Data: 8/9/2010
Izabel Pimentel, a primeira brasileira a cruzar o Atlântico em navegação solo.
 
Regata Oceânica Internacional Recife-Fernando de Noronha


Izabel desembarca, finalmente, em Paraty

Paraty, RJ, 20/10/2008.
Horário: 01h25

Percursos:
- Paraty - Abrolhos - Recife: 1.154 mn (2.137 km).
- Regata Recife (Marco Zero) à Ilha Fernando de Noronha (Porto Santo Antônio): 294 mn (544 km).
- Fernando de Noronha - Santo André - Paraty: 1.464 mn (2.710 km).
Total: 2.912 mn (5.391 km).

Cronometragem da Izabel na regata: 46:58:40 hs. (Segundo lugar na ‘Classe Aberta B’).

Depois do susto de uma rede de pesca que prendeu o seu barco, nas proximidades da ilha da Bexiga, a Izabel pode, finalmente, pisar os pés em Paraty. Por volta de 01h25 desta madrugada de segunda-feira, dia 20/10, o telefone tocou na casa de seus familiares e a Izabel gritava:
- Estou em terra.
Ficamos surpresos com a rapidez do socorro patrocinado pela Marina Porto Imperial. Não esperávamos que pudessem alcançar a Izabel e libertar a quilha do Petit Bateau que ficara presa numa rede de pesca, e ela chegar na marina, antes das cinco horas desta manhã.
- O barco socorro chegou rápido, cortaram a rede e me rebocaram até aqui. Meu amigo que ficara me aguardando na marina não agüentou a espera e foi embora. Agora vou providenciar um táxi e rumar para casa.
Participar de uma regata é muito mais do que competir. Há todo um trabalho de preparação, envolvendo uma maratona de viagens que supera em muito o percurso da regata, como foi o caso da XX Refeno. Muita gente se deslocou para Recife oriunda de terras distantes. Mas o que vale é a sensação de curtir uma ambiente de amizade, onde se revê velhos amigos e se constrói outros tantos. A Izabel curtiu muito essa participação na XX Regata Oceânica Internacional Recife- Fernando de Noronha. Esteve fora exatamente um mês e 22 dias. Fez uma ida até Recife sem problemas, com o tempo bom. O percurso da regata, Recife à Ilha Fernando de Noronha, transcreveu também com normalidade. Mas o regresso a Paraty não aconteceu de maneira a desejar. Choveu bastante, mar bravio em alguns trechos, e, como não poderia deixar de ser, não faltaram as tão indesejadas calmarias, algumas inusitadas, deixando-a boiando na passagem da entrada da baia de Guanabara e na Restinga da Marambaia. Aconteceu até uma rede de pesca que se emaranhou na quilha de seu barco, quando praticamente atingia seu ponto de chegada. Esse regresso a Paraty deixou a Izabel completamente exausta, e molhada por vários dias.
Na bagagem, duas premiações: segunda classificada em sua categoria (‘Classe Aberta B’); e um troféu por ser ‘A primeira e até agora única mulher a embarcar sozinha na Refeno’.
Agora é recuperar o peso, e partir para outras travessias no mar; em solitário, que é a sua especialidade. Na se sabe que o marujo que, excepcionalmente, a acompanhou nessa viagem, está disposto a novas aventuras. O gato Petit Eric promete que vai, pois adotou o lema de sua dona: “Que o mar seja sempre a nossa estrada!”

Uma rede de pesca segura o barco da Izabel

Baia de Ilha Grande, Paraty, RJ, 19/10/2008.
Horário: 23h55.

Quando parecia que teria de passar a noite na ilha da Bexiga, eis que o vento voltou forte e movimentou o barco. A Izabel logo vislumbrou a possibilidade de pisar em terra firme no início desta madrugada. O barco deslanchou na direção da ilha da Bexiga, deixando a ilha dos Mantimentos para trás. Mas só deslanchou; pois logo o barco teria os passos interrompidos bruscamente por uma rede de pesca estendida nas proximidades de uma bóia sem a sinalização adequada. A rede estava fixa a um metro de profundidade, e a quilha do barco tem dois metros. Resultado: Barco preso.
- Pensei que a marina não tinha barco a esta hora. Fiz contato e vem um pessoal me socorrer. Eu não vou mergulhar nesta escuridão para soltar linha de rede presa na quilha do barco. Dá para acreditar no que está me acontecendo! Finalizou rindo.
- Logo você vai poder estar em casa. Disse para animá-la.
- Não é com o senhor! Eu estou morta de cansaço.
A chegada do socorro, o desvencilhamento da rede e o tempo entre a ilha da Bexiga e a Marina Porto Imperial, não vai demorar menos do que umas quatro a cinco horas. Ou seja: terra firme só por volta das cinco horas da manhã. Cama e repouso só depois de concluídos alguns procedimentos na ancoragem do barco, recolhimento de materiais, e uma viagem de carro até o centro de Paraty. Sete horas de amanhã, segunda-feira, dia 20 de outubro, é uma boa estimativa para a finalização da maratona Paraty-Recife, Recife-Fernando de Noronha, Fernando de Noronha-Santo André, e, finalmente, Santo André-Paraty!
Izabel partiu de Paraty a fim de participar da XX Refeno no dia 28 de agosto, às 21h30 e conclui a sua participação no dia 20 de outubro. Praticamente dois meses de uma maratona de dias no mar, competição e muita amizade formada nesse tempo!
Mas ‘tudo vale a pena quando a alma não é pequena!’ - Fernando Pessoa.

Izabel passa pela Ilha Grande e se aproxima de Paraty

Baia de Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ, 19/10/2008.
Horário: 21h45.

A falta de vento está atrasando a chegada da Izabel a Paraty. Depois do último contato, feito às 16h10, quando cruzava à frente da Ilha Grande, ela voltou a se comunicar informando que sua chegada a Paraty seria atrasada. Estava a cerca de 5 mn da Ilha dos Mantimentos. O barco se arrastava, sem vento suficiente para movimentar as velas. O motor de popa, usado nestas situações de emergência, quando se avizinha de terra, não funcionava adequadamente. Estava esgotada de tanto ‘puxar corda’. Este regresso da ilha de Fernando de Noronha a tinha debilitado. A maneira como falava, bocejando, denotava que o sono andava junto com o cansaço.
- Estou acabada. O motor pega e desarma poucos metros adiante. Vou ver se chego até a ilha da Bexiga. Lá vou passar a noite. (A ilha da Bexiga fica logo depois da ilha dos Mantimentos).
- Vai baixar a âncora e dormir em terra? Quis saber. Izabel já morou uns tempos na ilha da Bexiga. Mas a idéia é apenas se abrigar na proximidade da ilha; para evitar o tráfego de embarcações que cruza a área.
- Vou dormir no barco. Amanhã cedo, se não surgir vento, pedirei apoio pelo celular.
A ilha da Bexiga fica localizada nas proximidades da cidade. A Marina Porto Imperial, para onde se dirigirá, está situada à margem da BR-101, do lado oposto do porto de Paraty.
Desde que deixara a Ilha Fernando de Noronha só pegou tempestade. Sua parada na Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, se dera por causa do mau tempo.
- Só porrada. Chuva o tempo todo. Essa situação se adensou nas passagens por Abrolhos e Cabo Frio. Em Maricá foi a vez da calmaria, que se repetiria na passagem da entrada da baia de Guanabara, onde fiquei boiando entre navios e outras embarcações. Quando cruzava pela Restinga da Marambaia seria surpreendida pela proximidade de um navio. Tentei me comunicar pelo rádio VHF, mas não obtive resposta. Ele passou bem perto de mim.
Este lance a Izabel contou meio sem graça, pois situação parecida lhe aconteceu em Cascais, Lisboa, quando partia em direção ao Brasil, em sua primeira travessia do Atlântico. Livrara-se de um navio, e jogara o seu barco em direção a outro que passava a sua frente. Quase aconteceu uma colisão.
A calmaria em alto mar é bem administrada, porque pode-se permanecer horas e até dias parado num mesmo lugar; sem o perigo da aproximação de outra embarcação.
- A calmaria é muito pior do que a tempestade. Comentou.
- E a alimentação. Fez comida hoje?
- Acabei de jantar. Creme de ervilhas com atum.
- E a bebida? Indaguei maldosamente, pensando num copo de cerveja bem gelada. Pinguço só pensa em cerveja!
Ela prontamente respondeu:
- E água.
Lembrei-me do gato Eric, e perguntei por ele.
- O Eric está aqui agoniado. Acabou a areia e ele não faz suas necessidades na terra suja. Está escondido querendo aprontar num cantinho qualquer. Eu estou de olho nele. Ele está fugindo de mim porque sabe que leva um fora quando sai da linha.

Izabel cruzando a baia de Ilha Grande à 20 mn de Paraty

Baia de Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ, 19/10/2008.
Horário: 16h10.

Após uma longa travessia de cinco dias, desde que deixou a Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, BA, a Izabel fez o seu primeiro contato, via celular, para os seus familiares, dando conta que passava pelas proximidades da Ilha Grande, em Angra dos Reis, RJ. Era exatamente 16h10, domingo, dia 19, quando fez o contato. Estava navegando pela baia de Ilha Grande, a 20 mn de Paraty.
O telefone tocara e ela se identificou:
- Mulher do mar! Disse brincando. Estou toda molhada. As mãos estão enrugadas de tanta água. Chuva e ondas varrendo o barco. Esta travessia de Santo André até aqui só foi porrada. Quando cruzei Cabo Frio as ondas chegavam a mais de 2,50 metros de altura. Já ao passar pela frente da entrada da baia da Guanabara, cessaram os ventos e fiquei boiando no meio dos barcos e navios. Não pude usar o motor de popa para me afastar do local porque ele voltou a pifar. Deve ser problema de água no circuito elétrico. Vou providenciar uma proteção também para o motor, para quando estiver funcionando. Completando o balanço: o GPS manual pifou. Só me resta o GPS instalado no barco; mas dependo da bateria, se não descarregar. Mas não tem problema daqui para frente. Estou praticamente em casa. Conheço esta região.
A Izabel fez contato também com seu amigo de Paraty, o Flávio, que irá esperá-la na Marina Porto Imperial, assim que desembarcar.
- Espero pisar em terra antes de escurecer.
A participação na XX Regata Oceânica Internacional Recife- Fernando de Noronha, teve um resultado excelente. Obteve uma segunda classificação em sua categoria (‘Classe Aberta B’); e mais um troféu por ser ‘A primeira e até agora única mulher a embarcar sozinha na Refeno’.

Izabel deixa Santo André em direção à Paraty

Píer Cojimar, Santo André, Santa Cruz Cabrália, 14/10/2008.

A Izabel deixou, terça-feira, dia 14, às 14:30 hs, a Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, BA, com destino a Paraty, RJ. Chegara no sábado, dia 11, após ter deixado a ilha Fernando de Noronha uma semana atrás. Enfrentara muita água e um “sueste tão forte, mais de 30 nós, vento e ondulação. Vento contra e apenas quinze milhas num dia”. Ficara com as roupas encharcadas, e não via perspectivas de melhoria das condições do tempo. Os gêneros estavam no fim. Faltava até a comidinha especial para o seu velho companheiro de altas travessias, o seu gato Petit Eric. O motor de popa também resolvera não pegar, deixando-a impossibilitada de atracar num caso de emergência. Uma parada no Costa Brasilis Resort, parceiro que lhe dera apoio no empreendimento da travessia do Atlântico, localizado bem perto por onde passava, era uma saída para a solução dos seus problemas. Já passara do Arquipélago de Abrolhos quando resolveu voltar. Deu um bordo e navegou em direção ao resort. Comunicou-se pelo VHF com o Rádio Farol de Abrolhos, e solicitou ao sargento Batista que entrasse em contato com sua assessoria no Rio de Janeiro, via telefone. A senhora Mikie Iwakiri, da cidade de Santa Cruz Cabrália, à essa altura não mais gerenciando o resort, que fora arrendado a outro grupo hoteleiro, foi acionada e tratou de dar o suporte à Izabel. Dos antigos proprietários restara o apoio náutico, Píer Cojimar. Mas lá não existiam mais os barcos e lanchas que atendiam a clientela do hotel. Só a presença de um barco pertencente a um morador da área, senhor Nando. A senhora Mikie pediu ao marido, senhor Alfredo, para junto ao barqueiro fossem esperar a Izabel na entrada do canal que leva ao pequeno porto. Não podiam ir mais longe, devido ao tamanho do barco.
Quando a Izabel se comunicara com o Rádio Farol de Abrolhos, a maré estava baixa, e só haveria condições de um barco de quilha entrar na barra no dia seguinte, após o meio dia, com o retorno da maré alta. A recomendação não chegou a ser repassada para a Izabel, porquanto ela perdera o contado com o rádio farol.
A passagem da noite foi de expectativa. Imaginava-se que a Izabel ancorara nas proximidades de Recife de Coroa Alta, aguardando apoio, como fizera na chegada em Santa Cruz Cabrália, após a sua travessia do Atlântico.
O sábado amanheceu sem notícias. Mas quando todos estavam preocupados com a maré que voltava a baixar, a Izabel aparecia na entrada do canal, depois de passar pela barra, “dando quinhentos bordos’. A explicação viria depois: Ao afastar-se do Rádio Farol de Abrolhos passou a se comunicar com o senhor Zimar, que respondeu aos seus chamados pelo rádio VHF. O Zimar é proprietário da lancha Alucinante. A Izabel não estava preparada para entrar na barra de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, pois não fazia parte de seus planos dar nenhuma parada em sua travessia da Ilha Fernando de Noronha para Paraty. Sem mapa era difícil cruzar pelos recifes da região. As dicas fornecidas pelo Zimar a ajudaram a cruzar a barra e alcançar a entrada do canal que leva ao Píer Cojimar. O Alfredo e o Nando plantados desde a madrugada no canal, completaram o apoio.
Às 17:34 hs a Izabel telefonava. Estava em terra firme passeando com a senhora Mikie.
A Izabel ficou hospedada em uma das casas do Píer Cojimar, onde foi muito bem tratada. “Cheguei a engordar!”, brincou.
Três dias de descanso, passeios pelo centro de Santa Cruz Cabrália e a criação de um software para indicação de variação de marés; não para ser instalado em seu notebook, que estava travado. Reabastecimento de gêneros alimentícios e gasolina nova para o motor de popa; a Izabel, finalmente, zarpou em direção ao seu porto seguro: sua Paraty das águas tranqüilas da Bahia de Ilha Grande.
Com a ajuda de um velho mapa da Marinha, e mais uma vez contando com o apoio do barqueiro Nando, driblou tranqüila os recifes, e se viu fora da barra. O saudoso Costa Brasilis Resort ficou para trás.
“Vou me afastar bastante da costa, como segurança. Depois traço uma diagonal direto para o Rio de Janeiro!” Explicou antes de partir. O seu companheiro de viagem, o gato Petit Eric, embora com apenas três meses de idade, considera-se um experiente marinheiro. Mas está com um problema existencial: não sabe se é mais feliz no mar ou em terra!

Izabel faz uma parada em Santo André, Santa Cruz Cabrália, BA

Rádio Farol de Abrolhos, Sul da Bahia, 10/10/2008.

Esta tarde, por volta das 15:40 hs, finalmente, tinha-se notícias da Izabel. Fazia exatamente 8 dias que ela deixara a ilha Fernando de Noronha na manhã do dia 3, sexta-feira, após a festividade de encerramento da XX Regata Oceânica Internacional Recife- Fernando de Noronha. Em princípio a Izabel deveria seguir direto para a cidade de Paraty, Rio de Janeiro. Mas a lembrança do Costa Brasilis Resort localizado em seu trajeto, na Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, Bahia, falou mais alto. O resort faz parte de sua história, pois foi um dos patrocinadores que viabilizaram sua travessia pioneira do Atlântico. O sargento Batista passou a informação quando ela se aproximava do Rádio Farol de Abrolhos. O contato foi triangular. A Izabel se comunicou com o Rádio Farol de Abrolhos via rádio VHF; e o sargento Batista passou a informação por telefone para a assessoria no Rio de Janeiro. Daí se agilizaram os contatos para a Vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, Bahia.
“- Izabel pede para entrar em contato com o Costa Brasilis Resort para que lhe dê um apoio, enviando um barco a fim de guiá-la até a costa. Ela alcançará a Vila de Santo André amanhã bem cedo.” E informava que ela estava sem mapa da região. O local realmente é de difícil entrada devido aos recifes existentes na área.
A solicitação foi passada para a Senhora Mikie Iwakiri, ex-gerente do resort, atualmente arrendado para outro grupo empresarial.
“- Enviarei um barco para recebê-la a manhã na entrada do canal. O barqueiro mora na região e irá esperá-la.”
A senhora Mikie quis saber qual o barco a Izabel navegava e o calado, tendo em vista o nível da maré, que amanhã, sábado, estará bem baixo.
“- Pede a ela para segurar até após o meio-dia.” Solicitou. “A Izabel ficará em uma das casas do Píer Cojimar. Ponto de apoio náutico que pertence ao Grupo Samadhi Hotels.” Esse grupo é o antigo administrador do Costa Brasilis Resort.
A casa em que ficará alojada não terá o conforto do Costa Brasilis Resort, da cozinha do maître Ivan, do SPA rejuvenescedor; mas é aconchegante. E para quem tem enfrentado um alojamento nada confortável como sua cama improvisada dentro da minúscula cabine do Petit Bateau, não deixa de ser agradável. Servirá para descansar uns dias e repor as energias. Seu companheiro de viagem, o marujo Petit Eric, um gatinho de 3 meses de idade, vai fazer a festa em terra.

Izabel Pimentel a caminho de Paraty

Izabel deixou a ilha Fernando de Noronha na madrugada da última sexta-feira (03/10/2008), horas depois da festa de encerramento da Refeno, direto para Paraty.

A velejadora Izabel Pimentel - nem tão solitária assim - pois agora tem a companhia de um gato em seu veleiro Petit Bateau, está a caminho de Paraty, no Rio de Janeiro. Izabel, 42 anos, foi um dos destaques da XX Regata Recife - Fernando de Noronha. Izabel deixou a ilha na madrugada da última sexta-feira (03/10/2008), horas depois da festa de encerramento da Refeno. Mas antes de ir embora, ela não resistiu a um belo mergulho de planasub - um esporte criado pelo engenheiro de pesca Leonardo Veras, onde o mergulhador usa uma prancha e é rebocado por um barco para observar o fundo do mar e dar piruetas debaixo d´água. O gatinho Eric ficou no barco, enquanto Izabel mergulhava e curtia a companhia de tartarugas, raias, moréias e outros peixes.
"- Só não vi tubarões, ainda bem! O mergulho foi perfeito." disse Izabel que não dispensou uma roupa de mergulho. "- Sinto muito frio lá embaixo." - completou.
Leonardo Veras acompanhou Izabel e os jornalistas que foram cobrir a regata.
"- Eu já conhecia a Izabel. Quando ela chegou da última travessia do oceano Atlântico, passou por Noronha e mergulhou de planasub pela primeira vez. É preciso coragem para velejar sozinha por aí." disse Leo.
(Refeno, 07/10/2008).

NOTA: A travessia entre o Arquipélago Fernando de Noronha e a cidade de Paraty, RJ, levará cerca de 12 dias. A viagem está prevista para ser sem escala. Se tudo correr bem como na ida para Recife, aportará na Marina Porto Imperial, na quarta-feira, dia 15.

MARINA PORTO IMPERIAL
Rodovia Rio-Santos, km 578 - Baía de Paraty, Paraty - RJ.
http://www.marinaportoimperial.com.br

Festa premia vencedores da Refeno

Porto de Santo Antônio, Arquipélago Fernando de Noronha, 01/10/2008.

A primeira e até agora única mulher a embarcar sozinha na Refeno, Izabel Pimentel, também foi premiada.

A festa de premiação dos vencedores da Refeno foi um sucesso. Começou por volta das 19h com show - voz e violão - de Ângelo Loyo. às 20h, o mestre de cerimônia Cristiano Régis anunciou os prêrmios especiais da XX Regata Recife - Fernando de Noronha.
O tripulante mais jovem - Pedro Manoel Lima Barbosa, de 3 anos e a mais velha de toda a regata - Olga Danilenco Gallego, de 79 anos e 4 meses - os dois do veleiro Triiunfo II, ganharam troféus. A primeira mulher a cruzar a linha de chegada foi Luzimeire Lima. A primeira e até agora única mulher a embarcar sozinha na Refeno, Izabel Pimentel, também foi premiada. O penúltimo a cruzar a linha de chegada - o Avoante I - ganhou o troféu "Tartaruga Marinha". A tripulação com a maior média de idade foi o Al´Nair - levou para casa o troféu "Barco a Velho". A mesma embarcação levou também o troféu de barco que veio do local mais distante - Suiça - a 4.500 milhas. Depois foi a vez dos primeiros veleiros do Rio grande do Norte - Jazz II, Paraíba - Acauã e Alagoas - Talisman serem premiados. O primeiro barco que chegou a Noronha com um comandante membro da ABVC foi o Gosdo D´Àgua. A primeira embarcação do Crucero de la Amistas a chegar foi Cenizo. E o troféu "Pato da Refeno" ficou para o comandante do Horizonte, Antônio Carlos Aricó, que precisou dar 4 bordos para conseguir passar na linha de chegada. O troféu Edivaldo Couceiro foi para o monocasco Tomgape e para o multicasco Ave Rara - primeiros monocasco e multicasco pernambucanos a cruzar a linha de chegada. O troféu Nilson Campos ficou com o veleiro Makai - O Mltishine Voador. Theo e Lívia Chaves Marcolin , as crianças do veleiro Ilha do Mel, levaram o prêmio desbravadores mirins, pois darão a volta ao mundo. E o troféu Carlos Alberto Ciarlini ficou com o veleiro Aratu. Também receberam prêmios especiais "Amigos da Refeno" vários colaboradores da regata. A empresa Nautos - maior empresa de produtos náuticos do país cedeu prêmios que foram sorteados entre os velejadores da Refeno.
Depois foi vez dos vencedores. O Adrelanina Pura, da Bahia, foi o fita azul multicasco e o Maximus, o fita azul monocasco. Dezoito categorias foram premiadas, com troféus para todos os tripulantes que ficaram em 1º, 2º e 3º lugares. O Ave Rara, de Pernambuco, ficou com o primeiro lugar na Multicasco C. A animação tomou conta dos vencedores. Muitos levaram a bandeira do estado que representam ao palco. Mas a festa só estava começando. A praia ficou lotada até a madrugada.
(Fonte: Refeno, 01/10/2008).

Izabel chega em segundo lugar na ‘Classe Aberta B’

Porto de Santo Antônio, Arquipélago Fernando de Noronha, 02/10/2008.

Izabel obteve a segunda colocação na ‘Classe Aberta B’, na concorrida XX Regata Oceânica Internacional Recife- Fernando de Noronha. O Petit Bateau, um Open 6,50 de 21 pés (6,5 m) fez a travessia em 46:58:40 hs. Ela deixou o Marco Zero, em Recife, na tarde de sábado, dia 27/09/2008, alcançando o Porto de Santo Antônio, em Fernando de Noronha, na segunda-feira, dia 29/09/2008, às 11:58:40 hs.
A festa de premiação aconteceu na noite de ontem, no Porto de Santo Antônio.
Em toda a história da Refeno – Regata Recife-Fernando de Noronha, a Izabel é a primeira mulher a realizar esta travessia em navegação solo. O feito a deixou muito feliz; e preparada para novos desafios.
A volta a Paraty, RJ, deverá se iniciar nos próximos dias. Será uma jornada longa, não inferior a doze dias. O velho marinheiro, que a acompanha, um gatinho de 3 meses, o Petit Eric, velejador testado e aprovado, não vê a hora de zarpar rumo ao seu porto seguro. Ele não tem o pedigree de seu antecessor, o Bes, mas enfrenta as águas dos mares com coragem e ousadia. Coragem, que já causou preocupação à sua dona, quando se atirou n’água e deu uma volta nadando em torno do barco.

Agora é só festa

Todos os veleiros da Refeno estão em Noronha.

Os últimos veleiros chegaram a Fernando de Noronha nesta terça-feira. No último sábado, 102 embarcações saíram do Marco Zero, na XX Regata Recife - Fernando de Noronha. Apenas o veleiro Tah e Mar, da Paraíba, não conseguiu concluir o percurso.
O último a chegar ao arquipélago foi o veleiro Fides, do Recife, hoje pela manhã. Já o Avoante I ficou em penúltimo e vai levar o troféu "Tartaruga Marinha".
Às 11 horas da manhã sai o resultado definitivo de todas as categorias.
Para a maioria dos tripulantes, que teve a sorte de chegar ao paraíso, muita festa: Happy hour no Museu do Tubarão e muito chope na creperia Arte e Sabor. Os velejadores aproveitam os momentos em terra firme para passear nas praias da ilha. Outros têm marcado passeio de barco e mergulho. A festa de premiação é amanhã, às 6 da noite, no Porto de Santo Antônio.
(Fonte: XX Refeno, 30/09/2008).

Velejadores famosos ancoram na Ilha Fernando de Noronha

Porto de Santo Antônio, arquipélago de Fernando de Noronha, 29/09/2008.

O Petit Bateau de Izabel Pimentel cruzou a linha de chegada, nesta segunda-feira, na posição de número 63, com o gatinho Petit Eric a bordo. Izabel é a primeira mulher a participar solitária da Refeno. O percurso Recife – Ilha Fernando de Noronha durou 47 horas e 2 minutos.

O Porto de Santo Antônio, no arquipélago de Fernando de Noronha, começa a ganhar um novo visual. Até o começo da noite, cerca de 80 embarcações que participam da XX Regata Recife - Fernando de Noronha já estavam ancoradas. Veleiros que chegaram ainda no sábado, como o Adrenalina Pura, da Bahia e o Ave Rara Lubrax Náutica, de Pernambuco e barcos que levaram quase dois dias para avistar a ilha, como o Horizonte, do comandante Antônio Carlos Aricó.
No mirante do Boldró, o dia foi agitado para a comissão de regata, que não desgrudava os olhos do mar e anotava o tempo de chegada de cada embarcação.
Entre os que concluíram o percurso, estava o veleiro Aysso, da família Schürmann, que comemorou a vitória na categoria monocasco de aço, com o tempo de 40 horas, 44 minutos e 38 segundos.
Houve também quem chegasse ao porto rebocado, como o veleiro Samurai Ni, que quebrou o leme a 30 milhas de Noronha. Os 5 tripulantes ficaram à deriva durante uma hora e meia. Eles contaram que forçaram para ganhar na categoria RGS D, estavam na frente, quando o leme não suportou a pressão. O anjo da guarda deles foi o Lubrax Sintonia, que abriu mão de chegar mais rápido para socorrer os concorrentes.
"- Não dá para deixar de ajudar um colega de regata, na hora do sufoco." disse Dênis Perez, um dos tripulantes.
As xarás Isabel Swan - medalhista olímpica em Pequim na classe 470 e Izabel Pimentel, velejadora solitária, também chegaram nesta segunda-feira.
O veleiro Ventanero Atlântico Sul, de Isabel Swan, chegou em décimo quarto lugar na classificação geral. Já o Petit Bateau de Izabel Pimentel cruzou a linha de chegada na posição de número 63, com o gatinho Petit Eric a bordo. Izabel, primeira mulher a participar solitária da Refeno, contou se atrapalhou na hora da chegada. Confundiu um barco de pesca com o miniveleiro que marca a linha de chegada e teve que dar um bordo para passar antes da bóia.
"- Foi uma pena, porque quase dez veleiros que vinham colados em mim passaram na minha frente, poderia ter sido bem melhor a minha colocação geral." lamentou.
Mesmo assim Izabel estava feliz.
"- A viagem foi muito rápida. Nem senti o tempo passar." disse ela depois de 47 horas e 2 minutos no mar.
A primeira coisa que fez ao chegar em Noronha foi tomar um banho de água doce e depois levar o gatinho para passear.
(Fonte: XX Refeno, 29/09/2008).

População lota Marco Zero

Veleiros partem para Noronha.

Um público fiel e animado compareceu ao Marco Zero, na cidade do Recife, para prestigiar o evento mais importante do calendário náutico de Pernambuco e o maior da América do Sul - a XX Regata Oceânica Internacional Recife- Fernando de Noronha. Muitos vieram se despedir dos velejadores, torcer pelo seu barco preferido ou simplesmente desfrutar do belo espetáculo, que contou com a presença de toda comodoria do Cabanga, autoridades, patrocinadores, turistas e o público em geral. Durante todo o desfile dos barcos, a emoção tomou conta da multidão, que acenava ou batia fortes palmas, parabenizando os participantes.
A primeira partida, das quatro no total, foi dada às 13h, quando os 118 veleiros das classes Aço, RGS, Aberta, Orc e Multicasco, cruzaram a linha rumo ao Arquipélago. “ Hoje o povo recifense teve a oportunidade de presenciar um lindo espetáculo náutico e comemorar os vinte anos da Refeno”, enfatizou o diretor geral da Refeno, Cleidson Nunes.
(Fonte: XX Refeno, 27/09/2008).

Solenidade oficial e confraternização entre velejadores marcam abertura da regata

A vigésima edição da Regata Recife - Fernando de Noronha, a maior competição oceânica do país, foi aberta oficialmente nesta quinta-feira, 25, no Cabanga. O secretário de Turismo de Pernambuco, Sílvio Costa Filho e o secretário de Turismo do Recife, Samuel Oliveira, representaram o governador Eduardo Campos e o prefeito João Paulo, respectivamente, na cerimônia de abertura. Várias autoridades prestigiaram o evento e também as estrelas da festa: velejadores do Brasil e do "-Essa regata já é uma tradição e está na agenda dos velejadores. É um cartão postal da nossa cidade", disse o comodoro do Cabanga, Samuel Cavalcanti, ao abrir oficialmente a edição 2008. O vice-comodoro, Ronald Cavalcanti, o diretor da Refeno, Cleidson Nunes e diversos diretores e funcionários do Cabanga também foram à festa. A solenidade, que teve início com o hasteamento das bandeiras foi encerrada com uma grande confraternização.
Após a abertura oficial, houve o lançamento do selo comemorativo dos Correios, em homenagem à regata, a prestação de contas das ações sociais, a entrega do prêmio Amigos da REFENO e recebimento do Selo Verde em Ecologia e Carbono Neutro.
A música também teve espaço, com o lançamento do CD Velas do Brasil e do frevo REFESTAR feito para a regata. Depois, o show com a banda pernambucana NÓS 4 animou os convidados.
(Fonte: XX Refeno, 25/09/2008).

Izabel Pimentel lançou livro na Refeno

A velejadora solitária conversou com velejadores e autografou livros, no Cabanga.

A velejadora Izabel Pimentel teve um dia pra lá de agitado, na segunda-feira, 21, no Recife. Participou de ações sociais na comunidade de Brasília Teimosa, visitou a fundação Altino Ventura, fez uma palestra sobre sua experiência de velejar solitária mar afora e ainda lançou o livro "A Travessia de uma Mulher", no Cabanga. Quem quiser comprar o livro de Izabel, é só procurá-la no clube e fazer a encomenda. O preço é promocional: R$ 30,00. Hoje outro livro será lançado, às 16:30, no Cabanga: "O Melhor Ano de Nossas Vidas" - de Sérgio Gomes.
Às 19:30, o comandante Antônio Carlos Aricó faz palestra sobre a fantástica história da volta ao mundo do veleiro Horizonte.
(Fonte: XX Refeno, 21/09/2008).

Segunda-feira de ação social na Refeno

Velejadores visitam Brasília Teimosa.

A segunda-feira começa agitada, em Brasília Teimosa, no bairro do Pina, com um dia dedicado à comunidade, na Colônia de Pescadores. Numa parceria com a Fundação Altino Ventura, a XX Regata Recife – Fernando de Noronha vai oferecer vários serviços, como ação de combate e prevenção à cegueira, corte de cabelo e saúde bucal. Serão distribuídos kits escolares na escola da comunidade e protetor solar ao pescadores. A ação social começa às 9h e vai se repetir durante toda a semana. Nesta segunda-feira, alguns velejadores da Refeno irão acompanhar as atividades, em Brasília Teimosa: Izabel Pimentel e Sérgio Gomes, que lançam livros, esta semana no Cabanga e Heloísa Schürmann, da família aventura.
Heloísa, que vai embarcar na Refeno, no veleiro Aysso, teve um domingo animado, no clube. O dia foi dedicado às crianças. Na quadra, houve muita brincadeira, com piscina de bolas, pula-pula, pipoca e algodão doce. Heloísa e a artista plástica Ziza Pantoja ajudaram a animar a criançada.

Confira a programação completa desta segunda-feira
9h – Início das atividades sociais na comunidade de Brasília Teimosa (combate e prevenção à cegueira, corte de cabelo e saúde bucal). Distribuição de kits escolares.
9:30 – vistoria das embarcações, no Cabanga.
14h às 18:30 – Feira de artesanato e exposição com stands de patrocinadores, Correios, Marinha, Bombeiros, Abav, UFRPE.
14:30 – Palestra sobre utilização de Equipamentos de GPS e navegação por satélite, com o professor José Antônio Manso – UFPE.
15:30 – Palestra sobre meteorologia para navegantes com o professor José Swami – UFRPE.
16:30 – Noções básicas de Primeiros Socorros em alto mar com os médicos Felipe Lima e Dr. Marcelo Soares.
18h – Happy Hour – voz e violão.
19:30 – Lançamento do Livro “A Travessia de uma Mulher” - com Izabel Pimentel.

(Fonte: XX Refeno, 21/09/2008).

Izabel conclui a travessia Paraty – Recife

Cabanga Iate Clube de Pernambuco, Recife, 09/09/2008, 07:40 hs.
Distância Paraty – Recife: 1.154 mn (2.137 km).
Tempo: 11d – 10hs.

Izabel chegou esta manhã em Recife proveniente de Paraty, de onde saiu no dia 28 do mês passado. A travessia levou exatamente 11 dias e 10 horas. O barco Petit Bateau teve um ótimo desempenho, singrando sem nenhum problema. Nalguns momentos, favorecida pelos ventos, ela foi obrigada a baixar os panos, a fim de reduzir a velocidade do barco.
“- A redução da quilha resultou num bom aproveitamento do barco”. Comemorou. A Izabel mandara diminuir o comprimento da quilha em cinco centímetros, visando dar um ajuste no nível de linha de água, trabalho realizado enquanto o barco esteve ancorado na Marina Porto Imperial.
“- Preciso só trocar a fiação elétrica da luz de sinalização, que está apresentando umas falhas. De resto, a reforma geral providenciada na França deixou o barco realmente em condições de navegabilidade. Fiz esta travessia de Paraty a Recife sem transtornos, permitindo que pudesse dar mais atenção ao meu companheiro de viagem. O Eric, embora sendo um marinheiro novato, com experiência só das águas da Baia de Angra dos Reis, onde me acompanhou em excursões de caiaque e no Petit Bateau, mostrou que é talhado para o mar. Se comportou como um velho marinheiro. Como medida de segurança, mantive-o ligado a uma corda, limitando os seus passos numa área segura. Viajava a maior parte do tempo no convés, fazendo as suas gracinhas. Sujeira só no local determinado, onde tinha terra apropriada. Mas como em toda a regra, houve uma exceção; ele pagou um mico quando viu pela primeira vez um grupo de golfinhos acompanhando o barco. Pirou de vez, escondendo-se na cabine. Interessante como o Eric se adaptou à corda de segurança. Sempre que pretendia passar para o convés, pedia para ser conectado à corda. Previdente o meu gatinho Petit Eric, uma fofura de gato, que ganhei de uns amigos. Ele não tem pedigree, o pelo é liso, malhado; sem o charme do meu saudoso BES, o companheiro que trouxera de Lisboa, onde trabalhei como analista de sistema. Mas me fez companhia e transformou a viagem em momentos únicos para não serem esquecidos.”
Foram 1.154 mn (2.137 km) percorridas de Paraty a Recife. A Izabel chegou em Recife por volta das 06:20 hs de hoje, dia 9, mas só atracou às 07:40. Tão logo pôs os pés no chão procurou um telefone público e ligou para os pais.
- Acabei de chegar.
Expliquei que tinha previsto que ela chagaria em Recife neste tempo, cerca de onze a doze dias.
“- Que dia é hoje.” Quis saber.
Esclareceu que poderia ter antecipado em um dia a chegada se não tivesse seguido a viagem em direção ao Arquipélago de Abrolhos. (Um conjunto de cinco ilhas que fica distante cerca de 72 km da costa da cidade de Caravelas, no Sul da Bahia). Embora não tenha aportado nas ilhas, o trajeto alongou a viagem. O percurso acabou tomando duas retas: Paraty à Abrolhos e Abrolhos à Recife.
“- Vou tomar um banho e procurar minhas amigas.”
Ela vai ficar hospedada no apartamento de duas amigas pernambucanas, navegadoras como a Izabel. Agora é dar uns retoques no barco e esperar o dia 27, para a largada da “XX Refeno - Regata Oceânica Internacional Recife-Fernando de Noronha”. O percurso da regata é de cerca de 295 mn (546 km).

Izabel deixa Paraty rumo à XX Refeno

Marina Porto Imperial, Paraty, 28 de agosto de 2008.

Izabel deixou a Marina Porto Imperial, em Paraty, no seu barco Petit Bateau, rumo a Recife. O barco começou a singrar as águas da baía de Paraty por volta das 21:30 hs. A navegadora participará da XX Refeno - Regata Oceânica Internacional Recife-Fernando de Noronha, cuja largada está prevista para o dia 27 de setembro.
Falta menos de um mês. A Izabel espera alcançar Recife em cerca de vinte dias.
Tão logo ela terminou com o acerto do barco, o abastecimento de combustível para os motores de popa e gerador de eletricidade, o estoque de alimentos e água, deu início à viagem. Passará a noite cruzando as baias de Paraty e Angra dos Reis. Ao clarear o dia deve estar à frente da Ilha Grande, quando, finalmente, projetará o barco em direção ao alto mar onde se sente mais segura, evitando a presença de embarcações e o seu inimigo número dois: as redes de pesca, que já lhe causaram alguns embaraços. A Izabel espera aproveitar a frente fria que se aproxima e ganhar terreno, com o vento favorável. Segue em direção a Cabo Frio e Cabo de São Tomé, no norte fluminense. A viagem será sem escalas, direto para Recife.
Antes da partida fizemos vários contatos via telefone. Às 16:15 hs a Izabel informava do andamento dos preparativos para a viagem. Comprara um estoque razoável de alimentos e água para mais de um mês. Fizera uma adaptação para a utilização de botijão de gás nas normas brasileiras. E aproveitou para levar um botijão de 4 kgs, o dobro do combustível usado nas duas travessias do Atlântico. Agora em qualquer ponto do país poderá trocar o botijão de gás.
“- Quase cem reais, a adaptação! Estou esperando o Flávio (amigo e técnico de embarcações) para providenciar a compra do combustível dos motores de popa e do gerador de eletricidade. Depois vou pegar umas roupas em casa e em seguida parto para Recife ainda hoje”. Finalizara.
“- Desta vez estou levando material de pesca. O Eric não é chegado a comida desidratada, prefere uma refeição mais natural, como o shusi.” (Disse referindo-se à companhia de viagem. A sua primeira travessia sem ser em solitário). O fato de ser obrigada a pescar, a deixa meia contrariada, pois não é chegada a ‘sacrificar os animais’. Na sua primeira travessia do Atlântico não foram poucas as vezes que jogou de volta ao mar os peixes de várias espécies e tamanhos que eram atirados pelas ondas no convés do barco. Dispensa que fez, mesmo quando começou a escassear os alimentos!
A pesca embora não seja a sua praia, como se diz no jargão popular, será uma ‘invenção’ para ocupar as horas vazias; e, mais importante, preparar uma refeição fresca, sem os desidratados costumeiros.
“Vai ser divertido!” Entusiasma-se.
Às 19:41 hs voltou a se comunicar.
“- Quando me aproximar de Recife, assim que tiver sinal, te ligo!” Prometeu.
Muito chão (água) pela frente e dias até a próxima notícia!
Às 21:40 hs a Izabel confirmava, finalmente, que estava levando o barco para fora da Marina Porto Imperial. Distava cerca de 300 m do cais. A noite será de vigília, conduzindo o barco entre ilhas e obstáculos na baia de Angra dos Reis. Trajeto de seu inteiro conhecimento, graças às suas andanças pela região de canoa, caiaque e, ultimamente, barco. É seguir em frente, e quando o dia clarear, a essa altura à frente da Ilha Grande, adentrará pelo mar em direção ao seu destino: o Cabanga Iate Clube de Pernambuco, em Recife; 1.194 mn (2.211 Km) distante do ponto de partida.
Izabel estréia um novo lema: se sentir “livre nos oceanos!” Oceanos por que sua próxima meta será dar a volta ao mundo em solitário!

Organizadores da regata
A Refeno é organizada pelo Cabanga Iate Clube de Pernambuco, em parceria com a Federação Pernambucana de Vela e Motor. O Cabanga Iate Clube está situado na parte sudoeste do Porto do Recife, ao lado da C'roa dos Passarinhos. Os barcos partem do Marco Zero, ponto turístico do Recife e seguem com destino a Fernando de Noronha. São 300 milhas náuticas de percurso, ou 545 km.
Após a regata, Izabel retornará a Paraty, partindo de Fernando de Noronha sem escalas.

Premiações
O site da Refeno informa que ‘não é apenas o barco que chega primeiro que recebe prêmio na regata mais charmosa do Brasil. Além do fita azul, os três primeiros colocados das diversas classes também recebem troféus. Outras premiações também fazem a alegria dos competidores, como o primeiro estrangeiro a cruzar a linha de chegada, o barco que vem de mais longe, o tripulante mais jovem e o mais velho e a primeira mulher a chegar. O penúltimo colocado na regata leva para casa o troféu TAMAR: tartaruga marinha.’

História
‘Navegar entre o Recife e Fernando de Noronha sempre foi o sonho de muitos velejadores. A primeira travessia, ainda amadora, aconteceu em 1984, realizada pelo barco Odisseus, que contou com cinco tripulantes. Hoje o veleiro se encontra no Museu do Tubarão, em Fernando de Noronha.
Em 1985, um dos tripulantes do Odisseus, o velejador Maurício Castro, resolveu promover com alguns amigos, um cruzeiro com destino à ilha. Seis barcos fizeram a travessia, que ganhou o nome de Cruzfafeno - Cruzeiro em Flotilha ao Arquipélago de Fernando de Noronha.
Com o sucesso da Cruzfafeno, um ano depois foi realizada a primeira REFENO - Regata Internacional Recife - Fernando de Noronha. A competição contou com a participação de 20 veleiros de várias partes do mundo. O principal objetivo dos organizadores foi promover uma regata ecológica, na qual os velejadores tivessem que cumprir também regras para preservar o meio-ambiente. E deu certo. Desde que foi criada, a REFENO ganha mais e mais adeptos apaixonados, que acabam voltando no ano seguinte para matar a saudade.’

RELEASE SOBRE A XX REFENO


Informativo Nr 01

A Regata Recife – Fernando de Noronha está completando 20 anos. Começou como uma brincadeira de amigos, que se aventuraram mar afora até o arquipélago. Dois anos depois, em 1986 virou coisa séria: teve 20 participantes – inclusive de fora do país. Na época, o equipamento que orientava os velejadores era o radiogoniômetro – uma engenhoca com uma antena enorme, que captava os sinais dos faróis dos aeroportos. Com uma linha imaginária, os velejadores se localizavam, no meio do oceano.
Vinte edições depois, a regata se modernizou. Com a ajuda de equipamentos, como o GPS, tudo ficou bem mais fácil. O número de embarcações foi aumentando, e hoje, mais de 100 veleiros participam da corrida até Noronha – 545 quilômetros entre céu e mar. O número de velejadores passa de mil. Gente solitária, como a mato-grossense Izabel Pimentel, que já atravessou o oceano atlântico duas vezes; e equipes numerosas, como a turma do Voyager, um catamarã de 60 pés que deve reunir cerca de 10 tripulantes.
Entre os inscritos, o velejador olímpico André Fonseca, o Bochecha. Depois de participar das olimpíadas, em Pequim, onde disputa a classe 49er, ele embarca na Refeno, no veleiro Gostod´água, de Santa Catarina.
Para que a regata tenha sucesso, serão investidos cerca de 400 mil reais. Uma estrutura será montada para receber os participantes, com festas no Cabanga e na ilha. Uma equipe começou a trabalhar 6 meses antes do evento. O dinheiro vem dos patrocinadores. Até agora, a Petrobras, o Governo de Pernambuco, a Prefeitura do Recife, Gol – linhas aéreas, Baterias Moura , Estaleiro Atlântico Sul e Ministério do Turismo. E outros estão sendo agendados.
A regata, hoje o principal evento de Fernando de Noronha, movimenta a economia da ilha. As pousadas e restaurantes ficam lotadas. O comércio fatura bastante. É mesmo uma grande festa.
O barco Adrenalina Pura da Bahia, que tem como comandante o empresário Georg Ehrensperger, é o grande recordista da Refeno. Ano passado conseguiu a marca de 14 horas, 34 minutos e 54 segundos – quebrando a própria marca, feita em 2001. Mas para a maioria dos velejadores, a Refeno não é uma competição. É um momento de rever amigos, de viver novas histórias e aventuras – uma grande confraternização.
A partida da Refeno é no dia 27 de setembro, no Marco Zero, no Bairro do Recife.
(Assessoria de Imprensa da XX Refeno).

Izabel aceita convite e participará da Refeno

Marina Porto Imperial, Paraty, 08 de agosto de 2008.

Izabel Pimentel confirma que irá participar da Refeno, Regata Oceânica Internacional Recife - Fernando de Noronha.
- Fiquei muito feliz pelo convite da organização do evento e com alegria aceitei. Disse a Izabel.
Izabel está em Paraty terminando de preparar o barco para a Regata. O barco receberá estais e brandais novos e manutenção do leme, da quilha e de toda parte elétrica.
De Noronha Izabel volta aos treinos e faz mais uma travessia do Atlântico. Dessa vez ela irá dar um giro pelo Atlântico Sul. A viagem também servirá de preparação para a Volta ao Mundo prevista para 2009/2010.
- Depois das férias, volto aos treinos e ao mar. Pretendo sair de Paraty no fim de agosto, com uma pequena escala em Salvador. Vamos torcer por ventos favoráveis e por uma viagem de subida menos dura. Que os bons ventos me levem novamente a Recife.

http://www.refeno.com.br/2008/br/home/
 
 

 
 
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