo e se diverte com cabos, com as velas, peixes voadores, golfinhos, tudo o distrai. Além de agradáveis, os gatos são companheiros e carinhosos. Agora estou com dois. Mas um faz companhia para o outro, principalmente em momentos em que não podem ficar no lado de fora do barco, por motivo de mau tempo. Assim não se sentem sozinhos”, relata a velejadora.
Dicas para você viajar com seu gato
É necessário seguir algumas dicas que são importantes para que você e seu animal de estimação façam a viagem que merecem.
- Verifique se as vacinas estão em dia. Em caso de viagens internacionais, é importante informar-se sobre os atestados de vacina exigidos pelo país de destino;
- Leve seu animal a um veterinário para fazer um checkup no mínimo 30 dias antes da viagem;
- Será necessário levar vistos consulares ou tradução juramentada dos documentos brasileiros se o país de destino exigir;
- Utilize uma caixa de transporte ou um cinto de segurança próprio para animais. Há vários tipos de cintos para gatos no mercado;
-Cuidado com a temperatura. Temperaturas altas podem causar insolação e desidratação. Temperaturas baixas podem levar à queda da temperatura (hipotermia), principalmente em gatos muito velhos ou muito novos.
(Vogg - Bradesco Seguros, Dicas Náutico, Edição 46, Ano 2011).
Comentário da Izabel
Sobre o gato.
Estou adorando viajar com minha gata. Agora estou com uma gatinha meiga vira-lata e baiana. Ela entrou no barco com menos de um mês e se adaptou muito rápido. Mas é sempre uma preocupação a mais. Ela NUNCA pode ficar no barco sem o cinto de segurança. Uma vez caiu na água e não sabe o que senti. Nossa foi terrível. Joguei a bóia de homem ao mar e ela subiu em cima e puxei. Ela é muito tranquila.
Para ter um gato a bordo ele tem que ter todas as vacinas e um passaporte, pois não são todos os países que aceitam animais a bordo, logo tem que certificar que posso parar com o animal a bordo no porto. Minha gata saiu do Brasil sem passaporte pois tinha menos de três meses, idade das vacinas. Gata clandestina. Mas agora já está com todos os documentos em dia para seguir viagem.
O gato é um animal bom de ter a bordo, pois é limpo e se diverte com os cabos, com as velas, peixes voadores, golfinhos. Tudo os distraem. Além de serem agradáveis, companheiros e carinhosos.
Agora estou com dois gatos. Aiaiaiiaai. Um faz companhia para o outro e há momentos em que não podem ficar no lado de fora do barco, por motivo de mau tempo. Assim não se sentem sozinhos.
Izabel
Revista Náutica - Gatos a bordo
Pode parecer estranho, mas esses bichinhos são companheiros incríveis.
Velhos marujos já levavam felinos em seus barcos. Hoje, muitos confirmam: gatos são animais ideais para se ter a bordo.
Por Amanda Denti
Eles invadiram os lares, como animais domesticados, em tempos remotos, coisa de quase 10 mil anos atrás. Na mesma época, os marinheiros descobriram que os gatos podiam ser bons aliados nos barcos. Caçavam ratos, por exemplo. E mais. Não davam trabalho e ainda distraíam os solitários homens do mar. Surgiram, então, crenças a favor. Os japoneses acreditam até hoje que ter um gato a bordo é como um amuleto contra a má sorte. Além deles, a boa fama dos gatinhos entre os marinheiros também aumenta. Sobretudo, entre os velejadores que moram a bordo de seus barcos. E com um bichano de bicho de estimação.
As principais razões que fazem dos gatos "petmarinheiros" ideais são as características físicas e de comportamento destes animais. Leves, de pequeno porte e com corpo bem flexível, eles esbanjam equilíbrio e têm sentidos aguçados. Em 2008, a velejadora Izabel Pimentel fez uma longa viagem pela costa brasileira tendo como única companhia a bordo o seu gatinho Petit Eric. "Ele se adaptou com muita rapidez ao mar e desenvolveu uma incrível capacidade de diferenciar ruídos, como um navio passando por perto", conta a velejadora, que é fã ardorosa dos bichanos.
Outra qualidade destes felinos e que agrada bastante aos moradores embarcados é que, embora estejam sempre atentos, gatos não fazem barulho — ao contrário de cachorros, que latem e podem comprometer bastante a convivência com vizinhos nas marinas. Mas, e como fica aquela história de que gato não gosta de água? A veterinária Giovana Mazzotti, fundadora da Sociedade Brasileira de Felinos, revela que, para a surpresa de muita gente, todos os gatos são exímios nadadores embora, de fato, poucas raças gostem de se molhar. No entanto, são seres que se habituam facilmente aos balanços do mar. Além disso, são muito higiênicos, o que é particularmente bom no caso dos barcos. "Os cuidados com a limpeza dos gatos são de causar inveja em qualquer outro ser de quatro patas", afirma Giovana.
Pequenos, ágeis, silenciosos, limpos, independentes e ardorosos fãs de um bom peixe... Um animal assim parece mesmo perfeito para se ter num barco. E, quem tem, garante que não é preciso nem buscar distrações para eles a bordo: a simples movimentação de cabos no convés já basta. Preocupação? Só uma: gatos têm certa dificuldade em se adaptar a novos ambientes e podem se perder, com certa facilidade, em novos portos ou marinas, porque precisam de uma referência fixa, para achar o caminho de volta para casa. Que pode, muito bem, ser um barco, claro.
Izabel e Petit: um caso de amor
A velejadora Izabel Pimentel é fã de gatos e conta como foi viajar com Petit Eric, seu gatinho de estimação: "Um gato só traz alegria para bordo. No cruzeiro que fiz com Petit Eric, todas as manhãs ele vasculhava o deque atrás de peixes voadores trazidos pela noite anterior. Mas, corria para a cabine, se surgissem golfinhos... Também adorava ficar junto ao guarda-mancebo, vendo o movimento das ondas. À noite, pedia para ir ao "banheiro", uma caixinha de areia que ficava do lado de fora da cabine. Tinha muita facilidade em lidar com o desequilíbrio que os barcos causam. Mas, o melhor mesmo era o sorriso que ele me provocava a todo instante. Não poderia ter escolhido melhor companhia."
(Revista Náutica, Edição 268, 06/09/2011).
ARTIGO
O dia em que cruzei o Atlântico
Por Izabel Pimentel
Era uma tempestade atrás da outra, e assim seguiam dias na luta de chegar aos Açores. O vento no rosto a maior parte do tempo deixava a viagem ainda mais difícil. Após cada tempestade, porém, um arco-íris surgia. Nessa hora, eu ficasse na proa do meu barco, como uma carranca, a observar o mar. E a viagem continuou assim durante vinte e oito dias. Era eu, o mar e meu barco Petit.
No 29º dia, uma grande tempestade se formou e passei 4 dias sem poder sair da cabine. Eram ventos de mais de 100km/h e muito frio. Mas eu tinha um objetivo: chegar ao Brasil, em mais uma travessia do Atlântico, participando da regata da Transat 6.50, França Brasil. Era uma regata solitária em veleiros de 6.50 metros.
Para participar, eu já tinha feito tantas coisas. Em 2006, me tornei a primeira brasileira a atravessar o Atlântico em solitário, uma viagem de 42 dias e 6 horas. Em 2007, cruzei novamente o Atlântico, partindo de Sète, França. Mas não consegui participar da regata, pois o barco que construí no Brasil não foi aprovado. Em janeiro de 2009, parti de Paraty e fui para a França, realizando assim minha terceira travessia do Atlântico. E agora, naquele ano de 2009, estava de volta ao mesmo oceano.
Todo o esforço foi recompensado quando, no dia 13 de setembro e sob fortes ventos, parti de La Rochelle, na França, rumo ao Brasil. Seria a minha quarta travessia do Atlântico, mas, dessa vez, não estava sozinha, pois mais de 80 barcos estavam na água comigo. Era só ligar o rádio que vozes de todos os lados se misturavam. Eu era só felicidade. A tempestade não assustava mais. E o enorme navio que passava tão perto, era apenas mais uma embarcação. O que importava era que a distancia entre meu barco e a linha de chegada ia, aos poucos, diminuindo.
Os fogos de artifício anunciaram a minha chegada a Salvador, às 22h10 do dia 28 de outubro de 2009. A música de Lenine, "Do it", tocava ao fundo. Tomei banho de champanhe e fui recebida com flores. Quando olhei em volta, entre tantas pessoas eu me senti só. Tentei sorrir pois aquele deveria ser o dia mais feliz de minha vida. O dia em que fui consagrada como a primeira brasileira a participar de uma regata internacional transatlântica e em solitário, que possui a qualificação mais difícil de se conseguir.
Mas as lágrimas correram e, sentada na beira do mar, me lembrei do dia em que, entre jubartes, em Abrolhos, sorri. Lembrei do sorriso do Alain, uma fera em manutenção de barcos. e que foi meu anjo nos momentos mais difíceis, da força do brilho dos seus olhos. Lembrei do dia em que, em Paraty, vi a lua surgir de um lado e o sol se pôr do outro, ambos iluminando um belo atobá que tranquilo me observada. Lembrei dos arco iris, dos acenos de mão e das festas de cada chegada a um porto. Lembrei do abraço dos meus pais. Percebi que não era só aquele dia, foram muitos os dias mais felizes da minha vida. Então me levantei e fui comemorar a minha quarta travessia do Atlântico.
Nota:
Artigo publicado na Revista Seleções Digest (Edição Março de 2011). Chama-se "The best day of my life" (O melhor dia da minha vida) e traz o depoimento de pessoas que conquistaram grandes feitos e relatam o que seria o melhor dia de suas vidas.
NOTÍCIA
Izabel Pimentel quebrou a rotina de aulas do Instituto Náutico Paraty
A primeira mulher a atravessar o Atlântico em navegação solo visitou o INP e contou suas aventuras e desafios no mar para os alunos, que fizeram perguntas e ficaram encantados.
Por Karla Travalon
As crianças e jovens que foram ao INP no sábado, o fizeram buscando conhecer as experiências singulares de uma velejadora nada convencional. Izabel Pimentel é a primeira mulher a atravessar o Atlântico em navegação solo, a bordo do Petit, barco de 21 pés.
Ela foi a atração da Escola de Vela que está formando jovens velejadores e despertando seu gosto pela navegação. Contando suas aventuras e desafios no mar, com muito bom humor, em várias situações mostrou que sempre utilizou sua técnica e a intimidade com os ventos e o mar para ser bem-sucedida nas viagens.
Izabel relatou sua ida à Ilha de Trindade, sua passagem pelas lajes da região de Vitória, suas regatas com ventos de “gente grande” de 40 a 50 nós e outras aventuras, como a que vai iniciar agora para completar sua volta ao mundo. Izabel sairá de Paraty rumo ao Caribe, depois segue para a França, onde mora atualmente e deixa lá o Petit, barco companheiro de suas navegadas com quem ela diz que tinha “um relacionamento conflitante” no início. Hoje o Petit é seu grande amigo. Eles se entenderam, enfim.
A jornada no INP foi muito especial, um verdadeiro encontro de navegadores, emocionante e inspirador. Alex Silva Ribeiro, proeiro na viagem do Paratii 2 com Amyr Klink, também fez parte do bate-papo descontraído e nos contou sobre o naufrágio que viveu antes da viagem com Amyr, quando trabalhava num navio pesqueiro. Ele e mais 7 tripulantes foram encontrados por um avião da FAB a 500 km de onde o navio naufragou, dias depois. Enfrentaram todos os tipos de intempéries, tempestades, alucinações e desespero no bote e enfim foram socorridos. Foi um renascimento para Alex e seus companheiros. E quando se reúnem, Alex e Gibrail Rameck Júnior, Presidente do INP, sempre relembram a viagem a bordo do Paratii 2, as baixas temperaturas e a saudade da família que ficou em terra.
Foi um dia de muita interação, despertando a curiosidade dos alunos que fizeram perguntas e ficaram encantados. Faz parte da metodologia do programa de aulas do INP proporcionar esses encontros e momentos de vivência para as crianças e jovens. Contamos com a presença de amigos e parceiros do Instituto Náutico, como Sr. Jacek da Associação Cairuçu, Luiz Gatti do Condomínio Laranjeiras e familiares dos alunos.
Bons ventos!
(Paraty Online, 13/03/2011).
ÍNDICE
. Izabel finaliza a Transat 6,50 2009.
. Eventos.
. Travessia pioneira do Atlântico em navegação solo.
. A Bandeira.
. Manifestações de apoio.
IZABEL FINALIZA A TRANSAT 6,50 2009
Ela chegou...
Izabel cruzou a linha de chegada no final da noite. Muitos jornalistas. O pontão foi tomado por uma orquestra local. O secretário de turismo na Bahia, Domingos Leonelli, fãs e os velejadores dos Minis, - vieram para comemorar a sua chegada ao Brasil. Caipirinha, buquê de flores, frutas frescas, champanhe... Tudo estava lá para comemorar merecidamente a dama das 4 travessias do Atlântico.
Grand Pavois Organisation, comitê organizador da regata.
Veja a matéria.
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EVENTOS
TRAVESSIAS DO ATLÂNTICO
Terceira travessia do Atlântico: ‘Paraty ao Golfo de Biscaia’
Travessia monitorada pela OnixSat Telecom.
A terceira travessia do Atlântico, Paraty ao Golfo de Biscaia, foi monitorada via satélite pela OnixSat Telecom. As regatas qualificatórias visando participar da Transat 6,50 Charente-Maritime/Bahia 2009 foram acompanhadas pelos respectivos organizadores dos eventos. A Izabel Pimentel continuará contando com o prestígio da OnixSat Telecom toda vez que participar de outros eventos, inclusive de sua volta ao mundo que acontecerá em breve.
Segunda travessia do Atlântico: ‘Mar Mediterrâneo a Paraty’
Veja a matéria.
Primeira travessia (pioneira) do Atlântico: ‘Canal da Mancha a Paraty’
Veja a matéria.
PARTICIPAÇÕES EM REGATAS
XIV Regata Salvador-Ilhéus
Izabel no veleiro Spirogyro.
Regata Oceânica Internacional Recife-Fernando de Noronha
Participação de Izabel na XX Refeno.
LANÇAMENTO DE LIVRO
Lançamento do livro ‘A Travessia de uma Mulher’
Livro que descreve a travessia pioneira do Atlântico, em navegação solo, realizada pela Izabel Pimentel.
O livro “A Travessia de uma Mulher”, editado pela Objetiva, foi lançado na Casa da Cultura de Paraty e, posteriormente, na Livraria Argumento, no Leblon. É encontrado nas principais livrarias do país.
MÍDIA
Entrevistas e vídeos
Veja.
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TRAVESSIA PIONEIRA DO ATLÂNTICO EM NAVEGAÇÃO SOLO
IZABEL FAZENDO HISTÓRIA
Izabel cruza o Atlântico num mini-transat 6.50
Cinco séculos se passaram. E a nossa Izabel Pimentel, mato-grossense, analista de sistema e navegadora por paixão e espírito de aventura, partiu de Lisboa, em busca da realização de uma façanha ainda não realizada por nenhuma outra brasileira.
Ela tem experiência de vela e outros esportes náuticos. De caiaque percorreu grande parte do litoral do Brasil, e toda a costa de Portugal e uma parte da Espanha, sempre em solitário. No livro editado e lançado pela editora Termo Aventura, - Brasil e Portugal a Remo, - a Izabel Pimentel narra essas incursões pelo litoral, passando dias seguidos em alto mar, parando apenas à noite para descansar, e dormindo em sacos ao relento, nalgum canto de praia deserto que ia encontrando em seu trajeto.
Sua nova aventura tem muito da história do descobrimento do Brasil.
Partindo de Belém, em Lisboa, numa segunda-feira, dia 9 de março de 1500; 44 dias depois, a esquadra, comandada por Pedro Álvares Cabral, que se dirigia para as Índias, avista terra “... um monte grande, muito alto e redondo e outras terras mais baixas ao sul...”. Era “... a horas de véspera”, numa tarde de quarta-feira, 22 de abril. Ao monte chamou “Monte Pascoal e à terra - Terra de Vera Cruz”. Supôs tratar-se de uma ilha. Dez dias, após, seguia seu destino para Calicute, Índia, onde deveria instalar um entreposto comercial.
Através de seu escrivão, Pero Vaz de Caminha, fez chegar ao El Rei Dom Manuel, o Venturoso, a notícia do “achamento” da Terra “... de tal maneira e graciosa que, querendo aproveitá-la, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Os nativos que encontrou na região eram uma gente simples, gentil e de costume inusitado, pois viviam “nus, sem nenhuma roupa que lhes cobrissem suas vergonhas”. A convivência foi pacífica e participativa. Na segunda Missa, rezada às vésperas da partida, dia 01 de maio, os silvícolas, já integrados com os visitantes, se fizeram presentes e participaram do ato religioso, oficiado pelo Frei Henrique Soares (de Coimbra).
A travessia do Oceano Atlântico teve como ponto de partida a Marina de Cascais, em Lisboa, não exatamente a praia do Restelo, em Belém, como pretendera. As condições de trafego no rio Tejo não lhe permitiram deslocar o pequeno barco à vela até a frente do Padrão dos Descobrimentos. Lá estivera, anteriormente, em sua excursão de caiaque.
A Izabel utiliza um pequeno barco à vela, um Mini-Transat Proto Berret, de 6,5 metros de comprimento, construído em 1987 por Yves Dupasquier. Um barco francês comprado em Saint Quay-Portrieux, Bretagne, França, com o qual fez essa travessia histórica.
A primeira parada no Brasil estava prevista para ser no Arquipélago Fernando de Noronha. Problemas com os lemes, correntes e ventos contrários, findaram levando-a para o litoral de Fortaleza. De lá seguiu para a Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, localidade do resorte Costa Brasilis que patrocina o Projeto Atlantic Freedom. No caminho fez escalas numa das plataformas da Petrobrás, na área de Pescada, a PPE-1A, e em Natal.
Embora o percurso seja marcado pela travessia do Atlântico, a Izabel já fez um trecho de 910 milhas náuticas, em 10 dias, levando o barco de Saint Quay-Portrieux até a Vila de Cascais, Lisboa, trajeto em que pegou calmarias e tempestades. “O vento e a corrente contra e o aumento da ondulação, de 3 a 4 metros, fazem o casco bater com violência na água. O vento oscila entre 20 e 25 nós. O mar já apresenta ondas arrebentando e lavam o convés.” Descreveu em seu diário. Mas nada que a amedrontasse.
Ela levou filmadora e máquina fotográfica para registrar o evento. Tem equipamento de GPS para se orientar e Iridium, telefone via satélite, com o qual se comunica em fonia.
A Izabel não contará com um escrivão para narrar sua aventura. E nem pretende se passar por uma nova desbravadora de mares e oceanos, como heroicamente fizeram os grandes navegadores da História, dentre eles Pedro Álvares Cabral. Sempre foi o seu sonho atravessar o Oceano Atlântico em solitário, ao tempo que quis contar pontos para a Mini-Transat 2007. Ela própria irá escrever a travessia, lançando um novo livro brevemente. O destinatário do livro não será o El Rei Dom Manuel, o Venturoso, mas os seus leitores. E a terra, já descoberta, também não é a “Ilha de Vera Cruz”, como imaginaram Pedro Álvares Cabral e sua tripulação; mas o nosso decantado país, dos sonhos dos brasileiros, que todos os dias tentam redescobri-lo, cercando-o de todo o carinho e ávidos de dias melhores, de prosperidade e
felicidade!
É a Bel, e seu feito, modestamente reafirmando o valor da mulher brasileira, que todos os dias prova que não é o sujeito secundário da história, mas o agente propulsor, que ao lado do homem, constroem, juntos, este “Brasil, meu Brasil brasileiro”, como disse o poeta!
José Geraldo Pimentel
Rio de Janeiro, 10 de julho de 2006.
Quem é a Bel
Izabel Pimentel é natural do Mato Grosso do Sul. Graduou-se Analista de Sistemas na Universidade Federal Fluminense.
É no Brasil, uma das atletas com maior percurso navegado a remo e em solitário. Remou, contra a corrente, de Santos a Vitória, um pouco mais de 1000km. O litoral sul da Bahia, cerca de 800km.
Na Europa, remou toda a costa Portuguesa, de Caminha até Vila Real de Santo António, 840km. Na Espanha, do Rio Guardiana, divisa Portugal-Espanha, até a cidade de Tarifa, Estreito de Gibraltar, mais de 300km.
Em barco à vela navegou grande parte do litoral brasileiro, Costa Portuguesa e o Mediterrâneo.
Trabalhou como skipper na costa brasileira e na escola de Vela Lusa, em Lisboa.
Este ano de 2006, antes da travessia do Atlântico em solitário, navegou de Saint Quay, França, até Lisboa, Portugal.
Izabel a garota do mar
Nas águas mansas,
Do azul do mar,
O barco vai deslizar
Na luz sonâmbula da manhã.
Na primavera... o barco vai navegar.
O mar meu grande amigo!
Nas ondas vou velejar,
As correntezas me açoitam.
Nas asas, tontas da luz,
Ecoam fortes guinchos das gaivotas no ar,
E no meu peito saudade e solidão!
Silêncio... espanto e medo!
A felicidade renasce,
Quero tudo ver e encontrar!...
A pureza deste mar,
Deste céu para adormecer ao léu.
E meu sonho realizar!
A noite chega cabreira,
Sob o céu constelado,
E o silêncio mudo e profundo.
Ouço meu grito,
E o imenso gemido do vento,
Com os meus cabelos a brisa brinca,
No mar de ondas distante.
(Autora: Marlene Pimentel Cerqueira).
Carta de Pero Vaz de Caminha, Wikisource.
Aquarela do Brasil - Ary Barroso (1939).
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A BANDEIRA
“Bandeira do Brasil que a brisa beija e balança, estandarte que à luz do sol encerra as divinas promessas de esperança...”
Cantam em versos e prosas os poetas.
A bandeira repousava sobre uma prateleira especialmente preparada para servir de vitrine, na porta de entrada da exposição fotográfica comemorativa dos quinhentos anos do descobrimento do Brasil. O arranjo lhe conferia um lugar de destaque, ao lado de fotos e objetos. Fotos de gente e de objetos da terra distante que ficara do outro lado do oceano.
Aquele espaço sagrado representava a alma de um povo nobre, bom, trabalhador, que honraria qualquer nação que o tivesse filho. Todos os que por aquele corredor estreito passassem, sentiam alguma coisa de vibrante, forte, que penetrava na pele, corria nas veias, e apertava o coração. Se era um brasileiro, não deixava de escorrer uma lágrima na face. E um português, exultava pela lembrança de ser o pai de tão distinta e altaneira nação. A nação brasileira que os portugueses descobriram e amavam como se fora a sua segunda pátria!
Logo ao pisar a soleira do grande salão, os olhos batiam num quadro que mais se parecia uma gravura. Uma gravura de índios pataxós, alinhados a frente de uma cruz de ferro, grande, plantada sobre uma base de mármore. Essa cruz simbolizava a Primeira Missa que fora celebrada no dia 26 de abril de 1500, às ordens de Pedro Álvares Cabral, e oficiada por Frei Henrique (de Coimbra). Esse evento ocorreu no Espaço dos Descobrimentos, na Vila de Cascais, em Lisboa, no dia 7 de setembro do ano 2000.
Um mês depois, na casa em que o almirante português morou (Casa do Brasil/Pedro Álvares Cabral), em Santarém, a bandeira ganharia um novo destaque, posta cuidadosamente sobre um balcão ao lado da bandeira irmã de Portugal. Era uma reprise da exposição, que contou com a organização e coordenação do presidente da casa, Senhor Duarte Nuno Pinto da Rocha.
Essa exposição itinerante foi levada para Portugal sob os auspícios de uma jovem brasileira.
A bandeira a acompanharia em outras ocasiões importantes. Uma aconteceria na Espanha na passagem do ‘Brasil 1’, durante a competição Volvo Ocean Race. Na ocasião da Copa, em Portugal, lá ela marcava a sua presença; nas mãos e coração dessa jovem brasileira, nos jogos do Brasil, ou quando a nação irmã disputava uma partida. De avião retornaria a sua pátria. E de avião fazia a viagem de volta. De volta para ser a única bandeira a cruzar o Atlântico tremulando no mastro de um Mini-Transat, Open 6.5, conduzido por esta mesma mulher, que a ama e a tem sempre perto de si. Uma viagem solitária, deslizando sobre ondas, vencendo tempestades, perigos e solidão. Bandeira e jovem alcançariam 42 dias passados da partida de Lisboa, - a terra de Iracema, a jovem dos “lábios de mel”. Morenas e belas: Iracema e Bel se encontraram e se abraçaram e se entrelaçaram com o verde, o azul, o branco e o amarelo da bandeira mais charmosa, entre tantas mil bandeiras, todas lindas, mas esta a única que carregou nos braços, no moral, no “vamos, não podemos ficar pelo caminho”. “O Brasil nos espera!”
A batalha para vencer a distância e os problemas com o barco, deixaram a Izabel com dez quilos a menos. Mas cheia de ânimo, e pronta, tão logo sejam providenciados os reparos, a seguir viagem. Sua bandeira está maltratada, as bordas rotas, precisando de um descanso. Mas a acompanhará até Santa Cruz Cabrália. Futuramente será substituída por uma nova. Não cairá no esquecimento. Espera-a um lugar especial, construído com carinho, onde ficará guardada e cultuada pelos tempos a fora!
A Izabel ainda distante dos familiares guarda saudades de um outro amigo: seu felino malhado. “Beijos no meu Bes. Faz carinho nele por mim.”
“- 500 anos, Copa, ‘Brasil 1’ e Bel. Demais!” Diz com orgulho a Izabel.
José Geraldo Pimentel
Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2006.
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MANIFESTAÇÕES DE APOIO
“Se plantarmos para um ano, devemos plantar cereais.
Se plantarmos para uma década, devemos plantar árvores.
Se plantarmos para toda a vida, devemos treinar e educar o homem.”
Kwantsu, III a.C.
Bel,
você acaba de plantar, em cada um de nós, que te conhece, que te acompanha, ou, que de ti só ouviu falar, uma semente.
A semente da coragem, de que somos capazes, todos, de realizarmos nossos sonhos. Que somos capazes de vencer as adversidades, que surgem, justo, para os que buscam seus sonhos.
A semente de que a vida é grande, como o mar, como o sol, e podemos torná-la vibrante e enorme, preenchendo cada espaço de tempo, com nossas realizações, adversidades, alegrias e vitórias.
A semente da perseverança, perseverança de quem faz anos, se tornou amiga do mar, companheira e admiradora.
Faz muito tempo, que a vi, com um Atlas na mão e um papel na outra, preparando esta viagem.
E hoje, o mar, o vento, o sol, a lua, e os animais ao redor, lhe recepcionam e torcem juntos de todos nós.
E que agora, estamos com mais vontade, de realizar nossos projetos, diante do seu exemplo. Um exemplo que ficará na história. O exemplo dos que superam os seus limites pelo seu ideal. Exemplo para cada um de nós tem uma Travessia pela Vida.
Parabéns, e parabéns, por dizer, que faria tudo de novo!
Kátia Duarte Pimentel.
Continuamos a torcer
A Bel elaborou o projecto com alguma atenção. Por falta de honra e dignidade de alguns elementos (refiro-me ao meu compatriota que lhe negou a venda do barco, dias antes da partida), refiro-me a quem lhe demora tanto tempo a equipar devidamente a embarcação, refiro-me aos franceses que a trataram mal e demoraram tempos infinitos a montar o equipamento,... com esses atrasos todos, foi o 'BARCO' possível.
A Bel tem contratos com patrocinador que já deu provas mais que efectivas querer honrar até ao fim. E isso, é digno de orgulho de todos nós e muito mais de todos os brasileiros.
E, sendo assim, definiu um timing limite para largar de Portugal, que acabou por ser no Nordeste francês,... navegou, mais não sei quantas milhas, atravessou o golfo da Biscaia que com a sua placa tectônica assusta tanto como o Horn,... fez a costa portuguesa debaixo de um nordeste que entra pela popa e não dá sossego,... fez os nevoeiros da minha costa que assustam qualquer um,... não parou o que seria mais fácil na ilha da Madeira... fez a travessia.
Que mais se pode exigir,...
As viagens deste tipo dividem-se em duas fases... a navegação até à aterragem e a pilotagem... que aceite um cabo na entrada de um porto,... é como meter o carro na garagem depois do Paris-Dakar. O Serviço está praticamente feito e com todas as adversidades e erros, e teimosias, e confusões,... só temos que sentir orgulho, carinho, e respeito pelo exemplar único que eu tenho a alegria de ser AMIGO; que eu tenho a honra de ter gravada a mensagem no meu celular do meio do
Atlântico...
Um abraço a todos os que se sentiram tristes, nervosos, ansiosos, alegres, esperançosos,... a todos os que sentiram... nem que fosse um arrepio frio em busca nervosa de uns créditos de um iridium. Nós, botequeiros, estivemos sempre lá, com críticas, com sugestões, com dúvidas e isso, quando ela ler, calmamente,... vai sentir uma alegria enorme nos amigos.
José Carlos
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Editor do site:
José Geraldo Pimentel
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