Data: 8/9/2010
Izabel Pimentel, a primeira brasileira a cruzar o Atlântico em navegação solo.
 
LA CHARENTE-MARITIME/BAHIA TRANSAT 6,50 2009


2.ª Etapa – Funchal a Salvador

Funchal, Ilha da Madeira, 3 de outubro de 2009.

FUNCHAL, MADEIRA, a SALVADOR, BAHIA
- Partida segunda etapa: Funchal/Salvador, sábado, 3 outubro. 14:02 h locais (10:02 h, horário de Brasília).
- Distância: 3100 milhas.
- Chegada estimada do primeiro concorrente: terça-feira 20 outubro.
- Premiação segunda etapa: quinta-feira, 29 outubro.

Izabel se aproxima de Salvador

Costa do Nordeste, Recife, PE, 26 de outubro de 2009, segunda-feira, 19 hs (horário de Brasília).

Distância da linha de chegada: 357,55 mn.
Deslocamento do barco:: 6,79 nós.
Colocação no tipo Proto: 28.º lugar.

A regata LA CHARENTE-MARITIME/BAHIA TRANSAT 6,50 2009 contabiliza os últimos participantes na linha de chegada. Para a Izabel, embora a regata em si tenha iniciado no dia treze de setembro, - largando de La Rochelle, França, com passagem por Funchal, Ilha da Madeira, Portugal, - ela já buscava o seu lugar ao Sol desde o dia 11 de janeiro quando deixou a cidade sul fluminense de Paraty, em busca da realização desse novo sonho: ser uma das participantes da regata. A única brasileira a representar o Brasil, convidada que fora pelos organizadores da regata, o comitê francês Grand Pavois Organisation (GPO). Mas ralou para se qualificar e transformar o convite em realidade. Pilotou o barco, o Petit Bateau, desde Paraty até o porto de Pornichet, no sudoeste da França, no Golfo de Biscaia, Atlântico Norte.
Quando partiu deixou uma mensagem que termina assim: “Hoje volto ao mar. Com um objetivo: Vencer. E descobrir que a vitória é muito mais que chegar na frente. É o sorriso de saber que você conseguiu chegar no seu limite. Venceu o medo, venceu a angústia; e se permitiu vencer.” Seu barco não lhe deu possibilidade de estar entre os primeiros no final da competição. Mas está chegando vitoriosa porque acreditou que podia competir, mesmo sabendo que não lograria uma boa colocação.
Seu barco carrega um spi com as cores do Pavilhão Nacional: verde, azul e amarelo. É diferente dos demais. É conduzido por uma brasileira de pés descalços, como tantos outros atletas que superam as dificuldades, carregando no peito o espírito de brasilidade, que os fazem não desistir nunca.

Fernando de Noronha sinaliza a proximidade da costa brasileira

Arquipélago Fernando de Noronha, 24 de outubro de 2009, 09:40 hs.

Dois dias após cruzar a Linha do Equador, a Izabel encontrava-se hoje, dia 24, sábado, por volta das 09:40 hs, a 78 mn do arquipélago Fernando de Noronha. Antes, acima da Linha do Equador, experimentara o prazer de navegar em águas territoriais brasileiras, passando a Leste do arquipélago de São Pedro e São Paulo, o ponto mais distante de nossa costa, em pleno oceano Atlântico.
A aproximação do arquipélago Fernando de Noronha traduz um marco na história de sua primeira travessia do Atlântico. Nessa travessia ainda bem antes da Linha do Equador o barco ficou à deriva, após quebra dos dois lemes, um deles chegando a se desprender das ferragens. Na impossibilidade de aportar emergencialmente no arquipélago de São Pedro e São Paulo, o local mais próximo do acidente, chegar em Fernando de Noronha passou a ser a sua prioridade. Lá teria as condições de reparar o barco, e realizar o sonho de conhecer a ilha, um paraíso ecológico no roteiro de todo navegador que cruza o oceano Atlântico nas imediações da Linha do Equador. É uma espécie de Arquipélago dos Açores no Atlântico Setentrional (passagem obrigatória para europeus e americanos), e Ilha Santa Helena (trajeto entre da América do Sul, Sul da África, Índia, Austrália, etc.), no Atlântico Meridional.
Sem os lemes a Izabel não conseguiu alcançar Fernando de Noronha, sendo levada pelas correntezas do mar em direção ao Oeste, apontando para o Caribe. Com muita técnica e usando de meios de fortuna, desviou o barco na direção da costa do Nordeste. O arquipélago ficou a sua esquerda, e desembarcou em Fortaleza. O desembarque na praia de Iracema contou com a ajuda da Marinha do Brasil, que alcançou o barco próximo à costa e o rebocou até o continente.
O percurso entre a Vila de Cascais, em Lisboa, e Fortaleza (trajeto da primeira travessia do Atlântico) durou 42 dias.
Izabel continua na regata Mini-Transat 2009 em 28.º lugar, capitaneando o último bloco da frotilha. Sua velocidade se mantém na faixa de 5 a 6 nós, o que assinala para uma chegada em Salvador no final da próxima semana.

Izabel cruza a Linha do Equador, e fica mais próxima de Salvador

Linha do Equador, 22 de outubro de 2009.

Cruzar a Linha do Equador é um momento especial para qualquer navegador, principalmente quando se o faz pela quarta vez, em travessias em solitário, pilotando barcos minúsculos de apenas 6,5 m (21 pés) de comprimento. A primeira vez que aconteceu na vida da Izabel, ela recebeu uma visita inesperada de uma ave negra, que posou sobre o convés, e lhe fez companhia por uma longa noite. Navegadora e ave se olhavam silenciosas, respeitando o espaço de cada uma, e admirando-se uma a outra como velhas companheiras. Desta vez a ave não esteve presente. Mas a lembrança não foi esquecida. Acresceram-se a ela outros fatos também dignos de ser rememorados.
A Izabel está de volta ao Brasil envolvida na regata, a LA CHARENTE-MARITIME/BAHIA TRANSAT 6,50, uma das mais concorridas e disputadas do mundo da vela. Para chegar a este momento a Izabel deixou a sua cidade sul fluminense, Paraty, no dia 11 de janeiro deste ano, levando o seu barco, o Petit Bateau, pelos caminhos da costa do Brasil, com uma parada emergencial no Espírito Santo, parada técnica em Salvador e desfile pelos mares da costa brasileira até depois da última esquina do estado do Amapá, quando deu um bordo para a direita e seguiu rumo ao Arquipélago dos Açores, finalizando a jornada em Pornichet, Golfo de Biscaia, sudoeste da França. Lá iniciaria as regatas qualificatórias que a habilitariam a participar da regata que ora a trás de volta para a sua terra natal.
Neste momento a Izabel está na 28.ª posição da série de barcos Proto. No seu encalço vem quatro concorrentes. Mas o grande vencedor da regata cruzou nesta manhã a linha de chegada em Salvador, Bahia. A Izabel ainda está há 983,87 mn do vencedor, o francês Thomas Ruyant, com seu barco Faber France. Enquanto escrevia este texto o segundo colocado não cruzara ainda a linha de chegada. Mais atrás, no tipo de barco Série, o português Francisco Lobato, ganhador da primeira etapa - La Rochelle a Funchal - mantinha-se em terceiro lugar.
Há muito chão pela frente. A Izabel tem mantido uma média de 5 a 6 nós de velocidade, enquanto a maioria dos concorrentes chegam a se deslocar a 8 e 9 nós, alguns tendo alcançado 11 e 12 nós. A morosidade do barco da Izabel, o Petit Bateau, prende-se em primeiro lugar ao excesso de peso, que o tira da possibilidade de competir em igualdade de condições com os outros barcos. Nada menos do que cerca de 300 quilos de excesso de peso só na estrutura do casco. Um erro de interpretação do projeto deixou o barco fora dos padrões normais de competitividade. Outro erro de construção está na engrenagem de comando dos lemes, dificultando as manobras, levando a Izabel à exaustão, causando-lhes fortes dores nos braços, quando é obrigada assumir manualmente o controle dos lemes. O piloto automático não corresponde ao esforço a que é submetido. Precisaria ter sido trocado por um mais possante, capaz de segurar os lemes numa tempestade. Tirando estes problemas, a viagem da Izabel, desde que deixou o Brasil, tem sido uma festa. Virou a estrela da competição por onde passa. Todos querem ver e falar com a brasileirinha que fez três travessias do Atlântico em solitário. Imaginam ser uma garota de corpo atlético, forte; e se surpreendem ao ver uma mulher frágil, capaz de pedir ajuda para alçar a âncora presa no fundo do mar. Mas é valente, destemida e corajosa. Seus problemas existem só no momento exato em que acontecem, para logo encontrar uma solução e seguir em frente. Muitas situações de risco enfrentou nestas travessias. Duas vezes o barco encheu de água, com furo na estrutura do casco, ao romper uma das caixas das bolinas, e quando a caixa da quilha quebrou, tudo em alto mar. Duas vezes durante tempestades o mastro deitou, encostando no leito do mar. Na partida da Vila de Cascais, em Lisboa, quando iniciava a primeira travessia do Atlântico, ela desviou-se de um navio, e jogou acidentalmente o seu pequeno barco contra a lateral de outro navio. Não ocorreu a colisão porque o volume de água do navio que se deslocava a sua frente, mudou a trajetória do seu pequeno barco. No desespero ela quase se atira n’água, só não acontecendo porque o cinto de segurança a deteve. Por estranha coincidência o seu gato de estimação, um das dezenas que cruzou o seu caminho, o Bes, naquele momento saltava do sétimo andar de um prédio no Rio de Janeiro. A saudade de sua dona o levara ao desespero. O incidente foi mantido em segredo até a sua chegada ao Brasil. Neste dia, após a entrada festiva em casa, ela gritando: “Bes. Bes. Meu querido!” Correu o apartamento inteiro e não encontrou o seu gato de estimação. A verdade lhe seria dita quando entrou no quarto. Desabou num choro! Mas o dever a chamava. Tinha uma entrevista marcada para aquela noite. E lá se foi; e apareceria na tela de televisão. Não permitiu que a sua dor suplantasse o seu dever profissional. Voltou a chorar em casa! Esta é a Izabel que eu conheço. Ela não chegará entre as primeiras colocadas nesta regata. Mas terá realizado um de seus sonhos: “Não se pode deixar de realizar o que ficou para trás!” Disse quando não conseguiu participar desta mesma regata em 2007, em função do barco não ter sido aprovado pela comissão de vistoria da regata. Fez os reparos possíveis, e largou na regata mesmo sabendo que não logrará uma boa colocação. Mas o que é uma boa colocação para quem desafia os mares sozinha, enfrenta tempestades, ondas gigantes, calmarias, e está sempre de volta ao seu porto seguro, a sua Paraty. A cidade que a faz menina, que se banha nas águas do rio Pere-quê Açu, navega de canoa, de caiaque e de barco, não importa que seja um grande veleiro ou um simples trasant Petit Bateau!

José Geraldo Pimentel

Um barco vai singrando os mares em busca de seus sonhos

“Um barco vai singrando a costa brasileira. Leva uma guerreira que sonha, que não desiste de seus sonhos! Será atendida em suas preces?” Assim a Izabel deixou o Brasil em busca da realização de seu grande sonho: participar da LA CHARENTE-MARITIME/BAHIA TRANSAT 6,50 2009. Após qualificar-se duas vezes, pode, finalmente, singrar o Oceano Atlântico de volta ao Brasil, na certeza que não fará
feio.
Partiu da França para chegar a Salvador carregada nos braços de todos os santos, protegida por Iemanjá, abençoada pelo Senhor do Bonfim. Nesta primeira etapa da regata chegou a Funchal, Ilha da Madeira, e foi bem recebida pelos portugueses com direito a hospedagem no melhor hotel da ilha, o Dom Pedro Hotels, e a missão de representar os navegadores portugueses e a ela, brasileira, nesta passagem pela terra lusitana.
- Me colocaram em um hotel, com alimentação. Além de ser convidada para todos os eventos como representante também de Portugal.
Izabel é uma brasileirinha de pés descalços, guerreira; que navega, que anda pelas ruas, que já entrou na igreja como madrinha de casamento descalça, sempre descalça, pela necessidade de provar a si mesma que naquele instante, pelo menos naquele raro momento, está pisando em terra firme.
“- O mar será sempre a minha estrada!” confessa para os amigos.
Mas ela sabe se transformar em uma princesa, tão harmoniosa para a ocasião, que irradia luz em torno de suas vestes cuidadosamente confeccionadas pela grife La Fille. A platéia grita: “Isabela!” Ela sorri! Seu sorriso espontâneo é sua marca registrada. A todos cativa e faz seus amigos!
Na primeira tentativa deixou o Brasil com patrocínio e apoio técnico, mas mesmo qualificada, não pode participar da regata por incompatibilidade do barco e as normas de segurança exigidas pelos organizadores da regata. Voltou este ano com poucos recursos financeiros, mas disposta a contornar todos os problemas.
Ela “iria à Lua se uma vela pudesse ser impulsionada pelos sonhos!” E está na competição.
Não faltaram os amigos para ajudá-la; e nem incentivo de seus familiares!
Mas as dificuldades têm sido as suas companheiras.

Diálogo travado dias antes da largada de La Rochelle.
- Difícil. Arrumar o barco, fazer tudo sozinha. Não to conseguindo um lugar para fazer os adesivos e pintar a vela.
E queixa-se.
- Não posso escrever hoje. Tenho que arrumar o barco.
A Izabel vive arrumando o barco.
Chama-me de paparazzo porque não consigo esconder certas confidências. Certas. Não todas!
- Não escreve nada do meu desabafo. Estou muito estressada.
Incentivo.
- Vida de peão é assim mesmo. Queria o quê? Boa vida!
- O problema que aqui tudo é complicado. E caro!
Brinco.
- Quer um cafezinho para se animar?
- Não. Merci.
- Saiu de Paraty... e chegou onde está, estrela da competição antes da largada!
Anima-se.
- Vou tomar uma taça de vinho pra relaxar e escrever. Nossa, falta muito pouco!

No domingo, dia 27, a Izabel curtiu a estadia em Funchal.
- Dormi a manhã toda, e a tarde fui ao futebol. Foi super legal. Fui uma vez atacante, até a bola entrou no gol mas bateu na minha mão e não valeu. Depois fui goleira. Mais difícil. Morrendo de medo de me machucar. Me defendia mais do que o gol. Rs
Os dois times tinham cinco mulheres e seis homens de cada lado. As mulheres jogaram de saias, vestidos, do jeito que estavam.
- Quantos frangos engoliu?
- Um monte. Melhor no ataque, pelo menos não atrapalhava.
Lembrou-se de seu bichano Petit Eric.
- Só quero uma coisa agora: voltar para Paraty e achar o meu Petit.
E despede-se.
- Voltando para o barco

Quarta-feira, 30 de setembro.
- Comprei o equipamento para subir no mastro; só que não consegui subir. Difícil. Fico com medo. Aí pedi a um rapaz para me ajudar. Arrumei o mastro. Mas é bom ter. Se acontece alguma coisa lá fora tem como resolver. Eu subi. Mas não sozinha. Com alguém puxando a corda. É bom ter para treinar para a volta ao mundo. Lógico. Só queria subir sozinha sem a ajuda de ninguém. Já que lá no meio do mar vou tá sozinha. Bati uma adriça no meu dente. Putz. Ainda bem que não quebrou. Só faltava essa.
Dei uma de indiscreto.
- Já consegue içar a âncora do barco?
- Não consegui só uma vez. Em Cabo Verde.
- Agora consegue?
- Lógico. Daquela vez foi que tava fundo. A ancora não agarrou. Ontem comprei comida. Gastei 120 euros. O barco tá abastecido de rango para a travessia. Agora só falta água e umas pequenas coisas, e ir embora.
Comenta sobre a dificuldade com a Internet.
- Aqui tá muito ruim enviar fotos. Cai o tempo todo. O hotel já me liberou um computador, mas ainda não tive tempo. Hoje só volto pra lá depois das sete (19 h). Tá caindo uma super chuva.
- Está no hotel ou no barco?
- Perto do barco. Preciso terminar de arrumar o barco hoje. Só tó esperando a chuva passar para continuar o trampo.
- Usando uma lan house da marina.
- Não. To com o meu computador. Wifi. Aqui tem wifi. Caracas, tá uma chuva! Passou. Rs Uma nuvem bem carregada.

Diálogo travado na quinta-feira, 01 de outubro, dia de visita ao barco, conferência de imprensa, premiação e festa.
- A instituição foi no meu barco. Mas vieram só 2 crianças e uma jovem.
Refere-se à ‘Associação Abraço’, crianças portadoras de AIDS. A conversa aconteceu no horário da manhã (Horário de Brasília), mas logo a seguir surgiam outras crianças, fazendo a alegria da Izabel.
- Foi super legal. Dei uma fitinha do Bonfim para cada uma. Entramos no barco. Foi mesmo legal. Foram poucas crianças da instituição, pois as aulas começaram.
Mas foi bonito. Simbólico
Fala de como se sente emocionalmente na ante-véspera da largada.
- O emocional é muito importante essa hora.
Diz sobre os últimos preparativos do barco.
- Hoje chega a água e só falta colocar um cunho na retranca e montar o pau (pau do spi). Já me entregaram. Falta montar no barco. Com mais 200 euros fecho as contas e deixo o barco em condições de partir. Comprei tudo. Faltaram umas frutas, mas ainda tenho dinheiro.
Mostra otimismo.
- Acho que nessa perna o Petit vai melhor.
Fico curioso em saber quais são os instrumentos e equipamentos permitidos durante a navegação.
- GPS, piloto, VHF. Nada mais. Cartas de navegação em papel. O GPS não tem ploter. São só pontos. Levamos sextante. Mas não utilizei. Não precisa. Temos GPS. Mais de um, no caso de um quebrar.
Prossegue.
- Arrumei o pau de spi e fiz algumas manutenções que achei importante.
Quantos veleiros acompanham a regata? Quis saber.
- São 7 veleiros acompanhadores. 2 são de 60 pés. O resto não sei se são maiores ou menores.
Fala sobre sua estadia na Ilha da Madeira.
- To tendo todo apoio da Madeira, mas não pude fazer turismo, pois estou trabalhando direto no barco para termos um rendimento melhor nessa perna.
Continua.
- Às 16 horas tem conferência de imprensa e à noite jantar.
Volta a falar sobre a hospitalidade na ilha.
- Os portugueses estão me tratando super bem. Ontem um português foi ao meu barco e ajudou a usar o SSB corretamente. O SSB é um receptor para ver previsão de tempo. Com o VHF podemos falar com a organização e com os outros competidores. O VHF é um rádio de comunicação. Pode falar até 25 milhas. Dá para falar com os barcos que estão perto.
Quis saber se a previsão do tempo é transmitida em português também?
- Não. Francês. Inglês. Eu me viro.
E completa.
- Vai ser legal. Hoje to feliz. Estamos conseguindo. Depois vamos fazer um belo livro. Em português e francês.
Digo.
- És uma vitoriosa.
- Ainda não. Mas se não fosse o senhor, o Uberto Molo e meus amores... Rs rs E temos o maior carinho onde passamos.
Falo sobre a largada.
- A largada é sábado. Muita adrenalina.
- Não. Quero preparar tudo e partir na boa. Vai ser contra vento por uns dois dias. Vento contra, na cara. A ida foram ventos favoráveis; só um dia tive vento contra. Todos ficam quase que iguais, na faixa de 6 a 7 nós. O meu leme atrapalha e ando um pouco mais aberto que os outros.
O tempo fecha na ilha.
- Chuva de novo.
Dá sinais de que quer terminar a entrevista.
- Vieram me chamar para comer. Aqui sou super bem tratada. Muito bacana por parte dos portugueses.
E lembra-se do navegador português, Francisco Lobato, que chegou em primeiro lugar no barco tipo Série. Um garotão de 25 anos que tem dado seu recado nesta regata. E faz um elogio para a jornalista Ana Lima. A Ana Lima faz parte da organização da regata na Madeira. É ela que faz a divulgação para Portugal de tudo o que acontece na regata.
Depois voltava a falar sobre os últimos preparativos para a segunda etapa da
regata.
- Vou comprar um pouco mais de comida e pilha.
A sexta-feira chegou e a Izabel não teve tempo para escrever um texto como prometera.
Hoje, sábado, dia 3 de outubro, recomeça a caminhada rumo a Salvador.

“Encontro com o Atlântico ...
Hoje às 14:02 h locais (10:02 h, horário de Brasília), será dado o tiro de largada da segunda fase ... 3100 milhas pela frente, até alcançar a fita de chegada em Salvador, Bahia.
Serão 83 velejadores que decolarão esta manhã ...”

Informa o site da organização da regata.
http://www.transat650.org/fr
 
 

 
 
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